A trajetória da professora Eliziane da Silva Antunes é marcada não apenas pelo conhecimento adquirido, mas também pelo compromisso com a educação, pela sensibilidade diante das dificuldades de aprendizagem e pela vontade permanente de fazer a diferença na vida de seus alunos. Estudiosa e dedicada à busca por novos saberes, ela procura fundamentar sua prática pedagógica, aprimorando métodos e ampliando horizontes para tornar o processo de ensino e aprendizagem mais significativo, sobretudo para as crianças que enfrentam maiores desafios.
Disposta a aceitar novos desafios, mesmo diante de uma extensa carga horária de trabalho, Eliziane decidiu ir além e ingressar no mestrado, compreendendo que a formação continuada é um caminho essencial para o crescimento profissional. Sua história revela a dedicação de quem acredita que educar é muito mais do que ensinar: é acolher, compreender potencialidades e contribuir para que cada criança encontre oportunidades de aprender, desenvolver-se e construir seu próprio caminho.
DAS DIFICULDADES NA INFÂNCIA À REALIZAÇÃO PROFISSIONAL
Pedagoga, 49 anos, natural de Tavares, Eliziane foi criada na localidade de Tapera, onde iniciou seus estudos na escola da comunidade, permanecendo até a quinta série. Posteriormente, transferiu-se para a Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, na cidade, para dar continuidade à sua formação.
Ao recordar o início da década de 1990, ela destaca as dificuldades enfrentadas para frequentar as aulas. Naquela época, não havia transporte escolar e, entre março e maio, percorria aproximadamente 10 quilômetros a cavalo para chegar à escola. Uma realidade que exigia disposição, esforço e perseverança.
A situação começou a melhorar quando o vereador Ênio Chaves conseguiu uma caminhonete para transportar os estudantes. Com isso, a rotina de Eliziane tornou-se consideravelmente mais fácil, dando também um merecido descanso ao cavalo que, até então, era seu companheiro diário nessa jornada.
Concluído o Ensino Fundamental, Eliziane foi estudar em Porto Alegre, onde cursou o Ensino Médio. Ao retornar a Tavares, começou a trabalhar como professora contratada, mesmo sem possuir, naquele momento, a formação específica, algo permitido pelas condições da época. Atuou nas escolas das localidades de Tapera, Capororocas e Capão Comprido. Mais tarde, trabalhou durante cinco anos como atendente de creche, experiência que também contribuiu para sua aproximação com o universo da infância e da educação.
A FORMAÇÃO COMO CAMINHO PARA QUALIFICAR A PRÁTICA PEDAGÓGICA
Determinada a ampliar seus conhecimentos e aprimorar sua atuação profissional, Eliziane cursou Pedagogia pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA), em 2008, em Tavares. Na sequência, realizou pós-graduação em Psicopedagogia e especialização em Alfabetização.
Após prestar concurso público, foi aprovada e assumiu o cargo de professora da rede municipal de ensino de Tavares. Atualmente, além da docência, atua como formadora do programa Alfabetização Tchê, contribuindo para a qualificação das práticas pedagógicas e para o fortalecimento do processo de alfabetização.
Entre 2022 e 2024, também participou do Projeto de Recomposição da Aprendizagem, iniciativa voltada à recuperação das aprendizagens dos estudantes. Essa experiência teve importância especial em sua trajetória profissional e despertou reflexões que, posteriormente, se transformariam em objeto de estudo acadêmico.
O DESAFIO DO MESTRADO E A PESQUISA SOBRE A EDUCAÇÃO NO PÓS-PANDEMIA
A busca permanente pelo conhecimento levou Eliziane a dar mais um passo em sua formação: ingressar no mestrado em Educação da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
Ao ser questionada sobre como surgiu o interesse pelo curso, ela relatou que a oportunidade começou a se desenhar durante a especialização em Alfabetização, quando precisou elaborar um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Na ocasião, analisou e teorizou sua própria prática profissional no Projeto de Recomposição da Aprendizagem.
O trabalho chamou a atenção de uma professora da FURG, que a incentivou a apresentá-lo ao programa de mestrado. Eliziane aceitou o desafio e decidiu participar do processo seletivo, que contava com 50 candidatos para apenas 12 vagas. O resultado foi positivo: ela foi selecionada e iniciou uma nova etapa de sua caminhada acadêmica.
Sua pesquisa tem como tema a recomposição das aprendizagens no período pós-pandemia, questão de grande relevância para a educação contemporânea. As desigualdades educacionais, os desafios enfrentados pelos estudantes e a necessidade de assegurar condições efetivas de aprendizagem estão entre as preocupações que orientam seu trabalho.
Sobre essa nova etapa, Eliziane explica:
“Em agosto de 2026, fui aprovada no processo seletivo para o curso de Mestrado em Educação pela FURG. Assim, vou continuar realizando minha pesquisa sobre as desigualdades educacionais no pós-pandemia e a importância de garantir o direito à aprendizagem a todos os estudantes.”
UMA TRAJETÓRIA QUE UNE EXPERIÊNCIA, ESTUDO E COMPROMISSO COM OS ALUNOS
A história de Eliziane da Silva Antunes mostra como as experiências pessoais e profissionais podem se transformar em motivação para buscar novos conhecimentos. Da infância na Tapera, marcada pelos desafios do deslocamento até a escola, à atuação como professora e formadora, sua caminhada revela persistência, dedicação e compromisso com a educação.
Ao ingressar no mestrado, ela não apenas amplia sua formação acadêmica, mas também aprofunda questões que fazem parte de sua realidade cotidiana em sala de aula. Sua pesquisa dialoga diretamente com os desafios enfrentados pelos educadores, especialmente no que diz respeito à superação das desigualdades e à garantia do direito de aprender.
Em uma área na qual as necessidades dos estudantes exigem atenção, sensibilidade e constante atualização, Eliziane segue investindo em sua formação, acreditando que o conhecimento pode contribuir para transformar práticas pedagógicas e ampliar oportunidades.
Sua trajetória reafirma a importância de professores que não se acomodam diante das dificuldades, que buscam compreender a realidade de seus alunos e que fazem do estudo uma ferramenta para qualificar o próprio trabalho. Afinal, investir na formação docente é também investir em uma educação mais inclusiva, capaz de reconhecer as diferenças e oferecer a cada estudante melhores condições para aprender e se desenvolver.