domingo, 1 de novembro de 2026

CAMPEONATO MUNICIPAL DE FUTEBOL DE CAMPO MOVIMENTA TAVARES, MAS REQUER ATENÇÃO A ALGUNS ASPECTOS

 



O Campeonato Municipal de Futebol de Campo de Tavares tem se mostrado bastante interessante. A cada rodada, é possível perceber a evolução técnica das equipes e o crescimento da competitividade dentro de campo. O público também tem prestigiado os jogos, demonstrando que o futebol continua ocupando um lugar importante na cultura esportiva e nas opções de lazer da população.


No entanto, alguns aspectos merecem atenção. Seria interessante que o setor responsável pelo esporte realizasse uma avaliação e dialogasse com a equipe de arbitragem e dirigentes dos times, buscando estabelecer algumas orientações para melhorar o andamento das partidas e preservar o respeito entre todos os envolvidos.


Entre os pontos que merecem ser observados, destacam-se:


1. Evitar gritaria dos jogadores com o juiz ou bandeirinhas.

2. Orientar os bandeirinhas a não entrarem em discussões ou conversas com torcedores durante as partidas.

3. Evitar que jogadores que estão no banco de reservas fiquem gritando ou pressionando a equipe de arbitragem.


São observações que não diminuem o mérito da competição, mas que podem contribuir para um ambiente mais organizado, respeitoso e esportivo. Afinal, o campeonato vai indo para fase final e os ânimos vão se acirrando, então o respeito às regras e aos profissionais envolvidos deve fazer parte do espetáculo.


sábado, 31 de outubro de 2026

AOS 63 ANOS PEDREIRO SE FORMOU EM DIREITO...

 


No Espírito Santo, um pedreiro se formou em Direito aos 63 anos depois de percorrer cerca de 42 quilômetros de bicicleta por dia para estudar. Joaquim Corsino dos Santos morava em Cariacica e pedalava até a faculdade, em Vitória, fazendo aproximadamente 21 quilômetros na ida e outros 21 na volta.


Para pagar os estudos, ele guardou parte do dinheiro que recebia trabalhando na construção civil. Começou a graduação em 2008, mas precisou interromper o curso por dificuldades financeiras. Em 2012, conseguiu voltar às aulas.


Com o diploma em mãos, Joaquim ainda tinha outros planos. Na época, queria passar no exame da Ordem dos Advogados do Brasil e seguir estudando para tentar uma carreira como delegado de polícia.



Estas são algumas fontes jornalísticas:


1\. G1 / TV Gazeta (2015) – Reportagem original com informações de Maíra Mendonça. [Assistir à reportagem no Globoplay](https://globoplay.globo.com/v/4477180/?utm_source=chatgpt.com).


2\. Catraca Livre (18/09/2015) – Pedreiro que pedalava 42 km para estudar se forma em Direito. [Ler a reportagem](https://catracalivre.com.br/educacao/pedreiro-que-pedalava-42-km-para-estudar-se-forma-em-direito/?utm_source=chatgpt.com). Catraca Livre






sexta-feira, 30 de outubro de 2026

DR. GUILHERME: da formação inicial na área da saúde ao Direito, uma trajetória marcada por desafios e dedicação

 

A trajetória profissional de algumas pessoas é marcada pela capacidade de explorar novos caminhos, ampliar horizontes e transformar conhecimentos em novas possibilidades. O personagem desta entrevista iniciou sua vida profissional na área da saúde, mas encontrou no Direito o campo para desenvolver outra vocação. Ao longo dessa caminhada, construiu uma carreira pautada pelo raciocínio preciso, pela racionalidade aguda e pela capacidade de analisar situações sob diferentes perspectivas.


Advogado de comunicação fluente, Guilherme demonstra segurança na argumentação sem abrir mão da educação, da cordialidade e da atenção no trato com as pessoas. Uma combinação de inteligência, clareza de pensamento e sensibilidade humana que revela muito mais do que competência profissional: mostra também a maneira como escolhe se relacionar com o mundo.


Guilherme Oliveira Costa, mais conhecido como Dr. Guilherme, tem 42 anos, filho de Evilasio e Maria Terezinha , pai do Guilherme Filho e num relacionamento com Andressa Gondran .


Nasceu e foi criado em Mostardas. Cursou o Ensino Fundamental, na Escola Marcelo Gama, e o Ensino Médio, na Escola Padre Simão Moser, onde foi  líder estudantil de sua turma no 3º ano e orador da mesma na formatura .  


Concluída essa etapa, aos 17 para 18 anos , enfrentou o desafio que sempre permeia um guri do interior e filho único , de mudar -se para Porto Alegre, enfrentando a vida da cidade grande como diziam, onde logo em seguida ingressou no curso de Tecnologia em Radiologia, na Fundação Universitária de Cardiologia, influenciado por sua mãe que por muito tempo trabalhou na enfermagem junto ao Hospital São Luís de Mostardas e imaginava o filho numa carreira na área da saúde , Medicina quem sabe. 


Recorda que isso só foi possível graças ao apoio incondicional dos seus pais , que com muito sacrifício bancaram sua moradia lá e despesas de praxe de um adolescente , pois ainda jovem naquele momento não tinha renda para sustentar-se.


Para ingressar nesta área e aprimorar o estudo de anatomia do corpo humano  , durante  dois anos, fez estágio no Departamento Médico-Legal (DML), onde assessorava os médicos legistas nos procedimentos de necropsia com exames de Raio - X, tornando-se o primeiro estagiário de Radiologia  Legal do Estado do RS naquele momento, eis que a vaga recém havia sido criada no âmbito do Necrotério da capital nos idos de 2003.


Foi nesse período que ao mesmo tempo começou a ter contato com o universo jurídico, ao conviver com profissionais do Direito que procuravam o órgão em busca do resultados dos laudos para ações bem como o convívio com autoridades policiais e judiciais encaminhando referidos documentos para inquéritos e processos. 


Recorda com nostalgia que foi um período de aprendizado e experiência fantásticos e sobretudo de valorizar a vida humana , eis que passava boa parte do dia estudando a morte de forma científica/ técnica .



Assim que formou-se trabalhou em Radiologia Convencional por um período em

dois empregos simultaneamente, dividindo -se  entre o Hospital Ernesto Dornelles e no Instituto de Cardiologia  , totalizando 1 ano de atuação nesta atividade . 


Ao recordar essa fase de inúmeros plantões e finais de semana na rotina hospitalar , contou um episódio que o fez refletir sobre os rumos de sua vida profissional.


“Era o meu primeiro Dia das Mães como profissional formado fui escalado num plantão no domingo . Como era o mais novo da equipe , era o que a escala sempre menos beneficiava. E lá no hospital, olhando pela janela e ver as famílias passeando refletiu que hoje os filhos brindando com as mães  e eu  não pude ir confraternizar com a minha família por força do compromisso profissional ”.


A experiência o fez perceber que o trabalho na área da saúde nem sempre permite desfrutar dos fins de semana e feriados com a família, tornando -se uma missão para quem exerce abdicando muitas vezes de momentos importantes pessoais . Tenho profunda admiração pelos profissionais da saúde de todas as áreas por toda essa dedicação e para exercer essa nobre função de cuidar das pessoas. 


Talvez essa constatação tenha contribuído, meses depois de formado na área , para a decisão de mudar e avançar nos estudos , mas não mais naquela área talvez e surgiu então o Direito no seu horizonte .


A DESCOBERTA DE UMA NOVA VOCAÇÃO 


O flerte com a formação jurídica iniciara já durante o estágio no Departamento Médico Legal, onde a época o diretor da instituição que era seu chefe, Médico Legista Dr . Marcos Rovinski o “ provocou” dizendo que levava jeito para ser advogado, que achava uma carreira belíssima , além do leque de oportunidades que o mundo jurídico abriria.


Em paralelo , seu padrinho , Dr Salim Sessim Paulo ( que também era legista ) com quem convivia muito naquela época e foi uma espécie de  “ guardião “ na vida de um jovem em Porto Alegre ,  também se somava  no incentivo de fazer a faculdade de Direito .


Contudo , a decisão de ingressar no Direito representou uma mudança importante em sua trajetória. Surgia um novo desafio de custear a faculdade e ao mesmo tempo comseguir-se manter . Foi aí que seus Pais novamente entraram em cena, e mesmo diante de muito sacrifício econômico para a família, abraçaram a causa do jovem que queria avançar .


Guilherme conta que prestou vestibular para o curso na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), embora soubesse que precisaria contar com o apoio financeiro dos pais para custear os estudos, eis que sua renda era singela e daria apenas para moradia e alimentação .


“Fiz vestibular para direito na PUCRS, que desde aquela  época sempre foi referência entre as universidades privadas do País e claro era um curso caro por toda a infraestrutura acadêmica que ofertava . 


Felizmente logrou êxito de ser aprovado no primeiro vestibular e então deu a notícia aos pais , que mais uma vez acolheram o desafio e o sacrifício que seria imposto a família pros

Próximos 5 anos que a faculdade exigia: “ tenho gratidão impagável aos meus pais pelo que me propiciaram, pois sei que para eles representou um período de inúmeras renúncias a outras coisas que necessitavam e desejavam , para poder custear meu estudo “.  


Em paralelo deixou a Radiologia e passou a estagiar no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, numa Vara de Direito tributário. 


Tal escolha lhe representou uma redução de 50% dos seus ganhos , eis sairia da radiologia para ganhar a metade do que ganhava numa bolsa estágio. 


Mesmo recebendo menos do que ganhava anteriormente, encarou o desafio de trabalhar em um ambiente de grande complexidade, convivendo com um volume de aproximadamente 120 mil processos que lhe trouxe experiência mesmo jovem e conexões com diversos servidores , advogados , juízes , desembargadores.


Durante a graduação, surgiu também uma oportunidade de atuação em paralelo no agronegócio. Por três anos, trabalhou com a venda de cebolas para redes de supermercados, atividade que lhe proporcionou uma renda extra e ajudou a conciliar os compromissos financeiros com os estudos.


Forma engraçada que usava o intervalo do estágio para usar o celular para efetuar ligações aos clientes de Ceasas, compradores de hortifruti de grandes redes de supermercados para vender cargas de cebola . Isso foi entre 2006 e 2008. Não tinha  WhatsApp ainda . Contudo eles não sabiam que eu era ao mesmo tempo um estagiário de Direito e por vezes me ligavam em horário inoportuno da atividade no fórum. Como não podia perder negócio por não atender a ligação, conciliava as atividades por uns instantes para conseguir atender ao telefone de forma discreta . 


Numa das oportunidades a sua chefia que era a juíza da Vara  achou graça da situação dizendo que era o primeiro estagiário que ela flagrava sendo  um“ negociante “ ao telefone e admirou- se ao ouvir o teor da conversa , sobre como conseguia ter habilidade de falar e negociar sobre cebolas com alguém distante por telefone e ao mesmo  tempo estar numa mesa. Do fórum e examinar documentos. Ficamos amigos desde então".

Finalmente, no fim de 2011, Guilherme concluiu o curso de Direito. Ao recordar esse momento, demonstra orgulho por uma conquista que veio acompanhada de outra realização importante: a aprovação no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), logo na primeira tentativa. Prestou a prova na área de Direito tributário que naquele exame aprovou apenas 8 % no País . Ou seja , 92% dos postulantes da OAB em Direito tributário não lograram aprovação .


“Na primeira tentativa na prova da OAB tive a graça de obter sucesso e coincidentemente no dia do meu aniversário, 28/09 foi emitida  a minha credencial da OAB”. Guardo a mesma comigo até hoje, mesmo surrada pelo tempo, como lembrança desta jornada e do melhor presente de aniversário que poderia receber naquele momento.


Com o diploma e a credencial profissional, o guri de Mostardas iniciou uma nova etapa. Foi trabalhar em um escritório de advocacia em Porto Alegre, onde atuou na área do Direito Civil  por dois anos.


“Depois desta experiência coloquei um escritório próprio em Porto Alegre, que empreendo até hoje com um colega na seara de Dir Tributário ”, conta o agora Dr. Guilherme.




DE PORTO ALEGRE A TAVARES: UM NOVO DESAFIO PROFISSIONAL 


Mas como um advogado que havia construído sua vida profissional na capital gaúcha acabou vindo trabalhar em Tavares?


A resposta está em um encontro casual e nas relações que se estabelecem ao longo da vida. 


Guilherme contou que, certa vez, durante um almoço em Porto Alegre, conversou com Gardel Araújo e respondeu informalmente a uma pergunta feita por ele sobre um tema do Direito Tributário .


Mais tarde, cerca de um ano, depois , quando Gardel foi eleito prefeito de Tavares, convidou Guilherme para assumir a Procuradoria Jurídica do município.


Segundo Dr. Guilherme, a intenção inicial era exercer a função e continuar morando em Porto Alegre, como faziam os profissionais que anteriormente haviam ocupado o cargo. Entretanto, o volume de trabalho era tão grande que ele precisou permanecer em Tavares durante a semana. Começou a frequentar Tavares de forma mais assídua a partir de meados  de outubro de 2016 quando iniciou - se a montagem da equipe de governo e transição com a administração que antecedera o primeiro mandato de Gardel .


À frente da Procuradoria Jurídica, deparou-se com uma demanda expressiva de processos judiciais. 


O desafio exigiu que colocasse em prática os aprendizados adquiridos na graduação e, ao mesmo tempo, buscasse novos conhecimentos para enfrentar as dificuldades e encontrar soluções para as questões jurídicas do município.


Recorda que ao assumir a PGM, se deparou com inúmeros desafios.


Lembra de uma passagem relevante que ao iniciar no primeiro dia de trabalho oficialmente como procurador , no prédio da prefeitura , perguntou  ao Gardel onde era a sala dos advogados e ele, com um sorriso de canto, respondeu : não tens sala , por incrível que pareça , irás ter que se virar pelo gabinete comigo , até resolvermos isso . 


O meu colega ba época já era advogado do município concursado por quem guardo um grande carinho e admiração pelo profissional de extrema qualidade que é ( Dr Felipe Walker), trabalhava de forma improvisada com apenas uma cadeira e o notebook no colo.


Diante da resposta de Gardel , recorda que fez uma segunda pergunta: “Mas Gardel, um advogado para atuar com mínima infraestrutura viável para examinar processos e produzir peças, precisa de uma mesa , seu computador e uma impressora . O computador tenho o meu, trago de casa, mas os demais vamos ter que dar um jeito", sorri.


Gardel , sorriu mais uma vez .


Na semana seguinte , como a prefeitura enfrentava dificuldades econômicas para melhorar a infraestrutura tecnológica naquele momento e em razão da dificuldade de  digitalizar documentos necessários , comprou uma impressora multifuncional com recursos proprios para impressão e digitalização rápida de documentos para usar na prefeitura para contribuir para melhorar o trabalho na procuradoria . “Após uns 2 anos usando essa minha, as coisas forma se organizando com

muita luta e conseguimos equipar melhor o ambiente de trabalho .”


Durante a entrevista, perguntei se aquela experiência havia funcionado como uma espécie de pós-graduação prática. Ele sorriu e confirmou:


“Com certeza, foi um desafio  diante situações complexas e difíceis de solução, mas hoje tenho essa memória como algo positivo, porque conseguimos, com esforço de toda equipe de trabalho e com a parceria, acolhida  e paciência de todos os servidores com o advogado que viera de fora  alcançar resultados  que colocaram o município livre de embargos jurídicos e vitorioso nas boas causas que peleamos “.


Os resultados alcançados, segundo seu relato, foram fruto de muito trabalho, estudo e dedicação de diversas pessoas . A responsabilidade de conduzir questões jurídicas importantes para a administração municipal exigiu uma rotina intensa, que ultrapassava os horários convencionais de expediente.


“O Prefeito Gardel e eu juntamente com outros integrantes da administração , no primeiro ano, de segunda a sexta feira , começávamos a trabalhar as 6h e encerrávamos a jornada por volta da meia-noite quando não mais tarde às vezes. Em muitos momentos , eles iam embora e eu ficava até um pouco mais tarde cumprindo prazos e estudando defesas/recursos em processos, aproveitando a calmaria fora do horário de expediente para concentrar nos temas e documentos .


Guilherme recorda, ainda, uma situação que ilustra a intensidade daquele período. Certo dia, após o falecimento de uma pessoa da comunidade, ele e o prefeito saíram da prefeitura e foram diretamente ao velório prestar solidariedade a família. 


Já eram duas horas da madrugada, e nenhum dos dois havia conseguido dormir ainda naquele dia , praticamente virando de um dia para o outro em nova jornada.


QUANDO O TRABALHO EXIGE SACRIFÍCIOS DA VIDA FAMILIAR 


A dedicação à função pública também teve consequências na rotina familiar. Nos primeiros anos da gestão de Gardel Araújo, Guilherme precisou reorganizar a vida pessoal para atender às exigências do cargo.


Antes de assumir a Procuradoria, acompanhava de perto e diariamente a rotina escolar do filho pequeno ( Guilherme Filho- hoje com 13 anos ), levando-o e buscando-o na escolinha e participando cotidianamente das reuniões e atividades. 


Com o desafio de assumir a procuradoria em Tavares e o aumento das responsabilidades profissionais, essa presença cotidiana foi diminuindo, pelo fato de deslocar-se de Cachoeirinha onde morava e passar boa parte da semana aqui. 


Um episódio vivido pelo filho , a época com quase 4  anos na escolinha , ficou marcado em sua memória. 


Durante uma atividade escolar, as crianças deveriam desenhar suas famílias. O menino realizou a tarefa mas, ao representar os familiares, esqueceu de incluir a figura do pai. 


A escola entrou em contato com Guilherme para entender o ocorrido. O episódio, embora simples à primeira vista, revela como a dedicação intensa ao trabalho pode repercutir na vida familiar, especialmente quando envolve a ausência em momentos importantes do cotidiano dos filhos.


Emotivo, rememora que a professora /educadora lhe contatou para trazer o fato e investigar a possível causa e que haviam notado seu afastamento da cotidiano escolar e daí   "expliquei para ela que havia mudado a minha rotina profissional devido ao desafio em Tavares , distante 240 km. Daí ela identificou que aquela ausência semanal era então a causa desse episódio" , pois ele associou que era a rotina da escola ilustrada no desenho pela ausência do pai que até então diariamente era quem levava e buscava o filho.




A história também ajuda a compreender o grau de comprometimento de Dr. Guilherme com as responsabilidades assumidas como Procurador. 


Sua atuação à frente da Procuradoria Jurídica exigiu sacrifícios pessoais e uma entrega que buscava honrar tanto o cargo quanto a confiança depositada nele pelo prefeito Gardel e toda sua equipe .


Em 2018, Guilherme abriu um escritório de advocacia em Tavares, que mantém até hoje. A iniciativa consolidou sua presença profissional no município e ampliou sua proximidade com a comunidade tavarense.


O FUTURO POLÍTICO DE DR. GUILHERME 


Para encerrar a entrevista, fiz uma pergunta que, segundo os comentários que circulam pela cidade , desperta a curiosidade de parte da comunidade: seria verdade que ele é pré-candidato a prefeito de Tavares nas eleições de 2028?


Dr. Guilherme demonstrou satisfação e honrado por ter seu nome lembrado para um desafio que é tão importante e que exige capacidade para dar uma contribuição positiva para o desenvolvimento da cidade como um todo , tornando um lugar cada vez melhor para se viver 

Mas ponderou que o município, em especial o grupo político que participa atualmente, conta com diversas pessoas que reúnem condições e expertize política de disputar o comando do Executivo tavarense.


Frisou que seu foco hoje está na atuação profissional e no estudo contínuo como advogado e na família . 


Na sua visão , existem diversas formas do cidadão dar sua contribuição para a cidade, que não passam necessariamente por um cargo eletivo.


Claro que o cargo eletivo ocupa uma posição mais robusta para se fazer isso , mas entendo que todo cidadão pode dar sua contribuição e fazer sua parte de grande importância e valia para a cidade , seja como um servidor / funcionário dedicado , empreendedor , agricultores e agricultoras , autônomos , em fim , todo munícipe é uma peça importante nessa engrenagem . Ao prefeito toca a missão de fazer a sintonia fina deste imenso mosaico de demandas e personagens que fazem o município acontecer. 


Na sua opinião quem ocupa um dos maiores  protagonismos na sociedade com uma verdadeira missão para o futuro de qualquer cidade , são os educadores e educadoras, que com coragem , dedicação e resiliência , formam os cidadãos desde a base para serem atores principais do cotidiano da cidade ali adiante . 


Revela que a política é uma ciência dinâmica . É a arte de reger a vida em sociedade .



Não houve uma manifestação explícita sobre uma eventual candidatura no futuro.


Trouxe a ele a lembrança que sao quase 10 anos de atuação e convivência em Tavares, período em que teve a oportunidade de conhecer melhor a realidade local, suas necessidades e seus desafios.


Ele recordou que esse período é de imensa gratidão a Tavares pelos amigos que fez aqui e por construir parte de sua trajetória pessoal e profissional com a estima de diversos tavarenses.


Inclusive , mostrou com entusiasmo e gratidão o título de cidadão Tavarense que recebeu do Legislativo Municipal em maio/2025 das mãos da amiga Vereadora Raquel Terra( autora da indicação) , a quem agradeceu a generosidade junto com os demais pares que aprovaram.


Em outra passagem recordou também da criação que liderou do evento Sunset junto à lagoa dos patos e também na praia do farol, que já se tornou oficial no calendário do município e cuja pedra fundamental foi criada por

Ele em parceira com mais 3 amigos  que o ajudaram a custear as despesas da banda que se apresentou na época, sendo as primeiras edições um sucesso e iniciadas com recursos totalmente privados e depois com a participação da prefeitura que assumiu o evento e ampliação do mesmo .


Começamos a primeira edição em dezembro /2017 . Eu fui numa atividade do Sesc sobre a prática de atividades físicas na orla da lagoa e fiquei fascinado com o pôr do sol lá . 

 

Daí estávamos numa roda de conversa , o Rômulo Martins  e o Réus Chaves da RZ Surdinas e provoquei eles com a ideia de fazer um evento ao pôr do sol com música ao vivo adentrando a noite , para as famílias e eles toparam patrocinar junto comigo . Chamei mais um amigo daí na época , o Boanerge Gomes que tem relações comerciais com Tavares e fizemos a primeira edição . Além de clientes se tornaram todos meus amigos .


Depois desta primeira , decolou o evento e uma série de outros grandes parceiros empreendedores da cidade somaram esforços e patrocínio na realização. Sou muito grato a todos eles que acreditaram na ideia e deram um voto de confiança a minha pessoa , sendo que recém havia chegado na cidade . 


Também agradeço a toda equipe da prefeitura ( prefeito / secretarios e servidores ) que apoiaram o evento ajudando na infraestrutura desde o início. 


Agradeço ao nosso Pai Maior  por ter dado luz e discernimento no caminho percorrido e nessa história construída . Sou grato a minha família por todo apoio, paciência e compreensão .


E uma gratidão especial e que me faltam palavras , ao prefeito Gardel Araújo e sua família , que me acolheram nos primeiros anos em Tavares , abrindo a porta da sua casa inclusive . Também ao prefeito Gilmar Pretinho e a todos os secretários municipais que passaram pelo município desde 2017 bem como todos servidores públicos que tive a honra de conviver e que muito me ensinaram , aos quais devo muito e essa é uma dívida impagável , alguns já gozando da aposentadoria inclusive , como o amigo Paulo Paiva ( Paulinho Tomate) que muitas madrugadas me ombreou junto com o prefeito Gardel em viagens que saíamos de madrugada  para Porto Alegre e demais cidades  para audiências e verdadeiras “ batalhas processuais “ pelos interesses do município e o Paulinho sempre nos levando e trazendo em segurança. Dezenas de noites chuvosas e frias de inverno , Saíamos de Tavares por volta das 04h30 e retornavamos tarde da noite na maior parte das vezes . As agendas na capital por exemplo iniciavam às 08 h e terminavam perto das 19 h , quando não avançávamos noite adentro em reuniões. 


Ao concluir a entrevista , deixou uma reflexão sobre a relação entre a vida pública, a responsabilidade e a contribuição de cada cidadão para a comunidade:


“O que desejo é o melhor para a comunidade naquilo que é responsabilidade do poder público, mas para dar a contribuição não precisa necessariamente ser ocupante de cargo político.  Todo o cidadão/cidadão na sua esfera  privada como munícipe pode assumir também o protagonismo. 


Meu pai desde cedo me ensinou que o crédito e a honestidade fazem o homem e penso que independente  da posição que se ocupa na sociedade, da profissão ou atividade que se exerce,  devemos sempre contribuir da melhor forma e com a máxima dedicação e esmero possível em prol de edificarmos uma cidade e um mundo melhor para se viver e deixarmos como legado aos que nos sucedem na jornada da vida “


A trajetória de Dr. Guilherme mostra que os caminhos profissionais nem sempre seguem uma linha reta. 


Da área da saúde ao Direito, da capital gaúcha à atuação jurídica em Tavares, sua história é marcada por mudanças, aprendizados e desafios que exigiram dedicação e capacidade de adaptação.


Quanto ao futuro político, somente o tempo e o destino  dirão se seu nome estará entre os que disputarão a Prefeitura em algum momento. 


“ As pessoas é que fazem acontecer . Não é o político isoladamente . Não à toa a nossa constituição inicia no seu artigo 1º com a célebre frase que O poder emana do povo " !


Por enquanto, permanece a trajetória de um profissional que encontrou no Direito uma nova vocação e que, ao longo dos últimos anos, passou a integrar o cotidiano da comunidade tavarense.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

ISLEZIEL SANTOS: uma trajetória de trabalho, fé e superação

 


Estamos acostumados a olhar para as pessoas a partir daquilo que fazem profissionalmente. Ao conhecer alguém, uma das perguntas mais comuns é: “Com o que você trabalha?”. De fato, o trabalho ocupa um lugar importante na construção da identidade humana, como reconhece a Sociologia. No entanto, cada pessoa carrega consigo uma história muito mais complexa do que o simples exercício de uma profissão. Por trás de cada trabalhador, existe uma trajetória singular, marcada por lutas, resiliência, empatia, medos, sofrimentos, angústias, inseguranças, fé e superação. São experiências que nem sempre aparecem no cotidiano, mas que ajudam a compreender quem realmente somos. Afinal, conhecer uma pessoa vai muito além de saber o que ela faz: significa também descobrir as histórias que viveu, os desafios que enfrentou e a força que encontrou para seguir em frente.


Assim é a história de Isleziel Silva dos Santos, mais conhecido como Alemão, filho de Efrain. Tavarense, 33 anos, estudou na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, onde não chegou a concluir o Ensino Médio. É casado com Laraíne e pai de Ítalo.


UMA VIDA DEDICADA AO TRABALHO 


Alemão tem uma longa relação com o trabalho. Ao iniciar a conversa sobre sua trajetória de vida, contou que, aos 12 anos, já trabalhava carregando sacos de cebola para os caminhões durante a safra de verão. Depois desse período, começou a trabalhar como servente de pedreiro, atividade que exerceu por cerca de quatro anos.


Certo dia, conversou com o chefe e disse que queria aprender o ofício de construtor, pois não desejava permanecer apenas como servente. O patrão aceitou a proposta e se dispôs a ensiná-lo. Aos 16 anos, Alemão já trabalhava como construtor, ainda empregado, condição que manteve até aproximadamente os 18 anos.


Posteriormente, trabalhou por menos de um ano em uma empresa de asfalto. Ao sair, comprou ferramentas e decidiu trabalhar por conta própria, dando início à sua caminhada como construtor autônomo. Aos 20 anos, deixou de trabalhar sozinho e passou a contratar outras pessoas, assumindo também a responsabilidade de chefiar equipes de trabalhadores nas obras. Exerceu essa atividade até os 29 anos.


A MUDANÇA DE PROFISSÃO 


Alemão não tem medo de mudar os planos. Cansado da rotina das construções, decidiu buscar novos caminhos profissionais. Ainda enquanto trabalhava nas obras, fez um curso on-line de autoelétrica e colocou na cabeça que aprenderia o ofício para, futuramente, montar sua própria oficina.


Para complementar o aprendizado, passou um ano trabalhando em uma autoelétrica em Mostardas, dois dias por semana, sem receber remuneração. Era uma forma de transformar a teoria em prática e adquirir experiência para iniciar o próprio negócio.


Certo dia, foi chamado para fazer um orçamento de construção de uma casa. Ao chegar ao local, sugeriu à proprietária que, em vez da casa, construísse um galpão, pois seria mais fácil alugá-lo. Inclusive, ele próprio tinha interesse em alugar o espaço para instalar sua oficina.


“A dona falou que iria pensar”, contou Alemão.


Alguns dias depois, ela decidiu construir o galpão. “Daí eu fiz e depois aluguei e montei a oficina”, relatou.


No primeiro dia de trabalho, a expectativa foi colocada à prova. “Fiquei das 8h às 9h sentado, esperando serviço. Mas, quando comecei, foi até o final do dia, sempre com serviço. Daí me animei”, recordou.


A oficina funcionou por pouco mais de um ano. Mas, afinal, por que Alemão decidiu mudar de profissão novamente?


“Não, minha esposa adoeceu”, respondeu, com a voz embargada.


UM PERÍODO DE MEDO, ANGÚSTIA E FÉ 


A partir desse momento, a história de Alemão ganha contornos de sofrimento, preocupação e luta familiar. Ele começou contando que a esposa apresentava um problema de saúde cuja causa foi difícil de identificar. Foram meses de consultas com médicos do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede particular até que uma médica do SUS conseguiu identificar a doença: psoríase.


A psoríase é uma doença inflamatória crônica da pele, relacionada ao funcionamento do sistema imunológico. Pode provocar placas avermelhadas, descamação e coceira.


Alemão contou que chegou a gastar R$ 380 por dia com medicamentos durante mais de um mês, sem obter os resultados esperados.


Quando finalmente recebeu o diagnóstico, Laraíne começou o tratamento prescrito pela médica. A família acreditava que, enfim, o problema estaria sendo resolvido. No entanto, aquele drama ainda estava longe de chegar ao fim.


Segundo Alemão, a médica prescreveu uma dosagem incorreta do medicamento. A quantidade indicada deveria ser administrada uma vez por semana, mas foi receitada para uso diário.


Depois de aproximadamente uma semana, Loraíne começou a sentir dores no estômago e passou a apresentar um quadro de mal-estar intenso. Com o passar dos dias, seu estado de saúde se agravava. A família procurou atendimento, mas, inicialmente, não conseguiu encaminhá-la ao hospital de Osório porque não havia leito disponível.


Ao recordar esse período, Alemão interrompeu o depoimento e se emocionou ao lembrar o sofrimento da esposa. Por alguns instantes, permaneceu em silêncio, com a voz embargada, até conseguir retomar o relato.


Após a realização de exames no hospital de Osório, um médico informou que os sintomas levantavam a suspeita de leucemia.


“Daí a casa quase caiu”, contou Alemão, ao recordar o impacto daquela notícia.


Vieram mais exames, enquanto o estado de saúde de Loraíne continuava preocupante. Ela recebeu transfusão de plaquetas e apresentou melhora durante três dias, mas, depois, os sintomas voltaram. Posteriormente, os médicos realizaram um exame da medula óssea para investigar a suspeita de leucemia.


Foi nesse período de incerteza que a fé ganhou ainda mais significado para Alemão. Ele contou que, em determinado momento, abriu o Facebook no celular e encontrou um versículo bíblico. Naquele instante, buscava em Deus forças e ajuda para enfrentar a situação.


Finalmente, chegou o resultado do exame da medula óssea: Loraíne não estava com leucemia.


Após uma nova avaliação da equipe médica, descobriu-se que o problema estava relacionado à superdosagem do medicamento. Com a redução da dose, ela começou a apresentar melhoras.


A RAIVA DEU LUGAR À SERENIDADE 


Ao perceber que o sofrimento da esposa poderia ter sido provocado por um erro na prescrição médica, Alemão saiu pelo hospital à procura da profissional responsável para cobrar explicações sobre o ocorrido.


Ele próprio reconheceu que foi melhor não tê-la encontrado naquele momento, pois não sabia qual teria sido sua reação diante da médica.


Cerca de 20 dias depois, havia uma nova consulta com a mesma profissional. Segundo Alemão, ela pediu que ele não entrasse no consultório, mas ele fez questão de acompanhá-la para explicar o que havia acontecido.


Perguntei se ainda sentia raiva da médica. Ele respondeu que, naquele momento, já estava mais calmo e que o sentimento de raiva havia passado. Seu objetivo era explicar as consequências do ocorrido e alertá-la para que tivesse cuidado, a fim de evitar que uma situação semelhante voltasse a acontecer.


Felizmente, Laraíne continuou se recuperando. Com a medicação na dosagem correta, sua saúde apresentou melhoras progressivas.


Alemão relatou esse período com a tranquilidade de quem reconhece que o pior havia passado. Hoje, dois anos depois, segundo ele, cerca de 95% do problema está resolvido ou controlado.


A história, marcada por medo, incertezas e sofrimento, começou a dar lugar à esperança de uma vida mais tranquila.


NIVOS CAMINHOS, NOVOS PROJETOS 


Com a melhora da esposa, Alemão conseguiu retomar suas atividades profissionais. Voltou a trabalhar na autoelétrica, agora como sócio, e aos poucos reorganizou sua vida.


Entretanto, sua vontade de empreender não havia terminado. Mesmo enquanto trabalhava na oficina, alimentava o sonho de abrir um mercado.


Mais uma vez, decidiu investir em um novo projeto. Inicialmente, construiu uma peça de 6 x 7 metros. Depois, ampliou o espaço com outra parte de 7 x 7 metros e acrescentou um depósito de 5 x 5 metros. Assim, foi tomando forma o mercado ISantos, localizado na Rua Marcelo Gama, nº 373, em Tavares.


Hoje, Alemão está satisfeito com o comércio. Deixou a autoelétrica e passou a se dedicar exclusivamente ao mercado, onde trabalha durante toda a semana, tendo como período de descanso as tardes de domingo. Conta também com uma funcionária para auxiliá-lo nas atividades.


Ao longo da vida, Alemão passou por diferentes profissões: começou carregando cebolas, trabalhou como servente de pedreiro, tornou-se construtor, investiu na autoelétrica e, mais recentemente, ingressou no comércio. Em cada etapa, demonstrou disposição para aprender, trabalhar e recomeçar.


Sua trajetória, porém, não se resume às mudanças profissionais. A doença da esposa trouxe à família momentos de profunda angústia, medo e incerteza, mas também evidenciou a importância da fé, da perseverança e da capacidade de enfrentar as adversidades.


A história de Alemão nos lembra que, por trás de cada comerciante, pedreiro, mecânico ou trabalhador, existe um ser humano com sonhos, responsabilidades, preocupações e experiências que nem sempre são percebidas por quem o encontra no dia a dia.


Conhecer essas histórias é compreender que a vida não se resume àquilo que fazemos para ganhar o sustento. Ela também é feita dos desafios que enfrentamos, das pessoas que amamos, das escolhas que fazemos e da coragem que encontramos para seguir em frente, mesmo quando os caminhos parecem difíceis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

RAQUEL TERRA : uma mulher de posição, que acredita nas pessoas e ama o que faz

 

O Espaço de Reflexão teve uma prosa interessante com uma mulher tavarense, cuja postura cidadã, inteligência, ética  e participação política a leva a ocupar uma posição de destaque na história das últimas décadas de Tavares. 

A entrevista foi com Raquel Terra. Comecei solicitando que dissesse quem é a Raquel. 

Então, começou:


"Sou a Raquel Terra, vereadora de Tavares, e estou no meu quarto mandato consecutivo pelo Progressistas, partido que escolhi e pelo qual tenho muito orgulho de trabalhar.


Sempre fui uma mulher de posição e posicionamento. Nunca tive medo de defender aquilo em que acredito e, quando acho que alguma coisa precisa ser dita, eu digo. Claro que nem sempre vamos agradar a todos, mas, pra mim, o mais importante é ter a consciência tranquila, agir com verdade e não abrir mão dos meus princípios".

Raquel é uma pessoa boa na comunicação, como se diz no linguajar popular, não se enreda com as palavras. As vezes se antecipava com as minhas perguntas,  parecia adivinhar o que eu iria perguntar. Foi fácil a entrevistar. 

No decorrer do diálogo, ela como mulher política fala:

"Acredito na boa política, naquela que faz a diferença na vida das pessoas, que tem compromisso de verdade com a comunidade e que não fica só no discurso.


Nunca me defini como feminista, mas sempre acreditei que o lugar da mulher é onde ela quiser estar. Nós temos capacidade, força e competência para ocupar qualquer espaço, inclusive os de decisão. E isso, pra mim, é algo que carrego comigo desde sempre.


Venho de uma família em que as mulheres são exemplos de força, coragem e trabalho. Minha mãe, Terezinha, e minha irmã, Silvia, são grandes referências pra mim. Acho que esse jeito de enfrentar a vida, de não desistir diante das dificuldades e de correr atrás do que queremos também faz parte do meu DNA".

Raquel é uma mulher feliz com seu estilo de vida, estar com as pessoas e podendo fazer algo para que as pessoas também se sintam ou venha se sentir melhor.

Como ela mesmo diz:


"Mas, acima de qualquer cargo ou posição, eu gosto mesmo é de gente. Gosto de estar perto, de conversar, de ouvir, de participar e de conhecer a realidade de cada um. Tavares tem muita coisa boa, mas o que temos de mais valioso são as pessoas, nossa comunidade e a força de quem trabalha todos os dias para fazer esse município crescer".


PEDI QUE FALASSE DE SUA FAMÍLIA 


Sou filha da Terezinha e do Golberi, irmã da Silvia, e nasci em Rio Grande, onde vivi até os meus 19 anos. Foi lá que comecei minha vida profissional. Meu primeiro emprego foi em uma videolocadora (acredito que os jovens nem saibam o que é isso hoje, kkk), depois, trabalhei na área comercial da RBS TV e, mais tarde, na FIAT Sbardecar, em Porto Alegre.


Cada experiência me ensinou alguma coisa, me trouxe aprendizados e me ajudou a formar a pessoa que sou hoje".

Raquel gosta de viver experiências novas e se lançar a desafios. 

Segundo ela, "sempre gostei de desafios e de viver coisas novas. Foi assim que resolvi morar em Portugal, onde fiquei por cerca de dois anos e tive a oportunidade de conhecer muitos lugares e outras culturas. Foi uma experiência que me ensinou bastante sobre a vida, sobre as pessoas e sobre o que significa estar longe de casa".

Mas, nem tudo foi maravilha em sua trajetória, teve também situações complicadas, pois:


"Depois de uma tragédia na família, voltei para o Brasil e vim para Tavares para dar apoio à minha irmã, que havia ficado viúva e estava grávida. Naquele momento, eu não imaginava que minha vida tomaria um rumo tão diferente".

Raquel diante das incertezas que é o futuro,  de repente, larga tudo em Portugal e retorna para Tavares,  devido às circunstâncias da vida e, talvez,  o destino, para quem acredita que ele existe. 


A prosa anda e ela afirma, 

"foi aqui que conheci o Paulo Costa, o nosso Nidão, e, em menos de um ano, estávamos casados.


Já são quase 25 anos de casamento, de parceria, de trabalho e de construção de uma família. Somos diferentes em muita coisa, mas construímos nossa história juntos, sempre ligados às nossas raízes e à realidade do interior.


E, quando falo da minha caminhada, não posso deixar de falar no Paulo, e da importância de ter ele ao meu lado um marido companheiro, incentivador e parceiro de verdade. Daqueles que não precisam estar na frente para mostrar o seu valor, que não se incomodam em ver a mulher crescer, ocupar espaços e conquistar seu lugar. Pelo contrário, sempre me incentivou e nunca teve problema nenhum em me deixar brilhar, em deixar a Raquel, a vereadora, estar à frente quando era a minha vez.


Por isso, deixo aqui, publicamente, o meu muito obrigada! Obrigada, Paulo, por acreditar em mim, por me apoiar, por respeitar meu espaço e por caminhar ao meu lado. Porque ninguém constrói uma trajetória sozinho.


Nesta altura da entrevista, perguntei como foi interromper um estilo de vida na Europa e vir para o meio rural de Tavares. Daí relatou que

"o trabalho com a agricultura e a pecuária faz parte da nossa vida, assim como faz parte da realidade de tantas famílias de Tavares. E tem uma coisa que muita gente talvez não saiba, ou até duvide: desde o começo do meu casamento, sempre ajudei o Paulo na plantação de cebolas. Sim, eu também sou da lida! Sou uma baita apanhadora de cebolinho!


Quem me conhece sabe que eu nunca tive medo de trabalho. Sempre acreditei que é com dedicação, honestidade e muito esforço que a gente consegue conquistar as coisas e prosperar".


UMA VIDA DE TRABALHO ANTES DA POLÍTICA 


Raquel explica sua trajetória antes de se tornar política, se eleger vereadora, "retornei para Tavares, fui construindo minha vida profissional por aqui. Trabalhei como diretora da então creche da Vila 12 de Maio e tenho muito orgulho de lembrar que foi durante a minha gestão que ela foi aberta.


Depois, trabalhei no Gordo Comércio Rural, onde também ajudava nas atividades do CTG Galpão dos Carreteiros, do qual ele era patrão, e nas demandas do PSDB, partido ao qual pertencia o então vice-prefeito.


Também trabalhei por um bom tempo na CDL, a Associação Comercial, e passei pelo Mercado RB, do saudoso e querido amigo Bacana.


Outra experiência que marcou minha caminhada foi o trabalho de digitação de estágios para acadêmicos de Pedagogia da Ulbra. Cheguei a digitar, ao mesmo tempo, 26 trabalhos, com aproximadamente 80 páginas cada um. Quem vê a quantidade de trabalho que já enfrentei entende por que eu digo que disposição nunca me faltou"!


E, volta a lembrar do Paulo:

"Em meio a tudo isso, seguia ajudando o Paulo na plantação de cebolas. Minha vida sempre foi assim: trabalho, família, compromissos e muita disposição para fazer acontecer".


Raquel também e servidora pública municipal e, atualmente, está licenciada para exercer meu mandato como vereadora. "Olho para essa caminhada e vejo que cada experiência teve sua importância."


Como e quando a Raquel entrou para a política? Respondeu:


"Foi em Tavares que a política entrou de vez na minha vida. Meu envolvimento com a comunidade e com o partido foi crescendo, até que resolvi colocar meu nome à disposição para concorrer a vereadora.


Na primeira vez, em 2008, concorri pelo PSDB e fiquei como primeira suplente. Não foi dessa vez que conquistei uma cadeira, mas aquela experiência não me fez desistir. Em 2012, voltei a concorrer, já pelo Progressistas, e fui eleita. A partir dali, começou uma caminhada que já soma quatro mandatos consecutivos.


- 2008: 111 votos — 1º suplente pelo PSDB.

- 2012: 240 votos — eleita, 5º lugar.

- 2016: 414 votos — eleita, 2º lugar.

- 2020: 316 votos — eleita, 1º lugar.

- 2024: 305 votos — eleita, 2º lugar.


Tenho muito orgulho dessa trajetória, não apenas pelos números, mas principalmente pela confiança que as pessoas depositaram em mim. Cada voto representa alguém que acreditou no meu trabalho, e isso é uma responsabilidade que levo muito a sério.


Quem me conhece sabe que eu não sou de desistir fácil. Sempre procurei fazer política com verdade, transparência e coragem para defender minhas posições".


Em 2025, Raquel depois de 12 anos de caminhada no Legislativo, teve a honra de assumir a presidência da Câmara de Vereadores. Segundo ela "foi uma conquista muito especial, que chegou no seu tempo e representou mais uma etapa de responsabilidade e trabalho".


Como mulher dedicada, sempre que assume uma função é  com compromisso de fazer o melhor, disse que "procurei exercer essa função com seriedade, respeitando a instituição e entendendo que ocupar um cargo como esse exige compromisso, equilíbrio e disposição para fazer o que precisa ser feito. Para mim, é mais uma oportunidade de contribuir com Tavares e com a comunidade que me trouxe até aqui. E confesso que, depois de tantos anos, Deus é um grande roteirista!!! 

"A presidência chegou no momento certo: a Raquel mais madura, centrada e que aprendeu a ser moderada".


Mas,  Raquel é uma mulher que procura conciliar trabalho,  política e família. Vai e vem nos relatos e ela volta a lembrar da família. A seguir fala de algo muito sensível para uma mulher.


"Se a política trouxe muitos aprendizados e desafios para a minha vida, a maternidade me transformou de um jeito que eu nem consigo explicar.


Em 2010, nasceu a Júlia Terra, minha única filha e meu maior presente. Com ela, nasceu também uma nova mulher em mim. Ganhei um dos papéis mais importantes da minha vida: o de mãe!!! E sempre digo que esse foi, sem dúvida, o melhor projeto que já tive.


A Júlia mudou meu jeito de enxergar muitas coisas. Ser mãe me trouxe novos sentimentos, novas responsabilidades e uma vontade ainda maior de fazer o meu melhor, não só por mim, mas também por ela.


"Quero que minha filha tenha orgulho da mulher que sou, das escolhas que fiz e da maneira como procuro conduzir minha vida. Quero que ela saiba que a gente pode sonhar, trabalhar, lutar pelo que acredita e ocupar os espaços que quiser, sem precisar deixar de ser quem é."


"Acima de tudo, quero que ela entenda o valor da honestidade, do trabalho, da família e do respeito pelas pessoas", conlui.


Raquel tem orgulho de seu passado quando afirma que "quando olho para trás, vejo uma caminhada com muitas experiências, desafios, mudanças e aprendizados. Saí de Rio Grande, morei em Portugal, voltei ao Brasil, construí minha família em Tavares, trabalhei em diferentes áreas e encontrei na política uma forma de continuar contribuindo com a comunidade.


"Sigo sendo essa mulher de personalidade forte, que gosta de gente, de família, de estar junto, de trabalhar e de fazer acontecer. Tenho minhas convicções, minhas qualidades e também meus defeitos, como todo mundo. Não tenho a pretensão de agradar a todos, mas faço questão de agir com verdade e de olhar para as pessoas com respeito".


A mulher, esposa, mãe e vereadora é grata a população tavarense, pois, segundo ela "foi aqui que construí minha família, minha trajetória política e tantas amizades que levo comigo. É aqui que estão minhas raízes e tantas pessoas que fazem parte da minha vida".


Como política "continuo acreditando que a política vale a pena quando a gente está perto das pessoas, escuta suas necessidades, conhece sua realidade e trabalha para encontrar caminhos. Não acredito em política feita apenas de palavras, mas naquela que se mostra nas atitudes, no compromisso e na presença", reafirma. 


Portanto, no fim da entrevista, Raquel finaliza dizendo, 

"essa sou eu: Uma pessoa que tem suas convicções, que não tem medo de se posicionar e que continua aprendendo todos os dias."

Mas, antes de encerrarmos, fiz a ela mais uma pergunta: Raquel, você tem a pretensão ou o sonho de ser prefeita de Tavares?

Raquel respondeu que chegar à Prefeitura não depende apenas da vontade pessoal. Há todo um processo a ser construído: é necessário que o partido faça essa escolha e, sobretudo, que a comunidade queira, pois é ela quem escolhe seus representantes e para quem o prefeito trabalha. “Eu, com a bagagem de experiência adquirida no Legislativo, claro, me sinto preparada para novos desafios no Executivo. Mas tudo depende de uma construção!”, afirmou.


terça-feira, 27 de outubro de 2026

LUIS FAUSTINO: pesquisador da ancestralidade quilombola e guardião da memória de seu povo


A trajetória desse pesquisador da cultura quilombola revela que o conhecimento não se constrói apenas nos bancos escolares, mas também por meio das experiências, das vivências e das lições que a própria vida ensina. Embora tenha frequentado a escola formal até a quinta série, encontrou na chamada "faculdade da vida" um vasto campo de aprendizagens, que hoje se transforma em conhecimento compartilhado.


Pesquisador da ancestralidade afro-brasileira, ele se dedica a ministrar cursos e palestras que resgatam a memória, valorizam a identidade e preservam a história de seu povo. Ao mesmo tempo, promove reflexões sobre os desafios da cidadania das comunidades quilombolas. Sua caminhada demonstra que a educação ultrapassa os limites da sala de aula e que conhecer as próprias raízes também é uma forma de fortalecer identidades, reivindicar direitos e construir caminhos para uma sociedade mais justa e inclusiva.


A introdução acima se refere a Luís Faustino Lopes da Silva,de 50 anos, tavarense, nascido e criado no Beco da Fumaça, na localidade de Capororocas. Mais conhecido como Faustino, ele vive em uma região cuja identidade histórica está vinculada ao Quilombo Vovó Virgilino. É, sobretudo, sobre essa história, a ancestralidade de seu povo e as lutas da comunidade que trata a entrevista concedida ao Espaço de Reflexão.


A HISTÓRIA DO QUILOMBO VOVÓ VIRGILINO


No primeiro momento da conversa, quis saber como a comunidade do Beco da Fumaça se transformou em um quilombo legalmente reconhecido.


Faustino explica que a comunidade de Casca, localizada em Mostardas, foi a primeira do Rio Grande do Sul a receber esse reconhecimento, há cerca de 30 anos, após pesquisas da Fundação Cultural Palmares.


Em Tavares, segundo ele, os estudos começaram aproximadamente entre 1998 e 1999. As pesquisas apontaram que Vovó Virgilino, seu ancestral, teria vindo da África em um navio negreiro. Após desembarcar no Rio de Janeiro, seguiu para Pelotas e, posteriormente, para Mostardas, onde teria chegado pela praia e se refugiado no Mato da Costa. No decorrer dessa trajetória, acabou chegando à região de Tavares.


De acordo com Faustino, os estudos realizados pela Fundação Cultural Palmares identificaram os descendentes de Virgilino como remanescentes de povos submetidos à escravidão, condição que possibilitou o reconhecimento da comunidade como quilombola.


Perguntei se, no início das pesquisas, os moradores compreendiam do que se tratava o estudo e que possibilidade existia de a comunidade vir a ser reconhecida como quilombo.


Faustino explicou que, inicialmente, muitos moradores desconheciam o significado daquelas pesquisas e sentiam medo e receio diante da situação.


“Os povos negros já tinham uma história de exclusão e desprezo, sendo vistos como seres sem direitos. Quando alguém chega fazendo uma pesquisa, logo vem o pensamento: no que isso vai resultar?”, relata.


Por volta do ano 2000, segundo ele, veio o resultado indicando a possibilidade de reconhecimento da comunidade do Beco da Fumaça como quilombo, incluindo as pessoas que comprovassem sua descendência de Virgilino.


SER QUILOMBOLA É SUJEITO DE DIREITOS


Mas, afinal, o que significa pertencer a uma comunidade quilombola? E quais possibilidades esse reconhecimento pode proporcionar aos moradores?


Conforme Faustino, tudo aquilo era novidade para a comunidade. No início, havia dúvidas e dificuldades para compreender o significado e as consequências daquele processo. Aos poucos, porém, os moradores passaram a entender melhor a importância do reconhecimento.


“Ser quilombola é ser sujeito de direitos, fortalecer as comunidades, conseguir emendas parlamentares para políticas públicas de saúde e agricultura, inserir-se em programas de moradia, ter acesso às universidades e conquistar espaço de voz”, explica Faustino.


Atualmente, a comunidade quilombola Vó Virgilino conta com uma associação composta por 55 sócios, presidida por Luiz Faustino. Segundo ele, cinco integrantes da comunidade são bolsistas em universidades, um resultado que representa novas oportunidades de acesso à educação e de construção de perspectivas para as novas gerações.


A MEMÓRIA DOS ANCESTRAIS


O interesse de Faustino pela história de sua ancestralidade nasceu também das lembranças transmitidas por seus familiares.


Ele recorda que sua avó Josina, que morava em Mostardas, costumava falar sobre o sofrimento enfrentado por seu povo. Também menciona a história de seu avô Talíbio, que vivia no Rincão do Cristóvão Pereira.


Ao recordar a trajetória familiar, Faustino conta que a mãe de seu avô era filha de um filho de seu patrão. Segundo ele, essa circunstância ajuda a compreender por que alguns descendentes dessa linhagem não apresentam a pele negra.


São histórias familiares que atravessam gerações e ajudam a compreender as relações sociais, as experiências de violência e as marcas deixadas pela escravidão na formação das comunidades negras da região.


DA CURIOSIDADE À PESQUISA SOCIAL 


O interesse pela história de seus antepassados levou Faustino a aprofundar seus conhecimentos sobre a cultura afro-brasileira. Mesmo sem uma longa trajetória escolar, tornou-se um pesquisador social reconhecido por seu trabalho de valorização da ancestralidade quilombola.


Ao longo de sua caminhada, ministrou cursos e palestras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em atividades coordenadas pela professora Alba, e também compartilhou seus conhecimentos na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Além disso, realizou trabalhos em escolas de Cachoeira do Sul, levando aos estudantes reflexões sobre a história e a cultura de seu povo.


Para Faustino, a luta pelo reconhecimento e pela valorização da cultura quilombola é permanente. “A luta é uma caminhada”, lembra.


Quando sai de Tavares para participar de palestras e atividades culturais, ele faz questão de levar consigo o nome do município, divulgando a história e as manifestações culturais de sua terra.


Entre essas manifestações, destaca-se o Ensaio de Pagamento de Promessa, expressão religiosa tradicional que preserva elementos da história e da identidade das comunidades negras rurais da região.


O ENSAIO DE PAGAMENTO DE PROMESSA: FÉ  E ANCESTRALIDADE 

Faustino explica que o Ensaio de Pagamento de Promessa está relacionado à religiosidade católica dos povos negros do meio rural, em um período no qual havia pouca presença de padres nessas localidades. Segundo ele, os negros enfrentavam situações de repressão e, muitas vezes, eram impedidos de expressar livremente sua fé.


O pesquisador também menciona o ensaio conduzido pela família de Arlindo, destacando a importância do tambor como instrumento de ancestralidade e o papel das curandeiras em uma época na qual o acesso aos médicos era limitado.


Conforme relata, as promessas eram feitas por diferentes motivos: uma boa colheita, a cura de uma doença, o nascimento de uma criança ou o sucesso de um parto realizado por uma parteira. Essas práticas expressavam a fé e a devoção a Nossa Senhora.


“Isso tudo começou no mato, quando existia a escravidão. Os cânticos contam a história dos negros desde a África até o Brasil”, relata Faustino.


Mais do que uma manifestação religiosa, o Ensaio de Pagamento de Promessa representa, em sua compreensão, uma forma de preservar a memória coletiva. Por meio dos cantos, dos tambores e dos rituais, conhecimentos e tradições são transmitidos entre as gerações, mantendo viva uma parte significativa da história cultural da região.


APRENDIZAGENS QUE VÊM DA VIDA


Perguntei a Faustino quando havia começado seu interesse por essa história. Ele contou que iniciou seus estudos em Mostardas há aproximadamente 30 anos e que aprendeu muito com Horlando Cardoso Duarte, dançante de Ensaio e Rei do Congo.


A partir dessas experiências, Faustino ampliou seus conhecimentos e passou a desenvolver atividades voltadas à valorização da cultura afro-brasileira e das tradições quilombolas.


Durante dois anos, trabalhou na Escola Izabel Cristina, em Tavares, desenvolvendo atividades relacionadas à culinária africana, oficinas de artesanato, preparação de chás caseiros e estudos sobre ancestralidade.


Seu trabalho também se estende às novas gerações. Atualmente, mantém o Grupo Quicumbi, formado por oito adolescentes que integram um grupo de tambores. Além disso, possui um contrato com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) de Tavares, onde desenvolve oficinas culturais envolvendo a prática dos tambores.


Essas iniciativas demonstram como a cultura pode ser um instrumento de aprendizagem, integração social e valorização das identidades. Ao aproximar os jovens das tradições de seus antepassados, Faustino contribui para que esse patrimônio cultural continue vivo e encontre espaço no presente.


O pesquisador também relata ter participado de entrevistas relacionadas a trabalhos desenvolvidos por uma universidade de Porto Alegre. Embora seja considerado autodidata, buscou ampliar sua formação e, há cerca de seis anos, realizou um curso de Turismo Rural.


PROTAGONISMO E PARTICIPAÇÃO SOCIAL 


Ao final da entrevista, Faustino fez questão de destacar o significado que esse trabalho tem em sua vida. Sua trajetória é marcada pela busca do conhecimento, pelo envolvimento com a comunidade e pela disposição de compartilhar aquilo que aprendeu ao longo dos anos.


Sua história mostra que a formação de uma pessoa não se limita aos anos de escolarização. As experiências, a escuta dos mais velhos, a pesquisa, a convivência comunitária e o contato com diferentes espaços de aprendizagem também podem produzir conhecimentos importantes para a sociedade.


A caminhada de Luiz Faustino Lopes da Silva ajuda a compreender que preservar a ancestralidade não significa apenas olhar para o passado. Significa reconhecer as origens, compreender as marcas da história, valorizar a identidade coletiva e contribuir para que as novas gerações conheçam suas raízes.


Alegre e satisfeito com o caminho percorrido, Faustino resume sua motivação em palavras que expressam seu compromisso com a comunidade: "Gosto do envolvimento social, da participação e do protagonismo".


É nesse compromisso que sua história ganha significado: na transformação do conhecimento adquirido ao longo da vida em uma ferramenta de valorização cultural, reconhecimento de direitos e fortalecimento da identidade quilombola de Tavares.

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

DENILSON FERREIRA: a trajetória de um homem do agro, marcada pelo trabalho, pela fé e família

 

O *Espaço de Reflexão* recebeu a visita de um produtor rural que deixou seus afazeres no campo e se deslocou até minha residência para uma boa prosa sobre sua história de vida e sua trajetória no agronegócio. Como não poderia deixar de ser, nossa conversa foi além da produção e da economia rural. Falamos também sobre família, fé e os valores que orientam sua caminhada.


O entrevistado foi Denilson Lemos Ferreira, tavarense da localidade da Barrosa, de 55 anos, casado com Jaqueline Antunes Ferreira e pai de Dhuliane e Jonatas.


Começamos nossa prosa falando sobre o trabalho, uma presença constante em sua vida desde muito cedo. Segundo Denilson, sua família já trabalhava com o cultivo de cebola e arroz, além da criação de gado. Ainda menino, aos 12 ou 13 anos, saía da escola e ia direto para o trator, como ele próprio recordou: “Chegava da escola e ia para cima do trator”. Ao relembrar aquele período, resumiu sua experiência com uma frase significativa: “Minha adolescência aconteceu no trabalho”.


Denilson estudou até a quinta série na escola rural de sua comunidade,  depois cursou o antigo primeiro grau na Escola Marcelo Gama,  Mostardas, e Escola Edgardo, em Tavares. Depois, foi no cotidiano do trabalho que construiu grande parte de seus conhecimentos. Se existe um título que a experiência lhe concedeu, é o de especialista na prática da administração rural, conhecendo de perto os desafios e as particularidades das atividades que desenvolve, especialmente o cultivo de arroz e a criação de gado.

UMA TRAJETÓRIA CONSTRUÍDA COM AS PRÓPRIAS MÃOS 

A caminhada profissional de Denilson, de forma independente do pai, começou na Granja Vargas, em Palmares do Sul, onde cultivou arroz durante dois anos. Depois, retornou a Tavares e deu continuidade à atividade, inicialmente arrendando terras e, posteriormente, adquirindo propriedades.


Hoje, possui bastante terra, distribuídos em muitas propriedades. Sua trajetória no agronegócio por conta própria começou há cerca de 25 anos. Atualmente, sem considerar a Fazenda Guaritas, Denilson se destaca como o maior produtor de arroz de Tavares.


Ao longo desse período, já chegou a cultivar aproximadamente 350 quadras de arroz. Atualmente, a área plantada corresponde a cerca de 200 quadras.


Segundo ele, os negócios vêm crescendo ao longo dos anos. Entretanto, o produtor sabe que a atividade rural está sujeita às oscilações do mercado, às variações da produção e às mudanças nos preços. Em determinados períodos, a oferta elevada e a retração do mercado podem reduzir a rentabilidade.


Com a experiência adquirida ao longo dos anos, aprendeu a lidar com essas dificuldades. “Já sabe que a agricultura é assim, então, nos anos bons, sempre procura fazer reserva para os anos ruins”, explicou.


Denilson também destacou que procura evitar compras e investimentos baseados na expectativa de ganhos futuros, pois entende que os resultados dependem tanto da colheita quanto das condições do mercado. É uma maneira de administrar os negócios com cautela, considerando os riscos próprios da atividade agrícola.

A FORÇA DA PECUÁRIA E OS INVESTIMENTOS NA QUALIDADE 

Além da lavoura de arroz, Denilson mantém uma expressiva atividade na pecuária. Tem considerável rebanho bovino, com produção voltada à comercialização de animais jovens, especialmente terneiros.


O produtor ressaltou que procura investir na qualidade do rebanho. Como exemplo, contou que adquiriu recentemente seis touros, em um investimento de R$ 180 mil.


Perguntei qual das duas atividades proporcionava maior retorno financeiro: o arroz ou o gado. Refletindo sobre a questão, explicou que a pecuária oferece uma vantagem em determinadas situações, pois, mesmo quando a lavoura enfrenta dificuldades, o gado não sofre necessariamente as mesmas consequências. No entanto, segundo ele, o maior lucro costuma vir da lavoura de arroz, em razão do grande volume de produção.

A TECNOLOGIA TRANSFORMOU O TRABALHO NO CAMPO 

Ao longo de aproximadamente 25 anos como produtor de arroz, Denilson acompanhou mudanças significativas na tecnologia utilizada no campo. Lembrou, por exemplo, da evolução dos tratores antigos, sem cabines ou toldos, para os modelos atuais, equipados com ar-condicionado e mais conforto para quem trabalha.


Perguntei se já havia pensado em introduzir drones nas atividades agrícolas. Ele respondeu que não, pois essa alternativa também envolve questões relacionadas à mão de obra, cuja disponibilidade considera um dos desafios do setor. Em sua propriedade, conta com duas pistas de aterrissagem para aeronaves e contrata serviços especializados quando necessário.


Sobre a mão de obra, explicou que, durante os períodos de maior movimento na lavoura, utiliza até dez trabalhadores. Para os cuidados com a pecuária, conta com duas pessoas. Nesse aspecto, destacou que está cada vez mais difícil encontrar trabalhadores disponíveis para as atividades que desenvolve.

TRABALHO, PERSEVERANÇA E FÉ 

Em determinado momento da conversa, perguntei a Denilson se, quando iniciou sua trajetória independente, há cerca de 25 anos, imaginava alcançar o crescimento que conquistou.


A resposta foi direta: “Não imaginava crescer tanto”.


Ele atribui parte dessa conquista ao esforço e à dedicação ao trabalho. Contou que há períodos em que trabalha praticamente sem parar, durante o dia e a noite, sem distinguir domingos, feriados ou dias de festa. Sua rotina exige presença constante e disposição para enfrentar as demandas do campo.


Entretanto, ao falar sobre os resultados alcançados, fez questão de reconhecer algo que considera fundamental em sua vida: a fé.


“Não posso esquecer que Deus tem me ajudado bastante”, afirmou.


Denilson e sua esposa são evangélicos. Segundo ele, desde que passou a seguir uma vida orientada pela fé, percebeu que seus negócios começaram a dar certo. Ao falar sobre as conquistas pessoais e profissionais, expressou sua gratidão: “Sou grato a Deus por tudo de bom que tem acontecido comigo e minha família”.


Sua fala revela que, para além do esforço diário e das decisões relacionadas aos negócios, a espiritualidade ocupa um lugar importante na maneira como compreende sua trajetória.

A FAMÍLIA COMO PARCEIRA NA CAMINHADA 

Quando o assunto foi a família, Denilson destacou o papel da esposa, Jaqueline, na construção e na administração dos empreendimentos familiares.


Segundo ele, ela é uma parceira importante nos negócios, especialmente na gestão das compras e no pagamento dos funcionários. Essa participação demonstra que, por trás da atividade rural, existe também uma organização familiar que contribui para o funcionamento e a continuidade dos empreendimentos.


A família, portanto, não aparece apenas como parte de sua vida pessoal, mas também como presença significativa na administração dos negócios e na sustentação de sua caminhada profissional.

DENILSON NA POLÍTICA: SIM OU NÃO?

Para concluir nossa conversa, perguntei se Denilson já havia pensado em ingressar na política ou se alguém havia tentado convencê-lo a disputar um cargo no Executivo ou no Legislativo municipal.


Ele confessou que já recebeu convites e propostas, mas sua escolha sempre foi dedicar-se ao trabalho no campo.


Neste momento da vida, considera que ingressar na política talvez não seja a melhor opção para seus planos. Explicou que pretende, aos poucos, desacelerar o ritmo intenso de trabalho que marcou sua trajetória. Na sua avaliação, a atividade política exigiria um envolvimento que poderia reduzir ainda mais o tempo disponível para a família.


Assim, sua preferência é continuar concentrado naquilo que construiu ao longo dos anos, procurando equilibrar os compromissos profissionais com a vida familiar.

UMA HISTÓRIA QUE VAI ALÉM DA PRODUÇÃO RURAL 

A conversa com Denilson Lemos Ferreira revela a trajetória de um homem que começou a trabalhar ainda na adolescência e construiu sua vida profissional com dedicação, experiência e persistência. Da rotina na lavoura, quando ainda era menino, à administração de mais de mil hectares de terras e de um expressivo rebanho bovino, sua história acompanha as transformações e os desafios do agronegócio.


Mas sua caminhada não se resume aos números da produção, às propriedades ou aos investimentos realizados. O trabalho, a família e a fé aparecem como elementos fundamentais na maneira como ele interpreta suas conquistas e projeta o futuro.


Ao abrir espaço para essa conversa, o *Espaço de Reflexão* reafirma seu propósito de ouvir as pessoas e conhecer suas histórias. Afinal, por trás de cada atividade econômica, existe uma trajetória humana, construída por escolhas, desafios, aprendizados e valores que merecem ser conhecidos e compartilhados.