A vida também exige movimento, adaptação e capacidade de perceber quando é preciso mudar de direção. Há pessoas que permanecem fazendo sempre a mesma coisa, mesmo quando os resultados já não correspondem às expectativas, seja por acomodação, medo de arriscar ou apego ao que já conhecem. Outras, porém, têm um espírito mais empreendedor: observam a realidade, identificam novas possibilidades e, quando determinado ramo de atuação ou trabalho deixa de oferecer bons resultados, não hesitam em buscar novos caminhos.
Essa disposição para aprender, experimentar e recomeçar pode transformar dificuldades em oportunidades e abrir portas para novas conquistas. É justamente nesse perfil que se enquadra a trajetória do casal Adanira e Anderson.
Adanira da Costa Gondran é natural de Tavares e, hoje, aos 47 anos, divide a vida com Anderson Gondran, 48 anos, de Rio Grande. Os dois se conheceram quando ela foi para Rio Grande fazer um curso de informática quando ela tinha 18 anos. O namoro evoluiu e, algum tempo depois, decidiram se casar.
Depois do casamento, resolveram morar em Tavares e trabalhar na atividade agrícola tradicional de suas famílias: o cultivo de cebola.
Durante alguns anos, enfrentaram as dificuldades próprias da atividade e seguiram trabalhando com a cebola. Chegou, porém, um momento em que o ciclo desse cultivo na região começou a chegar ao fim. E o problema não atingia apenas Adanira e Anderson, mas muitos produtores que dependiam daquela atividade.
Adanira resume aquele período: “Paramos com a cebola, pois começou a dar prejuízo.”
Anderson passou a trabalhar na SUL PINOS, como soldador, enquanto Adanira ainda permaneceu por algum tempo ligada ao cultivo da cebola. Como a atividade já rendia pouco e ela não queria que apenas Anderson fosse responsável pela renda da família, decidiu buscar uma nova alternativa.
Foi então trabalhar em um comércio de peças e acessórios para automóveis e motos pertencente a um primo.
Dois anos depois, o primo decidiu vender o estabelecimento. Adanira recebeu a proposta de assumir o negócio. Gostou da ideia, conversou com Anderson e os dois passaram a analisar cuidadosamente a possibilidade. Não era uma decisão fácil. Havia pouco dinheiro disponível para o investimento e muitas dúvidas sobre o futuro.
Mas, naquele momento, a coragem foi maior do que o medo.
O casal decidiu comprar os produtos que pertenciam ao estabelecimento e assumir o comando do empreendimento.
Anderson continuou trabalhando na empresa como soldador, pois era dali que viria a renda necessária para garantir o sustento básico da família enquanto o novo negócio começava a se consolidar.
Como acontece com muitos empreendimentos, os resultados não aparecem imediatamente. Com Adanira e Anderson não foi diferente. Os primeiros tempos foram de muito trabalho, preocupação e dificuldades financeiras.
“No início foi difícil. Vendia as peças num dia e, no outro, usava o dinheiro para repor. Era boleto e boleto. Chegavam momentos em que parecia que eu não iria conseguir seguir com o negócio. Mas não desisti”, contou Adanira.
Hoje, já se passaram cerca de cinco anos desde que assumiram o empreendimento, e, segundo ela, a fase mais difícil ficou para trás.
Perguntei a Adanira como havia aprendido a conhecer as peças e se tinha feito algum curso específico para trabalhar no ramo. Ela deu uma risadinha e respondeu que, no começo, “não sabia nem o que era um pivô”. Depois, completou: “Fui aprendendo no dia a dia.”
Adanira conta que levou quase dois anos para ter certeza de que o empreendimento realmente daria certo. Quando percebeu que o negócio havia se consolidado, chegou o momento de Anderson deixar a empresa onde trabalhava e passar a atuar ao lado dela.
A partir daí, os dois passaram a dividir as funções. Adanira ficou responsável pelas vendas, enquanto Anderson passou a trabalhar como mecânico e soldador. Assim, enquanto ela vendia a peça, ele entrava com a mão de obra.
Nesse estágio do empreendimento, Adanira já pode ser considerada uma empreendedora que encontrou seu caminho, embora ela própria seja bastante modesta ao falar sobre isso. Seu pensamento está voltado para continuar crescendo e melhorar cada vez mais o negócio.
“Pretendo vender com preço menor e vender mais quantidade”, afirmou.
Outro passo importante para o casal foi a compra do prédio onde funciona o empreendimento. Ao deixar de pagar aluguel, a situação financeira melhorou e trouxe mais segurança para a continuidade do negócio.
Ao final da entrevista, pedi a Adanira que deixasse uma mensagem para quem tem um sonho, pensa em empreender ou está enfrentando dificuldades para fazer um projeto dar certo.
Ela foi direta e sintetizou sua experiência em uma frase:
“NÃO DESISTA DE SEUS SONHOS!”
Adanira também lembrou uma frase que ouviu certa vez de um primo: “Cavalo encilhado não passa duas vezes.”
A trajetória de Adanira e Anderson mostra que mudar de caminho não significa desistir. Muitas vezes, significa perceber que uma determinada atividade chegou ao seu limite e ter coragem para procurar novas possibilidades.
Hoje, o casal leva uma vida melhor do ponto de vista material. Mas nada foi conquistado com facilidade. Foi preciso trabalhar muito, persistir, manter o foco e, principalmente, acreditar que era possível começar de novo.
A história também revela que o espírito empreendedor não depende apenas de grandes investimentos ou de conhecimentos adquiridos em cursos. Muitas vezes, ele nasce da necessidade, da disposição para aprender e da coragem de enfrentar aquilo que ainda é desconhecido.
Adanira começou sem saber sequer o que era um pivô. Aprendeu no cotidiano, enfrentou as dificuldades e, passo a passo, construiu seu próprio caminho.
Fora do trabalho, o casal leva uma vida simples e caseira. Durante o verão, costuma aproveitar os fins de semana para ir à praia. A família também acompanha os estudos e as conquistas das filhas: a mais velha A mais velha é bacharel em direito e pós graduanda em direito civil e processual civil e direito do agronegócio, enquanto a mais nova, Camila, cursa Ciências Contábeis.
A história de Adanira e Anderson fica, assim, como uma inspiração para quem pensa em empreender: nem sempre é possível escolher as circunstâncias, mas é possível escolher como reagir diante delas. Às vezes, é justamente quando um caminho chega ao fim que surge a oportunidade de começar outro.

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