Cada entrevista para o blog é antecedida por uma certa expectativa. Afinal, cada pessoa carrega consigo experiências, histórias e aprendizados que merecem ser conhecidos. O entrevistado desta vez não foi diferente. Com uma voz suave e uma linguagem repleta de sentidos, o entrevistado conduz cada fala de tal maneira que, ao ouvi-lo, parece estar diante da narrativa de algo extraordinário.
Estou me referindo ao Padre Rômulo.
Rômulo da Silva Conceição nasceu em 29 de novembro de 1984 e foi criado na localidade de Capão Comprido, em Tavares. Filho de Cláudio Miguel da Conceição e Iraci Ondina da Silva Conceição, e irmão de Giovane e Katiane.
Os primeiros anos de sua trajetória escolar foram vividos na Escola Bento Gonçalves, no Capão Comprido, onde estudou até a quarta série, tendo como professora a saudosa Maria Alzira.
Padre Rômulo conta que, depois disso, ficou cinco anos sem estudar. Foi então que começou a participar de retiros vocacionais promovidos pela Igreja Católica, em Rio Grande. Durante esse período, recebeu o conselho para retomar os estudos. Assim, em 2001, voltou à escola e cursou a quinta série na Escola Edgardo.
A partir daí, o jovem Rômulo começou a se interessar cada vez mais pela vida vocacional. Em 2002, ingressou no seminário, em Rio Grande. Lá em razão da idade avançada, foi encaminhado para realizar o supletivo, com o objetivo de concluir mais rapidamente o Ensino Fundamental.
Fez as provas e foi aprovado em todas. Estava, então, preparado para iniciar o Ensino Médio. Como o ano letivo já estava na metade, foi acertado com a escola que permaneceria como aluno ouvinte e, no início do ano seguinte, ingressaria oficialmente no Ensino Médio.
Concluiu essa etapa em três anos, na Escola Getúlio Vargas, em Rio Grande. Durante a conversa, perguntei se o fato de ter feito o supletivo e acelerado a conclusão do Ensino Fundamental havia provocado alguma dificuldade posteriormente. A resposta foi tranquila: não teve dificuldades durante o Ensino Médio.
Nesse momento da prosa, eu já havia percebido que estava diante de uma pessoa dotada de uma inteligência diferenciada. Até brinquei que ele havia sido, por algum tempo, um talento desperdiçado lá no Capão Comprido. Mas, como a conversa era com um religioso, completei dizendo que, ainda bem, Deus o havia encontrado e chamado para uma missão. Ele concordou, com aquele sorriso que lhe é característico.
Com semblante de satisfação ao relembrar uma história que considera maravilhosa e de sucesso, Padre Rômulo conta que, depois de concluir o Ensino Médio em Rio Grande, seguiu para Pelotas. Na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), cursou Filosofia entre 2006 e 2008.
Convicto de que desejava seguir a vida sacerdotal, Padre Rômulo continua sua narrativa de maneira detalhada, procurando explicar cada etapa com clareza.
Após concluir o curso de Filosofia, foi enviado, em 2009, para Santa Vitória do Palmar, onde atuou como seminarista. No ano seguinte, retornou a Pelotas para cursar Teologia na UCPel. Em 08 de dezembro de 2011 foi ordenado diácono e, em 15 de novembro de 2014, recebeu a ordenação sacerdotal(Padre).
Como padre, trabalhou em Rio Grande, passando por várias paróquias durante nove anos.
Em 2024, atendeu a um chamado que, para ele, veio de Deus: foi designado para a missão de padre da Paróquia Santo Antônio, em Tavares, sua cidade natal. O retorno à terra onde nasceu e cresceu acrescentou um significado especial à sua trajetória sacerdotal.
Os desafios da vida sacerdotal
Durante a entrevista, perguntei se um padre também pode passar por momentos de crise ao longo de sua caminhada vocacional. Padre Rômulo respondeu que sim. Segundo ele, essas situações são compreendidas como “desertos espirituais”, momentos nos quais os sacerdotes podem ser encaminhados aos diretores espirituais para acompanhamento.
Apesar dos desafios, deixa claro que é feliz com a escolha que fez e com a missão que exerce como padre.
Também conversamos sobre a influência do mundo atual no trabalho sacerdotal. Para Padre Rômulo, o mundo digital interfere, principalmente porque desvia a atenção e ocupa a mente das pessoas, podendo, em determinados momentos, afastá-las de reflexões relacionadas à espiritualidade.
A realidade das comunidades católicas
A conversa também passou pelas comunidades católicas. Padre Rômulo fez uma distinção entre o católico praticante e aquilo que chamou de “católico do IBGE” — aquele que, quando perguntado sobre sua religião, responde simplesmente: “católico”.
Segundo ele, o número de católicos em Tavares tem se mantido. Entretanto, observa que muitos são católicos batizados, mas ainda não evangelizados.
Refletimos também sobre o período em que ele estava no seminário, quando três jovens de Tavares seguiram a vocação religiosa. Depois disso, esse movimento não voltou a acontecer.
Nesse ponto da conversa, Padre Rômulo lembrou o papel desempenhado pela irmã Anselma no trabalho vocacional naquela época. Para ele, essa atuação pode ser uma das hipóteses para explicar por que atualmente não há nenhum tavarense no seminário.
Ele também destaca que, na região, não existe uma tradição familiar consolidada de famílias que tenham, entre suas perspectivas, a possibilidade de um de seus membros seguir a vida sacerdotal ou religiosa.
A reação da família
Perguntei, então, se sua família havia estranhado sua decisão de se tornar padre.
Padre Rômulo respondeu que sim. No início, talvez seus familiares tenham ficado um pouco em dúvida diante da escolha. Com o passar do tempo, porém, à medida que a ideia da vocação foi amadurecendo e os resultados de sua caminhada aparecendo, a família foi compreendendo sua decisão e passou a se sentir feliz por ter um padre entre os seus.
Ao final da entrevista, solicitei a Padre Rômulo uma mensagem para a comunidade católica. Prontamente, ele atendeu ao pedido:
“Uma mensagem a todos os católicos é sempre acreditarem em suas capacidades e talentos em prol da Igreja Católica e da sociedade, construindo um mundo cada vez melhor através de suas atitudes.
Desafios há em todos os âmbitos da vida e em diversos momentos. Mas olhar para a Cruz de Jesus Cristo nos dará coragem para seguir em frente neste mundo, cumprindo a missão que Deus confia a todos.
Perseverar no caminho, na vida, é possibilitar-se ao aprendizado e à vivência do crescimento do Evangelho de Jesus Cristo.
Uma bênção a todos.”

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