sábado, 12 de setembro de 2026

CTG GALPÃO DOS CARRETEIROS: tradição, pertencimento e os desafios de manter viva a cultura gaúcha

 



O mês de setembro, no Rio Grande do Sul, é marcado pelos Festejos Farroupilhas. Os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) se movimentam, e o sentimento de ser gaúcho envolve as comunidades. Alguns participam diretamente das atividades tradicionalistas; outros acompanham, como espectadores, os eventos que celebram a cultura e os costumes do Rio Grande.

Neste mês farroupilha, o Espaço de Reflexão procurou o patrão e a patroa do CTG Galpão dos Carreteiros, de Tavares, Roner Paiva e Fernanda Lemos Paiva, respectivamente. O encontro foi marcado por muita animação, especialmente porque os dois entrevistados vivem a tradição gaúcha desde a infância. Há, em ambos, uma relação sentimental com os costumes gauchescos, como algo que não está apenas na cultura, mas que faz parte da própria vida.

Roner e Fernanda, alternando e complementando suas falas, foram contando um pouco da história dos 56 anos do CTG. Em determinados momentos, lembravam do saudoso Picucho Alfredo, fundador do centro de tradições há 56 anos; em outros, falavam de seus filhos, Emanuel (12 anos) e Mariah (7 anos), alimentando o sonho de que as novas gerações possam seguir cultivando a cultura nativista.

Ao revisitar essa trajetória, Roner lembra do primeiro rodeio realizado nas Capororocas e também dos rodeios no Capão da China. As lembranças eram carregadas de sentimento, e a prosa seguia solta, fazendo o tempo passar sem que se percebesse.

Mas a história do Galpão dos Carreteiros não é feita somente de momentos de alegria. Roner e Fernanda também relataram períodos difíceis enfrentados pela entidade. Há cerca de oito anos, um forte temporal de granizo danificou praticamente todo o telhado do prédio.



Durante o período em que o galpão ficou impossibilitado de ser utilizado, até mesmo os festejos da Semana Farroupilha precisaram acontecer em outro espaço. A recuperação do telhado foi realizada com o apoio da Prefeitura e da comunidade. A partir daí, o CTG começou a retomar sua organização, inclusive a volta  das Invernadas Artísticas, lideradas pela professora Aletéia Policarpo da Silva.

Foi nesse processo que um grupo de "jovens" gaúchos assumiu a responsabilidade de dar continuidade à história iniciada por Picucho Alfredo há 56 anos.

Roner e Fernanda destacam o ressurgimento das invernadas (onde os ensaios começaram no Salão Dois Irmãos, devido ao  CTG  estar em reforma na época) e o trabalho de aproximação e conquista de crianças, adolescentes e adultos para o movimento tradicionalista. Para eles, essa participação desperta o sentimento de pertencimento e insere as pessoas no universo cultural tradicionalista.

Por meio de seus departamentos, o CTG revive, em diferentes momentos do ano, as tradições do Rio Grande. Segundo Roner, antigamente as atividades ficavam mais concentradas nos rodeios e na Semana Farroupilha. Hoje, a realidade é diferente: durante o ano, diversos eventos movimentam a entidade e aproximam o público da cultura gaúcha.

Com a volta da Ciranda de Prendas e Entrevero de Peões o CTG vem ganhando representatividade.

Fernanda conta com alegria a satisfação que o Galpão dos Carreteiros antes não havia levado representante para o concurso Regional e nos últimos dois anos foi possível, diante da organização de seu departamento cultural. Com a significativa conquista do título de 3ª Prenda Juvenil da 23ª Região Tradicionalista, pela prenda Isabella Pagano Loff Vieira (12 anos) em 2025, o CTG vem sendo reconhecido e serve de incentivo para outras crianças e adolescentes que estão chegando ao movimento tradicionalista. Para Fernanda, a conquista trouxe ainda mais ânimo à gauchada do Galpão dos Carreteiros.

Isabela foi recebida em Tavares com carreata, foguetório e buzinaço. Foi uma verdadeira festa pela conquista.

Roner destaca o apoio recebido por Isabela dos pais, Veridiana e Rodrigo, que, segundo ele, oferecem todo o suporte necessário, tanto moral quanto material.

Durante a conversa, surgiu a pergunta sobre quem havia preparado Isabela para o concurso, que exige conhecimentos diversos, além de ensaios de dança, declamação e outras atividades ligadas ao tradicionalismo. A resposta foi a Veridiana,  mãe da Isabela. 

Roner ressaltou ainda que o movimento de retomada das invernadas e concurso de prendas ocorreu durante o período da patronagem de Emerson Paiva.


À medida que a entrevista se encaminhava para o final, Roner e Fernanda apontaram aquele que consideram o maior desafio para levar adiante o CTG: a questão financeira.

Manter a entidade em funcionamento, realizar as atividades e promoções, ao mesmo tempo, promover reformas e melhorias exige recursos. Segundo eles, o que tem contribuído para manter esse trabalho é o apoio da comunidade tavarense, do poder executivo, legislativo e do empenho e dedicação de toda patronagem e colaboradores voluntários.

Em 2026, o CTG recebeu duas emendas parlamentares no valor  R$ 50 mil cada. Os recursos serão destinados à melhorias na infraestrutura na sede do CTG.

A entidade também comemorou o recebimento de R$ 40 mil do Programa Avançar Tchê, com verba livre, que está sendo utilizado na realização de atualização de registros da documentação de atas, plantas do  prédio e terrenos do CTG.


A Semana Farroupilha de 2026

Finalizando a conversa, o patrão Roner falou sobre os Festejos Farroupilhas de 2026. Entre os destaques está a comemoração dos 56 anos de fundação do CTG Galpão dos Carreteiros com um delicioso Café Colonial e inauguração da galeria de patrões que fizeram parte da história da entidade tradicionalista. Muitos deles já falecidos.

A programação também reserva um momento especial para a gauchada do Galpão dos Carreteiros. No dia 12, próximo sábado, o grupo irá até o Piquete Garrão de Potro, em Mostardas, para buscar a centelha da Chama Crioula do Estado.

Depois, a comitiva seguirá para Tavares, com pouso na Cabanha MS, na Costa de Cima.

Assim, entre causos, lembranças, danças, rodeios, prendas e peões, o CTG Galpão dos Carreteiros segue escrevendo sua história. Uma história que atravessa gerações e mostra que tradição não é apenas recordar o passado: é manter viva, no presente, uma cultura que encontra nas novas gerações a possibilidade de continuar sendo contada.


Nenhum comentário:

Postar um comentário