ESPAÇO DE REFLEXÃO
sábado, 24 de outubro de 2026
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sexta-feira, 23 de outubro de 2026
DIEGO PAIVA: a limitação física não impediu a alegria de viver nem a vontade de seguir em frente
Há pessoas que, mesmo diante dos imprevistos que a vida lhes apresenta, encontram forças para seguir em frente sem perder a esperança e abrir mãos dos sonhos. Alto-astral, cheio de planos para os próximos anos e com a vontade de viver estampada no rosto, o jovem desta entrevista teve parte de seus projetos interrompida pelas circunstâncias, precisando mudar hábitos, adaptar-se a uma nova realidade e reaprender muitas coisas. A vida passou a exigir dele outros caminhos, novas perspectivas e uma capacidade de superação que talvez nem imaginasse possuir. Com resiliência e determinação, porém, compreendeu que nem sempre é possível escolher os desafios que surgem pelo caminho, mas é possível encontrar maneiras de enfrentá-los. Hoje, vivendo de forma diferente daquela que conhecia, ele demonstra que os imprevistos podem mudar os rumos da caminhada, mas não precisam apagar a alegria de viver nem a esperança de construir um futuro feliz.
Diego da Costa Paiva, ou simplesmente Diego Paiva, é um jovem cuja trajetória poderia ter sido marcada pelo desânimo e pelo isolamento após uma mudança radical em sua vida. No entanto, mesmo tendo se tornado paraplégico há 11 anos, ele mantém o alto-astral e conta sua história com tranquilidade, demonstrando que aprendeu a conviver com a nova realidade sem abrir mão da independência, dos projetos e da alegria de viver.
A entrevista foi marcada com uma expectativa que persistia em minha mente: quem é Diego Paiva hoje? A resposta começou a se delinear à medida que a prosa avançava. Diante de mim, estava um jovem cuja condição física não limitava sua maneira de pensar, seus planos ou sua disposição para a vida.
Aos 37 anos, natural de Tavares, Diego cursou a educação básica na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho. Sua trajetória profissional começou a ganhar novos rumos em 2007, quando decidiu sair do município em busca de oportunidades.
Ele conta que foi para Gravataí, onde trabalhou por aproximadamente dois anos em uma empresa terceirizada da General Motors (GM). Como não enxergava possibilidades de crescimento profissional, decidiu deixar o emprego e retornar a Tavares. De volta ao município, trabalhou na Sul Pínus por cerca de dois anos. Ainda em busca de melhores perspectivas, partiu para Rio Grande.
Na cidade portuária, começou a distribuir currículos em busca de uma oportunidade de trabalho. Foi durante essa caminhada que surgiu uma possibilidade inesperada, a partir de um encontro casual.
Diego relata que, já no final de uma jornada de entrega de currículos, na região do porto, um senhor lhe ofereceu carona até o centro da cidade. Ao perceber que o jovem ainda carregava alguns currículos, comentou que também havia passado por aquela experiência quando era novo. O homem contou que possuía uma pequena empresa de conserto de embarcações e perguntou se Diego gostaria de trabalhar com ele.
No dia seguinte, Diego foi até o local e começou a trabalhar no almoxarifado. Uma semana depois, foi chamado para uma entrevista em uma empresa do porto. Havia dez candidatos disputando três vagas. Ao perceber que outros concorrentes estavam em situação de maior necessidade, decidiu desistir do processo seletivo e permanecer no emprego que já havia conseguido.
Posteriormente, participou de outra seleção, na qual foi aprovado. Dessa vez, encontrou uma oportunidade mais próxima daquilo que procurava profissionalmente.
O crescimento foi rápido. Em apenas cinco meses, recebeu uma promoção e, com um ano veio a segunda promoção.
Entretanto, o cenário econômico mudou. Entre 2014 e 2015, a crise atingiu os empreendimentos do polo naval. Segundo Diego, os trabalhadores receberam férias coletivas, com a expectativa de retornar ao trabalho alguns dias depois. Mas a situação se agravou: de aproximadamente mil funcionários, restaram menos de cem. Diego permaneceu entre eles.
O ACIDENTE QUE MUDOU OS RUMOS DA CAMINHADA
Certa noite, por volta da meia-noite, Diego retornava de moto da casa da namorada quando sofreu o acidente que mudaria sua vida. Ao passar por um desnível na pista, perdeu o controle da motocicleta, que tombou, arremessando-o para longe.
Ao relatar o ocorrido, ele foi enfático: “o problema todo foi o desnível”.
Perguntei se havia ingerido bebida alcoólica. A resposta foi direta: “não”! Também quis saber se estava em alta velocidade. Ele esclareceu que não vinha tão devagar, "mais ou menos 50 km/h, acelerou para tentar passar antes de fechar a sinaleira".
"Mas se não tivesse o desnível não teria caído", repetiu.
Ainda no local do acidente, ao tentar se levantar, percebeu que algo grave havia acontecido: não conseguia movimentar as pernas. Mototaxistas que estavam nas proximidades acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar da gravidade da situação, Diego conta que conseguiu manter a calma.
No hospital, recebeu a notícia de que havia fraturado duas vértebras da coluna. Permaneceu aproximadamente 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em Rio Grande, antes de retornar para casa.
A partir daquele momento, começou um processo profundo de transformação. A nova realidade se impunha, e era necessário aprender a conviver com ela.
Diego sempre havia sido independente. De repente, passou a depender da ajuda de outras pessoas para realizar atividades cotidianas. A própria casa não oferecia a estrutura necessária para atender às suas novas necessidades. Até mesmo o banho exigia uma logística diferente: ele precisava atravessar a rua e ir até a casa do Zé Terrinha, onde havia um banheiro com espaço maior.
“Foi difícil sim, foi, eu e toda família fomos abalados”, confessa.
A RECONSTRUÇÃO DA VIDA E A CONQUISTA DA INDEPENDÊNCIA
Aos poucos, segundo Diego, foi reinventando seu estilo de vida. Um dos momentos decisivos desse processo ocorreu quando recebeu a orientação de que deveria buscar atendimento especializado.
O médico que o atendeu em Rio Grande recomendou que procurasse o Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, referência na reabilitação de pessoas com lesões neurológicas e comprometimentos motores.
A consulta foi marcada, mas somente seis meses após o acidente surgiu a oportunidade de viajar. Com o apoio do Estado para custear as despesas de deslocamento e a ajuda de conhecidos, Diego foi a Brasília, onde permaneceu internado durante um mês.
A experiência representou uma mudança significativa em sua trajetória.
“Mudou a minha qualidade de vida, a partir de então”, afirma.
Perguntei o que havia mudado e por quê. Ele explicou que, naquele período, aprendeu a viver na nova realidade e compreendeu que poderia continuar realizando muitas das atividades de antes, desde que adaptasse a maneira de fazê-las.
“É que daí aprendi como viver na nova realidade, que poderia viver como antes, porém de maneira diferente adaptada, hoje nem me vejo como cadeirante”, conclui.
A fala de Diego revela uma compreensão importante: a deficiência física trouxe limitações e exigiu adaptações, mas não eliminou suas possibilidades de construir uma vida ativa e independente.
O PRECONCEITO AINDA É UM DESAFIO
Ao conversar sobre as dificuldades enfrentadas, Diego aponta o preconceito como um dos principais obstáculos. Para ele, muitas pessoas ainda não compreendem o que significa viver com paraplegia e acabam tratando a pessoa com deficiência de maneira diferente.
No início, ele sentia certo desconforto ao perceber os olhares de admiração ou curiosidade das pessoas. Com o tempo, porém, foi encontrando maneiras de lidar com essas situações e passou a demonstrar, por meio de suas próprias experiências, que a deficiência não define toda a existência de uma pessoa.
Hoje, Diego dirige seu próprio carro adaptado, viaja longas distâncias e organiza sua rotina com autonomia.
“inclusive, não me impede namorar”, diz, com um sorriso "malandro", ao comentar sobre sua vida afetiva. Na sequência, compartilha comigo algumas histórias que, por razões óbvias, não serão publicadas aqui.
O bom humor acompanha a conversa e ajuda a revelar outra dimensão de sua personalidade: Diego não fala apenas sobre superação, mas também sobre a vida cotidiana, os relacionamentos e as experiências que fazem parte de sua existência.
UMA VIDA ATIVA, SEM ABRIR MÃO DOS SONHOS
Já no final da entrevista, dentro de seu carro, em uma fria tarde de primavera sulina, em contexto de El Nino, Diego contou outras experiências que ajudam a compreender o grau de independência que conquistou.
Ele revelou que chegou a ter uma loja em parceria com a mãe, ela se ocupava mais com ela e ele buscava as mercadorias. Contou que costumava viajar sozinho de ônibus para Porto Alegre. Ao chegar à rodoviária, solicitava um carro por aplicativo, seguia até o centro da capital e circulava pela cidade em busca das mercadorias de que precisava para abastecer o estabelecimento. Depois, retornava tranquilamente.
Diego, na pandemia, chegou a trabalhar com a bolsa de valores, comprando e vendendo ações, por mais de um ano. Até ganhou bom dinheiro, mas resolveu parar com este tipo de atividade econômica, pois ocupava muito seu tempo, às vezes, ficava todo dia envolvido com o negócio, repensou e chegou a conclusão que precisava usar este tempo para o convívio com a família e os amigos.
A descrição dessas viagens evidencia o quanto aprendeu a reorganizar sua vida, encontrar soluções práticas e superar barreiras que, em outras circunstâncias, poderiam parecer intransponíveis.
“Hoje sou totalmente independente”, afirma, com um sorriso que traduz satisfação e confiança.
A independência conquistada não significa que todas as dificuldades tenham desaparecido. Significa, contudo, que Diego aprendeu a reconhecer suas possibilidades, adaptar-se às circunstâncias e seguir em frente sem permitir que a deficiência se tornasse o centro de sua existência.
A FÉ, A FAMÍLIA E OS NOVOS PROJETOS
Diego também fala sobre sua fé em Deus. Católico, demonstra acreditar que a força necessária para enfrentar as adversidades encontra amparo em sua espiritualidade.
Diego, no entanto, fez questão que registrasse um detalhe:
"Minha família e meus amigos de verdade, foram muito importantes na minha recuperação e se hoje estou aqui bem e feliz, foi por ter pessoas incríveis ao meu lado, minha família e amigos que considero da família".
Emociona-se ao falar no apoio do pai, da mãe, dos irmãos e das sobrinhas que lhe dão muita alegria.
Sua história permite refletir sobre a resiliência humana e sobre a capacidade de reconstruir caminhos mesmo quando a vida apresenta situações inesperadas. A fé, a determinação e o apoio recebido ao longo da trajetória integram essa caminhada de transformação.
Mas Diego não parece disposto a encerrar sua história apenas com as conquistas pessoais. Há novos planos no horizonte.
Já no final da conversa, perguntei por que nunca havia ingressado na política, colocando sua disposição e sua experiência a serviço da comunidade.
Ele respondeu que já havia recebido convites, mas não os aceitara. Agora, entretanto, a possibilidade parece ter ganhado outro significado.
“já me convidaram, mas não aceitei, mas agora na próxima eu vou, sou pré-candidato a vereador”!
A declaração acrescenta um novo capítulo à trajetória de Diego Paiva. Depois de enfrentar uma transformação profunda em sua vida, reconstruir sua rotina e conquistar maior independência, ele demonstra disposição para assumir novos desafios.
A entrevista termina, assim, com a perspectiva de novos projetos. E talvez essa seja uma das características mais marcantes de Diego: a capacidade de olhar para o futuro sem permitir que as dificuldades do passado determinem, por completo, o que ainda está por vir.
quinta-feira, 22 de outubro de 2026
ESCOLA EDGARDO: mais de sete décadas de história, desafios e compromisso com a educação em Tavares
Fundada em 1953, a Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, de Tavares, construiu uma trajetória que se entrelaça com a própria história do município e com as transformações políticas, sociais e culturais do Brasil. "Nascida" nos chamados anos dourados, atravessou o período da ditadura militar e testemunhou o florescimento da democracia, acompanhando diferentes gerações em suas jornadas de aprendizagem e formação cidadã.
Ao longo de mais de sete décadas, a Escola Edgardo consolidou sua importância na comunidade, tornando-se referência na educação e na construção de oportunidades para os jovens. Hoje, como a única escola estadual de Ensino Médio de Tavares, mantém um papel relevante na formação das crianças e adolescentes, principalmente, reafirmando seu compromisso com o conhecimento, a cidadania e o futuro da sociedade tavarense.
Para conhecer e divulgar a realidade da instituição, o Espaço de Reflexão foi até a escola para conversar com o diretor, professor Dircinei Joel Machado da Costa, e com a supervisora, professora Débora Paiva de Assis Silveira. Durante a entrevista, foram abordados aspectos da gestão, as mudanças ocorridas ao longo dos anos, a estrutura física, os desafios enfrentados e os projetos desenvolvidos pela comunidade escolar.
EQUIPE DIRETIVA E DESAFIOS DA GESTÃO
Além do diretor Dircinei e da supervisora Débora, integram a equipe diretiva a professora Cristina Gslhardi Costa, vice-diretora do turno da manhã; a professora Aleteia Policarpo Silva, que atua na supervisão e na vice-direção do turno da tarde; e o professor Niltomar Rosca da Silva, supervisor e vice-diretor do turno da noite.
A acumulação de funções por alguns integrantes da equipe está relacionada, segundo as informações apresentadas durante a entrevista, à composição do quadro de profissionais da escola. Como a maioria dos professores é contratada, há limitações para a ocupação de determinados cargos de gestão, que exigem profissionais concursados.
Atualmente, a escola conta com 28 professores, dos quais apenas 09 são concursados. Essa realidade impõe dificuldades à organização da equipe diretiva e à distribuição das responsabilidades entre os turnos.
REDUÇÃO NO NÚMERO DE ALUNOS AO LONHO DOS ANOS
A Escola Edgardo já chegou a ultrapassar a marca de 800 alunos na década de 1990. Quando o diretor Dircinei assumiu a gestão, em 2013, a instituição contava com 660 estudantes. Atualmente, esse número é de aproximadamente 330 alunos.
Os dados revelam uma redução significativa no número de matrículas ao longo das últimas décadas, seguindo uma tendência nas últimas décadas, também, em outras escolas, visto que o índice de natalidade tem diminuído. E em Tavares o município passou a oferecer Ensino Fundamental completo em sua rede.
Ao recordar o período em que assumiu a direção, há 13 anos, Dircinei destacou as mudanças no perfil dos profissionais da educação.
“Quando assumi, a maioria dos professores era nomeada; hoje, a maioria é contratada”, afirmou.
Segundo o diretor, essa situação dificulta alguns aspectos da gestão, especialmente a ocupação de funções que dependem de profissionais concursados. Ele citou como exemplo a ausência de supervisão no turno da noite, em razão da falta de um servidor concursado disponível para exercer essa função.
A professora Débora observou que, atualmente, a maioria dos professores é de Tavares. Dircinei complementou a informação, destacando que cerca de 90% dos docentes são oriundos da própria Escola Edgardo, ou seja, estudaram na instituição e hoje são profissionais da educação.
Esse dado evidencia a relação construída entre a escola e a comunidade ao longo do tempo, com ex-alunos assumindo o papel de educadores das novas gerações.
TECNOLOGIA E MUDANÇA NA ROTINA ESCOLAR
Ao ser questionado sobre as principais mudanças percebidas durante seus 13 anos à frente da escola, Dircinei destacou os avanços tecnológicos e as transformações na rotina de trabalho.
Segundo ele, atualmente, grande parte das atividades é realizada por meio de plataformas digitais. Os professores contam com Chromebooks, as salas de aula dispõem de Smart TVs e a escola oferece computadores, impressora e folhas disponíveis para uso dos docentes. A instituição também possui acesso à internet para alunos, professores e equipe diretiva, além de câmeras de monitoramento.
Esses recursos modificaram a dinâmica do ambiente escolar, ampliando as possibilidades de trabalho pedagógico e de organização administrativa.
Entretanto, nem todas as melhorias desejadas foram implementadas. O diretor explicou que a escola ainda não dispõe de aparelhos de ar-condicionado, pois a rede elétrica não comporta a instalação desses equipamentos nas condições atuais.
REFORMA QUE BUSCA MELHORAR A ESTRUTURA FÍSICA DA ESCOLA
Durante a conversa, Dircinei e Débora afirmaram que a estrutura física é um dos pontos que vêm recebendo atenção. Segundo eles, essa realidade está passando por mudanças com a reforma em andamento nos dois prédios da instituição, que conta com um investimento de aproximadamente R$ 2,5 milhões.
O diretor demonstrou satisfação com o andamento dos trabalhos e destacou a qualidade dos materiais utilizados, além de avaliar positivamente o serviço executado pela empresa responsável pela obra.
Apesar das melhorias em curso, a escola enfrenta limitações de espaço. Atualmente, todas as salas estão ocupadas, o que impede a destinação de um ambiente específico para a biblioteca, por exemplo. Por isso, os alunos que desejam retirar livros para leitura precisam recorrer à sala da direção, onde estão os livros.
A falta de espaço também afeta a realização de atividades coletivas. Questionada sobre a existência de um ambiente amplo para reunir os estudantes, como um auditório, a professora Débora explicou que, no momento, a escola não dispõe de um local em condições de uso para essa finalidade. O espaço existente fica no prédio que está interditado para a reforma.
CURSO TÉCNICO EM AGRONEGÓCIO ESTÁ PREVISTO
Entre as novidades anunciadas pelo diretor está a implantação de um curso técnico em Agronegócio. A escola já foi contemplada com a oferta, mas o início das atividades depende da conclusão das obras e da disponibilidade da estrutura necessária.
“Assim que as reformas terminarem, o curso começa, talvez no segundo semestre de 2027”, afirmou Dircinei.
Segundo ele, a instituição já possui mobiliário e computadores destinados ao curso. A nova oferta representa uma possibilidade de ampliar as oportunidades de formação dos estudantes, especialmente em uma região na qual as atividades agropecuárias têm relevância econômica e social.
A escola também conta com um ginásio utilizado em parceria com o município e dispõe de uma sala de recursos equipada, onde são atendidos 17 alunos.
O TRABALHO DOS PROFISSIONAIS FAZ A DIFERENÇA
Ao falar sobre os aspectos positivos da instituição, os entrevistados destacaram o trabalho das secretárias Paola e Rafaela, ressaltando a dedicação e compromisso de ambas às atividades administrativas.
Dircinei enfatizou a importância dessas profissionais para o funcionamento da escola.
“Elas dão cerca de 70% de suporte à direção”, comentou o diretor, acrescentando que Rafaela também auxilia nas questões financeiras, uma vez que a escola não dispõe de um profissional específico para essa função.
O diretor ressalta, ainda, "a importância de todos os funcionários para o o bom andamento das atividades escolares, também as monitoras Andreia e Rosimar que fazem a recepção aos alunos com muita responsabilidade e acolhimento. Além de toda logística durante os turnos, especialmente na saída dos alunos para o transporte escolar".
Destaca que "nosso setor de limpeza que busca fazer o melhor, mesmo estando com necessidade de mais pessoal, demanda esta que já foi solicitada. Inclusive porque nosso pátio é bem grande, um ponto que vejo como muito positivo, onde os alunos tem espaço para explorar, conviver e praticar as atividades esportivas, porém necessita de constante manutenção e reparos".
Outro aspecto mencionado foi a realização de compras, feitas principalmente no comércio de Tavares, contribuindo para movimentar a economia local.
A escola oferece alimentação aos estudantes nos três turnos de funcionamento. Nesse contexto, o diretor também destacou o trabalho das cozinheiras, que, segundo ele, são dedicadas e responsáveis no preparo das refeições.
São atividades que nem sempre aparecem em evidência, mas que contribuem diretamente para o funcionamento da instituição e para o atendimento diário dos estudantes.
CONVIVÊNCIA ESCOLAR E ORGANIZAÇÃO FINANCEIRA
Ao abordar o ambiente escolar, Dircinei afirmou que a situação está tranquila atualmente, especialmente quando comparada a períodos anteriores, nos quais havia mais conflitos entre os alunos.
“A escola está tranquila atualmente. Mas já esteve difícil, com conflitos entre alunos. Felizmente, a situação mudou nos últimos cinco anos, aproximadamente. Era o contexto social que se refletia na escola”, comentou.
A fala do diretor chama a atenção para a relação entre a realidade vivida pelos estudantes fora dos muros escolares e as relações estabelecidas no ambiente de ensino.
Em relação à situação financeira, Dircinei afirmou que a escola dispõe de recursos para atender às suas necessidades. Segundo ele, tem sido possível administrar os valores de maneira razoável, desde que haja controle, planejamento e cuidado com os gastos.
PROJETOS, ATIVIDADES E EXPERIÊNCIAS EDUCATIVAS
Na parte final da entrevista, o diretor e a supervisora falaram sobre os projetos e as atividades desenvolvidos pela escola nos últimos tempos.
Entre as iniciativas mencionadas estão o projeto de Doação de Órgãos, o Setembro Amarelo, a Feira de Ciências, a Mostra de Trabalhos e a participação na Feira do Livro do município. A instituição também conta com a banda fanfarra simples, formada por alunos e ex-alunos, promove torneios e participa de atividades relacionadas ao Centro Cultural Nativista (CCN) Menotti Garibaldi.
O diretor também informou que está prevista uma visita ao Museu da PUCRS, em Porto Alegre, iniciativa que, segundo ele, será realizada depois de muito tempo.
Outra atividade programada envolve um grupo de alunos dos anos iniciais, que deverá visitar o Parque das Águas, em Viamão, mais para o final do ano.
Durante o mês dedicado às crianças, a escola organizou duas semanas de atividades diferenciadas, proporcionando momentos de integração e experiências que vão além da rotina habitual das aulas.
Uma mudança simples, mas significativa, também foi destacada durante a conversa: a tradicional sirene foi substituída por um toque musical. A medida foi adotada em respeito às pessoas com síndromes que apresentam elevada sensibilidade aos sons, demonstrando atenção às necessidades específicas dos integrantes da comunidade escolar.
UMA ESCOLA EM TRANSFORMAÇÃO
A conversa com o diretor Dircinei e a supervisora Débora permitiu conhecer um pouco mais da realidade atual da Escola Edgardo, uma instituição que atravessou diferentes períodos da história brasileira e continua presente na formação de gerações de tavarenses.
A entrevista evidenciou desafios relacionados à redução do número de alunos, à composição do quadro de profissionais, à limitação de espaços e à necessidade de adequações estruturais. Ao mesmo tempo, revelou iniciativas, projetos e esforços voltados à melhoria das condições de ensino e à ampliação das oportunidades oferecidas aos estudantes.
A impressão deixada pelo encontro foi a de uma equipe que busca trabalhar de forma integrada, valorizando as relações humanas e a cooperação no cotidiano escolar.
Com a reforma em andamento, a perspectiva de implantação do curso técnico em Agronegócio e a continuidade dos projetos pedagógicos, a Escola Edgardo vive um período de mudanças. Preservar sua história, enfrentar os desafios do presente e preparar os jovens para o futuro permanecem entre as tarefas de uma instituição cuja trajetória se confunde com parte importante da história de Tavares.
Não podemos esquecer "também o grupo de professores que fazem.a diferença no dia a dia da escola com esforço e dedicação, sempre buscando o melhor para os educados", conclui o diretor.
quarta-feira, 21 de outubro de 2026
JUCIMAR ANTUNES: mais um empreendedor de sucesso
A trajetória de Jucimar Vieira Antunes, entrevistado pelo *Espaço de Reflexão*, é marcada pelo esforço, pela determinação e pela coragem de buscar novas possibilidades. Desde cedo, aprendeu o valor do trabalho nas lavouras de cebola e arroz, atividades que fizeram parte de sua infância e adolescência e lhe ensinaram importantes lições sobre dedicação e perseverança.
Entretanto, ao perceber que aquele caminho talvez não lhe proporcionasse o futuro mais tranquilo que desejava, decidiu buscar novos horizontes. Trabalhou em uma granja e em um mercado até encontrar no empreendedorismo uma oportunidade de construir uma nova perspectiva de vida. Foi assim que surgiu a ideia de investir em uma lavagem de carros, iniciativa que, com coragem e disposição para enfrentar desafios, deu origem ao empreendimento que mantém até hoje. Uma escolha que, olhando para o caminho percorrido, ele afirma não ter sido motivo de arrependimento.
Natural de Tavares, Jucimar tem 40 anos e trabalhou na agricultura até aproximadamente os 25 anos, principalmente no cultivo da cebola e do arroz. Há 18 anos, iniciou seu próprio negócio, então denominado Lavacar, que hoje se chama JS Autopartes. O empreendimento ampliou suas atividades e, atualmente, oferece serviços de lavagem de automóveis, caminhões e outras máquinas, além de comercializar acessórios automotivos, lubrificantes, baterias, peças de lataria, entre outros produtos.
O CENÁRIO DAS VENDAS
Ao ser questionado sobre o movimento atual dos negócios, Jucimar relatou que já houve períodos melhores. Segundo ele, a lavagem de veículos tinha uma procura bem maior, assim como as vendas de lubrificantes. Na sua avaliação, a redução da atividade econômica nos setores de resinas e madeira pode ter contribuído para a diminuição da circulação de dinheiro no município.
Apesar desse cenário, o empreendedor procura ampliar seu mercado consumidor. Conforme relatou, também tem atendido clientes de Mostardas, o que ajuda a manter as vendas em um patamar razoável. A busca por novos mercados, portanto, representa uma alternativa importante para enfrentar as dificuldades e dar continuidade às atividades comerciais.
FAMÍLIA E TRABALHO
Além de Jucimar, a esposa Simone e os filhos João e Raul, também fazem parte de sua rotina familiar, enquanto o empreendimento conta com mais quatro funcionárias, que trabalham de segunda-feira a sábado, até o meio-dia. A participação da família e a colaboração da equipe integram o cotidiano da empresa, que mantém suas atividades com o objetivo de atender às necessidades dos clientes.
A JS Autopest funciona em prédio próprio, localizado na entrada de Tavares, a aproximadamente um quilômetro do pórtico, à esquerda de quem chega à cidade. A localização favorece o acesso dos clientes, enquanto a estrutura do imóvel oferece boas condições para o desenvolvimento das atividades.
A história de Jucimar revela a trajetória de alguém que, depois de dedicar boa parte da juventude ao trabalho na agricultura, decidiu apostar em um caminho diferente. Com iniciativa e disposição para empreender, construiu uma alternativa profissional e segue trabalhando para manter e desenvolver seu negócio, ao lado da família e de sua equipe.
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
PROFESSORA ELIZIANE ANTUNES: sempre procurando fazer a diferença na vida de seus alunos
A trajetória da professora Eliziane da Silva Antunes é marcada não apenas pelo conhecimento adquirido, mas também pelo compromisso com a educação, pela sensibilidade diante das dificuldades de aprendizagem e pela vontade permanente de fazer a diferença na vida de seus alunos. Estudiosa e dedicada à busca por novos saberes, ela procura fundamentar sua prática pedagógica, aprimorando métodos e ampliando horizontes para tornar o processo de ensino e aprendizagem mais significativo, sobretudo para as crianças que enfrentam maiores desafios.
Disposta a aceitar novos desafios, mesmo diante de uma extensa carga horária de trabalho, Eliziane decidiu ir além e ingressar no mestrado, compreendendo que a formação continuada é um caminho essencial para o crescimento profissional. Sua história revela a dedicação de quem acredita que educar é muito mais do que ensinar: é acolher, compreender potencialidades e contribuir para que cada criança encontre oportunidades de aprender, desenvolver-se e construir seu próprio caminho.
DAS DIFICULDADES NA INFÂNCIA À REALIZAÇÃO PROFISSIONAL
Pedagoga, 49 anos, natural de Tavares, Eliziane foi criada na localidade de Tapera, onde iniciou seus estudos na escola da comunidade, permanecendo até a quinta série. Posteriormente, transferiu-se para a Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, na cidade, para dar continuidade à sua formação.
Ao recordar o início da década de 1990, ela destaca as dificuldades enfrentadas para frequentar as aulas. Naquela época, não havia transporte escolar e, entre março e maio, percorria aproximadamente 10 quilômetros a cavalo para chegar à escola. Uma realidade que exigia disposição, esforço e perseverança.
A situação começou a melhorar quando o vereador Ênio Chaves conseguiu uma caminhonete para transportar os estudantes. Com isso, a rotina de Eliziane tornou-se consideravelmente mais fácil, dando também um merecido descanso ao cavalo que, até então, era seu companheiro diário nessa jornada.
Concluído o Ensino Fundamental, Eliziane foi estudar em Porto Alegre, onde cursou o Ensino Médio. Ao retornar a Tavares, começou a trabalhar como professora contratada, mesmo sem possuir, naquele momento, a formação específica, algo permitido pelas condições da época. Atuou nas escolas das localidades de Tapera, Capororocas e Capão Comprido. Mais tarde, trabalhou durante cinco anos como atendente de creche, experiência que também contribuiu para sua aproximação com o universo da infância e da educação.
A FORMAÇÃO COMO CAMINHO PARA QUALIFICAR A PRÁTICA PEDAGÓGICA
Determinada a ampliar seus conhecimentos e aprimorar sua atuação profissional, Eliziane cursou Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), em 2008, em Tavares. Na sequência, realizou pós-graduação em Psicopedagogia e especialização em Alfabetização.
Após prestar concurso público, foi aprovada e assumiu o cargo de professora da rede municipal de ensino de Tavares. Atualmente, além da docência, atua como formadora do programa Alfabetização Tchê, contribuindo para a qualificação das práticas pedagógicas e para o fortalecimento do processo de alfabetização.
Entre 2022 e 2024, também participou do Projeto de Recomposição da Aprendizagem, iniciativa voltada à recuperação das aprendizagens dos estudantes. Essa experiência teve importância especial em sua trajetória profissional e despertou reflexões que, posteriormente, se transformariam em objeto de estudo acadêmico.
O DESAFIO DO MESTRADO E A PESQUISA SOBRE A EDUCAÇÃO NO PÓS-PANDEMIA
A busca permanente pelo conhecimento levou Eliziane a dar mais um passo em sua formação: ingressar no mestrado em Educação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Ao ser questionada sobre como surgiu o interesse pelo curso, ela relatou que a oportunidade começou a se desenhar durante a especialização em Alfabetização, quando precisou elaborar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Na ocasião, analisou e teorizou sua própria prática profissional no Projeto de Recomposição da Aprendizagem.
O trabalho chamou a atenção de uma professora da FURG, que a incentivou a apresentá-lo ao programa de mestrado. Eliziane aceitou o desafio e decidiu participar do processo seletivo, que contava com 50 candidatos para apenas 12 vagas. O resultado foi positivo: ela foi selecionada e iniciou uma nova etapa de sua caminhada acadêmica.
Sua pesquisa tem como tema a recomposição das aprendizagens no período pós-pandemia, questão de grande relevância para a educação contemporânea. As desigualdades educacionais, os desafios enfrentados pelos estudantes e a necessidade de assegurar condições efetivas de aprendizagem estão entre as preocupações que orientam seu trabalho.
Sobre essa nova etapa, Eliziane explica:
“Em agosto de 2026, fui aprovada no processo seletivo para o curso de Mestrado em Educação pela FURG. Assim, vou continuar realizando minha pesquisa sobre as desigualdades educacionais no pós-pandemia e a importância de garantir o direito à aprendizagem a todos os estudantes.”
UMA TRAJETÓRIA QUE UNE EXPERIÊNCIA, ESTUDO E COMPROMISSO COM OS ALUNOS
A história de Eliziane da Silva Antunes mostra como as experiências pessoais e profissionais podem se transformar em motivação para buscar novos conhecimentos. Da infância na Tapera, marcada pelos desafios do deslocamento até a escola, à atuação como professora e formadora, sua caminhada revela persistência, dedicação e compromisso com a educação.
Ao ingressar no mestrado, ela não apenas amplia sua formação acadêmica, mas também aprofunda questões que fazem parte de sua realidade cotidiana em sala de aula. Sua pesquisa dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelos educadores, especialmente no que diz respeito à superação das desigualdades e à garantia do direito de aprender.
Em uma área na qual as necessidades dos estudantes exigem atenção, sensibilidade e constante atualização, Eliziane segue investindo em sua formação, acreditando que o conhecimento pode contribuir para transformar práticas pedagógicas e ampliar oportunidades.
Sua trajetória reafirma a importância de professores que não se acomodam diante das dificuldades, que buscam compreender a realidade de seus alunos e que fazem do estudo uma ferramenta para qualificar o próprio trabalho. Afinal, investir na formação docente é também investir em uma educação mais inclusiva, capaz de reconhecer as diferenças e oferecer a cada estudante melhores condições para aprender e se desenvolver.
























































