sexta-feira, 25 de setembro de 2026

TEREZINHA BRUM: lucidez, experiência e sua história

 




PARTE II

Pelo modo como Terezinha relatou seus trabalhos e suas vivências em diferentes lugares, fica evidente que considera essa trajetória muito positiva. Se tivesse que voltar ao passado e recomeçar, certamente que faria tudo novamente.

No entanto, ela nunca deixou de pensar em suas origens. Na primeira oportunidade que teve para retornar, não pensou duas vezes. Em 1990, Terezinha voltou a Tavares, não apenas para visitar sua família, mas para trabalhar em sua área de formação. Prestou concurso público, foi aprovada e assumiu o cargo durante a gestão de Vilmar Silva, permanecendo na função até a aposentadoria. Foram 23 anos de trabalho no município.

Questionada sobre a experiência adquirida em outros lugares e se ela havia contribuído para sua atuação em Tavares, respondeu que cada lugar tem uma realidade diferente. Segundo ela, porém, a experiência sempre ajuda e proporciona mais confiança para lidar com situações complexas.

O trabalho de assistente social em Tavares, durante diferentes governos, foi marcado, segundo Terezinha, pela ética profissional. Para ela, o assistente social não tem partido: tem o povo, a população e, sobretudo, os segmentos mais necessitados, em diferentes aspectos.

"Meu trabalho na assistência social de Tavares teve ênfase na busca de qualidade de vida das famílias vulneráveis, sociabilização do idoso e incentivo a arte,cultura e esporte com crianças e adolescentes".

Terezinha é mãe de Mayra Brum Papa, 40 anos, assistente social na Prefeitura, dando continuidade ao trabalho da mãe iniciado há cerca de 30 anos.


 A POLÍTICA ENTROU NA SUA VIDA 


Durante a entrevista, veio uma pergunta inevitável: Terezinha tinha contato direto com o público e ajudava as pessoas na resolução de seus problemas. Seu pai havia sido político, assim como seu irmão. Diante desse contexto, você nunca havia pensado em ser candidata?

Terezinha respondeu que até chegou a pensar em alguns momentos, mas logo desistia. Contou que é filiada ao MDB há apenas seis anos e que gosta da política em seu verdadeiro sentido grego: o de cuidar da cidade e ajudar as pessoas. Disse, porém, que não gosta de brigas políticas nem de intrigas.

Foi então que surgiu outra pergunta: como aconteceu sua candidatura a vice-prefeita na eleição passada, já que, até então, ela nunca havia demonstrado interesse em atuar na linha de frente da política?

Segundo Terezinha, o partido precisava de um nome para ocupar a vaga de vice-prefeito. Houve um apelo para que aceitasse o desafio e, diante disso, acabou concordando.

Nesse momento da entrevista, com a voz embargada, Terezinha se emocionou ao lembrar do pai. Disse que, se ele estivesse vivo, provavelmente lhe diria: “Não deixe o partido mal”. A lembrança foi decisiva para sua escolha, somada à história de sua família ligada ao MDB.

“Não me arrependi”

Perguntada se havia se arrependido da decisão de ser vice-prefeita, Terezinha foi direta: “Não me arrependi!”.

Segundo ela, a experiência foi marcante. A atuação política permitiu conhecer melhor o município geograficamente e também a realidade das pessoas. Até então, seu trabalho como assistente social estava mais concentrado na área urbana. A experiência como vice-prefeita possibilitou, portanto, conhecer melhor a realidade do campo.

Complementou dizendo que, "ao ser candidata a vice permitiu conhecer mais de perto a realidade do nosso município".

Durante a entrevista, também foi abordada a questão do preconceito relacionado à sua idade, já que tinha 70 anos quando assumiu a condição de candidata.

Terezinha reconheceu que houve preconceito. Para ela, entretanto, a atividade política não exige vitalidade física. O conhecimento e a vontade de transformar a realidade é  que são fundamentais. 

“Mas não sou mais candidata a nada!”, antecipou-se, antes mesmo que viesse uma nova pergunta sobre o assunto.

A PREOCUPAÇÃO COM A JUSTIÇA SOCIAL DESDE CRIANÇA 

No final da entrevista, Terezinha fez questão de acrescentar que sua preocupação com as questões sociais surgiu ainda quandocriança, talvez por volta dos dez anos de idade.

Ela contou que frequentava bailes nos quais havia uma divisão entre brancos e não brancos. Os brancos permaneciam no salão principal, enquanto os negros ficavam em outro espaço, muitas vezes improvisado.

“ Aquilo me incomodava. Amigas de escola ficavam do outro lado porque não eram brancas”, relatou.

Na sua avaliação, essa experiência ajudou a despertar, desde cedo, uma preocupação com a justiça social.

“Sempre tive a questão da justiça social!”, afirmou.

Terezinha também relaciona sua escolha profissional à convivência com situações de pobreza desde a infância. Lembra que, na venda de seu pai, algumas pessoas chegavam para fazer compras com dinheiro muito limitado. Compravam produtos a granel, em pequenas porções, às vezes em quantidade suficiente apenas para alimentar uma pessoa uma única vez.

“Convivi com a pobreza e ela me comovia”, afirmou.

Segundo Terezinha, essas experiências podem ter contribuído para sua decisão de se tornar assistente social e trabalhar em favor das pessoas necessitadas.

Hoje, aposentada, ela mantém a convicção de que a política, quando exercida com responsabilidade e voltada para as pessoas, pode contribuir para melhorar a vida da população.

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