domingo, 27 de setembro de 2026

DINOSVANIA MACHADO DE ARAÚJO: o sonho, o foco, a persistência e a carreira de advogada concretizada

 


No itinerário dos serviços, o ESPAÇO DE REFLEXÃO traz a entrevista com a advogada Dinosvania Machado de Araújo. Ela teve sua infância e adolescência vivida no Capão Comprido, tem 38 anos, filha de Sidnei da Silva Machado, o Maneca, e Dina da Silva Machado. Dinosvania é casada com Geldemar Machado de Araújo e mãe do Henrique.

Ela iniciou os estudos nas escolas de sua localidade e concluiu o Ensino Fundamental e o Ensino Médio na Escola Edgardo.

Dinosvania recebeu o ESPAÇO DE REFLEXÃO em seu escritório de advocacia, em Tavares, pois também mantém um escritório em Mostardas. Ao chegar ao local e encontrar uma mulher de estilo elegante e bem-apresentada, quem não conhece sua história poderia imaginar que ela tivesse vindo de uma família de boas condições financeiras, ligada ao campo e proprietária de grandes rebanhos ou extensas áreas de produção.

Mas a história é outra. Dinosvania fez questão de destacar que sua família, formada por três filhos, era de pequenos produtores rurais e enfrentava limitações materiais. Ela própria define aquela realidade como uma vida pobre, marcada por dificuldades durante a infância e a adolescência. Conta que, muitas vezes, não conseguia se vestir como gostaria.

Entre as lembranças daquele período, há uma que permanece especialmente viva. Em um amigo-secreto realizado na escola, ganhou um moletom que se tornou uma verdadeira relíquia para ela. Aquela peça de roupa representava muito, pois, até então, nunca havia tido algo semelhante.

Boa comunicadora, Dinosvania também relata que, já adulta, trabalhou na colheita da cebola, recebendo por dia. Para quem conhece a realidade do trabalho rural na região, sabe o que isso significa: uma jornada inteira de trabalho para alguém, com o pagamento recebido ao final do dia pelo serviço prestado.

Mesmo inserida em um contexto familiar de poucos recursos financeiros, Dinosvania conta que, desde muito jovem — embora não consiga precisar exatamente desde quando — tinha o pensamento de ser advogada. Diante dela havia uma verdadeira “cordilheira” a ser ultrapassada, mas nunca desistiu. A meta permanecia viva.

Aos 19 anos, foi morar em Porto Alegre para trabalhar na casa de uma família, cuidando de uma criança. Seu plano era conseguir conciliar o trabalho com os estudos. No entanto, logo percebeu que isso não seria possível, pois não teria tempo suficiente para estudar. Dinosvania resume aquele momento em uma frase: “Vim embora depois de três meses!”

De volta, começou a trabalhar em um mercado. Depois, inscreveu-se na seleção da Vigilância Ambiental para atuar no combate à dengue, função que exerceu durante dois anos.

Nesse período, Dinosvania fez o curso de Técnico em Segurança do Trabalho e realizou estágio na empresa Sul Pinus. Mais tarde, voltou a trabalhar na Prefeitura, na Secretaria de Saúde, no setor de agendamento. Depois, retornou à Sul Pinus, onde já havia realizado o estágio, agora com um salário melhor.

Foi então que começou a cursar a faculdade de Direito na Anhanguera, em Rio Grande, deslocando-se de segunda a sexta-feira de Tavares. Logo, conquistou uma bolsa de estudos por meio do ENEM, e sua vida começou a dar um salto de qualidade.

Trabalhando e estudando, Dinosvania passou a enxergar cada vez mais próximo o sonho de se tornar advogada. Mesmo tendo de percorrer diariamente cerca de 130 quilômetros em cada sentido — aproximadamente 260 quilômetros entre ida e volta —, além da passagem pela lancha e do trajeto até a faculdade, ela não se intimidava. Para quem nunca teve uma vida de moleza, aquela dificuldade era apenas mais um detalhe no caminho.

Evangélica, Dinosvania atribui sua trajetória à fé. Ao recordar essa caminhada, afirma:

“Foi tudo obra de Deus, eu ter conseguido um bom trabalho e ter chegado à faculdade!”

Foram cinco anos de faculdade até que, finalmente, Dinosvania pudesse realizar o sonho que carregava desde criança: tornar-se bacharel em Direito.

Como acontece com quem conclui o curso de Direito, Dinosvania ainda teria pela frente outra maratona: a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com um ar de sorriso, ela lembra:

“Fiz a prova algumas vezes, mas, se eu havia chegado até aquele momento, não iria desistir. Um dia, com a ajuda de Deus, passei e, enfim, me tornei advogada!”

Nesse intervalo entre a conclusão do curso de Direito e a aprovação na OAB, Dinosvania trabalhou em um escritório de advocacia. Essa experiência foi importante para sua formação profissional, pois lhe proporcionou aquilo que, segundo ela, a faculdade não consegue oferecer plenamente: a vivência prática.

“A vivência prática dos processos, que na faculdade não se aprende”, afirmou.

Com experiência profissional e a carteira da OAB, chegou o momento de montar seu próprio escritório. Na linguagem do Direito, agora, Dra. Dinosvania. O sonho de menina estava, finalmente, realizado.

“Sou grata a Deus por tudo isso!”

Exercendo a advocacia há quatro anos e satisfeita com os resultados alcançados, Dinosvania se considera uma mulher feliz. Seu principal ramo de atuação é o Direito Previdenciário. Atualmente, atende em Tavares e Mostardas e já pensa em ampliar sua atuação para São José do Norte. Quando surgem demandas em áreas com as quais não se identifica, prefere encaminhá-las a colegas da profissão.

A formação, entretanto, continua. Dinosvania conta que concluiu uma especialização em Direito e Processo Civil pela FMP e está realizando o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Gestão Pública Municipal na FURG. 

Foi nesse momento que surgiu uma pergunta que não poderia ficar de fora da entrevista. Afinal, é verdade o que se comenta fora dos escritórios e dos círculos profissionais: Dinosvania pretende ser prefeita de Tavares?

Ela deu um sorriso discreto e respondeu que não tem essa pretensão. A conversa, porém, continuou. Dinosvania perguntou:

“Mas estão falando isso?”

Confirmei que sim. Ela não fez nenhuma afirmação nesse sentido, mas a reação pareceu revelar uma certa satisfação com a informação que acabara de ouvir.

Atualmente, Dinosvania é filiada ao MDB. A conversa prosseguiu e, em determinado momento, ela afirmou:

“Porém, se for vontade de Deus que eu seja...”

A frase veio acompanhada daquele semblante próprio de quem conduz a vida também pela fé. Logo depois, fez questão de reforçar:

“Mas nunca falei que desejava ser prefeita!”

Segundo Dinosvania, não é necessário ocupar o cargo de prefeita para se sentir realizada. Para ela, a própria advocacia já representa uma realização pessoal e profissional. Hoje, afirma que deseja “estar no centro da vontade de Deus”.

Depois de mais de uma hora de conversa, já na conclusão da entrevista, Dinosvania deixou uma possibilidade em aberto. Disse que, se um dia for prefeita, será para fazer a diferença e transformar a vida das pessoas.

E sintetizou aquilo que poderia aproximá-la da política:

“O que me chamaria para a política seria a questão  social".

sábado, 26 de setembro de 2026

VEREADOR VOLMIR, O FORNEIRA: o homem do chapéu, vida e seu modo de fazer política



Volmir Lisboa Vieira, conhecido como Forneira, nasceu na localidade de Olhos D’Água há 56 anos e, posteriormente, foi morar na localidade de Melancias. É um dos quatro irmãos da família e possui Ensino Médio completo. Casado com Márcia da Silva Vieira e pai do Lucas e da Chesia.

Sua vida, desde cedo, não foi fácil. Por volta dos 14 anos, começou a trabalhar na cultura da cebola e, posteriormente, também atuou nas lavouras de arroz. Foi no trabalho do campo que teve suas primeiras experiências profissionais e conheceu de perto a realidade dos trabalhadores rurais.

Já adulto, começou a trabalhar como operador de máquinas na empreiteira Sultepa. Considera esse período importante em sua trajetória, pois foi quando aprendeu a lidar com máquinas, conhecimento que, segundo ele, continua sendo importante até hoje.

Em determinado momento, teve contato com Flávio Rodrigues, que o convidou para trabalhar na Prefeitura. Forneira aceitou o convite e foi nomeado Secretário de Obras.

Segundo ele, “entrei na política incentivado pelo Flávio e pelo Gilson”. Permaneceu por um ano e meio à frente da Secretaria de Obras e, posteriormente, deixou o cargo para concorrer a vereador.

Forneira afirma que o trabalho realizado na área de obras teve reconhecimento inclusive entre os vereadores de oposição da época. Segundo ele, seu desempenho foi tão positivo que recebeu uma Moção de Congratulação de parlamentares que faziam oposição ao governo.

Em 2012, Forneira foi eleito vereador e, desde então, vem sendo reeleito, estando atualmente em seu quarto mandato.

Além da atuação política, também possui uma trajetória de participação comunitária. Foi fundador do time Esportivo, ao lado do falecido vereador Joaquim Ferreira e outros moradores da localidade, mantendo uma relação próxima com atividades da comunidade.

Para Forneira, a oportunidade de trabalhar na Secretaria de Obras representou um verdadeiro teste. Até então, era uma pessoa desconhecida na administração pública e nunca havia exercido uma função de gestão no setor público.

Ele fala com orgulho sobre seu perfil de gestor e afirma que conseguiu conduzir tanto as máquinas quanto as equipes de trabalho. Na relação com os funcionários, diz que sempre pautou suas ações pelo diálogo e pelo acompanhamento próximo dos serviços que precisavam ser realizados.

Forneira comenta que exercia a autoridade de chefe com respeito, pois tinha consciência de que precisava contar com os trabalhadores ao seu lado para cumprir os compromissos assumidos.

Durante a entrevista, quis saber também o significado do chapéu que costuma usar até nas reuniões da Câmara. A resposta veio de forma direta: “O chapéu é o símbolo do colono, é o que me identifica”.

O vereador Forneira se considera um político assistencialista. Segundo ele, costuma levar pessoas que enfrentam problemas de saúde para atendimento em outras cidades. Na área da agricultura, também empresta seu trator e maquinário para quem necessita. “Sou um vereador prestativo”, afirma.

Já nesta altura da entrevista, fiz a pergunta que costumo dirigir aos vereadores: Você é pré-candidato a prefeito em 2028?. A resposta veio prontamente: “Sim, sou pré-candidato a prefeito pelo MDB".

Ao falar sobre suas pretensões, Forneira considera que já foi testado como secretário e que essa experiência lhe deu condições para enfrentar novos desafios. Aponta como características de sua conduta a disposição para o diálogo e o compromisso com a palavra dada. Segundo ele, quando assume um compromisso, trabalha para cumpri-lo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2026

TEREZINHA BRUM: lucidez, experiência e sua história

 




PARTE II

Pelo modo como Terezinha relatou seus trabalhos e suas vivências em diferentes lugares, fica evidente que considera essa trajetória muito positiva. Se tivesse que voltar ao passado e recomeçar, certamente que faria tudo novamente.

No entanto, ela nunca deixou de pensar em suas origens. Na primeira oportunidade que teve para retornar, não pensou duas vezes. Em 1990, Terezinha voltou a Tavares, não apenas para visitar sua família, mas para trabalhar em sua área de formação. Prestou concurso público, foi aprovada e assumiu o cargo durante a gestão de Vilmar Silva, permanecendo na função até a aposentadoria. Foram 23 anos de trabalho no município.

Questionada sobre a experiência adquirida em outros lugares e se ela havia contribuído para sua atuação em Tavares, respondeu que cada lugar tem uma realidade diferente. Segundo ela, porém, a experiência sempre ajuda e proporciona mais confiança para lidar com situações complexas.

O trabalho de assistente social em Tavares, durante diferentes governos, foi marcado, segundo Terezinha, pela ética profissional. Para ela, o assistente social não tem partido: tem o povo, a população e, sobretudo, os segmentos mais necessitados, em diferentes aspectos.

"Meu trabalho na assistência social de Tavares teve ênfase na busca de qualidade de vida das famílias vulneráveis, sociabilização do idoso e incentivo a arte,cultura e esporte com crianças e adolescentes".

Terezinha é mãe de Mayra Brum Papa, 40 anos, assistente social na Prefeitura, dando continuidade ao trabalho da mãe iniciado há cerca de 30 anos.


 A POLÍTICA ENTROU NA SUA VIDA 


Durante a entrevista, veio uma pergunta inevitável: Terezinha tinha contato direto com o público e ajudava as pessoas na resolução de seus problemas. Seu pai havia sido político, assim como seu irmão. Diante desse contexto, você nunca havia pensado em ser candidata?

Terezinha respondeu que até chegou a pensar em alguns momentos, mas logo desistia. Contou que é filiada ao MDB há apenas seis anos e que gosta da política em seu verdadeiro sentido grego: o de cuidar da cidade e ajudar as pessoas. Disse, porém, que não gosta de brigas políticas nem de intrigas.

Foi então que surgiu outra pergunta: como aconteceu sua candidatura a vice-prefeita na eleição passada, já que, até então, ela nunca havia demonstrado interesse em atuar na linha de frente da política?

Segundo Terezinha, o partido precisava de um nome para ocupar a vaga de vice-prefeito. Houve um apelo para que aceitasse o desafio e, diante disso, acabou concordando.

Nesse momento da entrevista, com a voz embargada, Terezinha se emocionou ao lembrar do pai. Disse que, se ele estivesse vivo, provavelmente lhe diria: “Não deixe o partido mal”. A lembrança foi decisiva para sua escolha, somada à história de sua família ligada ao MDB.

“Não me arrependi”

Perguntada se havia se arrependido da decisão de ser vice-prefeita, Terezinha foi direta: “Não me arrependi!”.

Segundo ela, a experiência foi marcante. A atuação política permitiu conhecer melhor o município geograficamente e também a realidade das pessoas. Até então, seu trabalho como assistente social estava mais concentrado na área urbana. A experiência como vice-prefeita possibilitou, portanto, conhecer melhor a realidade do campo.

Complementou dizendo que, "ao ser candidata a vice permitiu conhecer mais de perto a realidade do nosso município".

Durante a entrevista, também foi abordada a questão do preconceito relacionado à sua idade, já que tinha 70 anos quando assumiu a condição de candidata.

Terezinha reconheceu que houve preconceito. Para ela, entretanto, a atividade política não exige vitalidade física. O conhecimento e a vontade de transformar a realidade é  que são fundamentais. 

“Mas não sou mais candidata a nada!”, antecipou-se, antes mesmo que viesse uma nova pergunta sobre o assunto.

A PREOCUPAÇÃO COM A JUSTIÇA SOCIAL DESDE CRIANÇA 

No final da entrevista, Terezinha fez questão de acrescentar que sua preocupação com as questões sociais surgiu ainda quandocriança, talvez por volta dos dez anos de idade.

Ela contou que frequentava bailes nos quais havia uma divisão entre brancos e não brancos. Os brancos permaneciam no salão principal, enquanto os negros ficavam em outro espaço, muitas vezes improvisado.

“ Aquilo me incomodava. Amigas de escola ficavam do outro lado porque não eram brancas”, relatou.

Na sua avaliação, essa experiência ajudou a despertar, desde cedo, uma preocupação com a justiça social.

“Sempre tive a questão da justiça social!”, afirmou.

Terezinha também relaciona sua escolha profissional à convivência com situações de pobreza desde a infância. Lembra que, na venda de seu pai, algumas pessoas chegavam para fazer compras com dinheiro muito limitado. Compravam produtos a granel, em pequenas porções, às vezes em quantidade suficiente apenas para alimentar uma pessoa uma única vez.

“Convivi com a pobreza e ela me comovia”, afirmou.

Segundo Terezinha, essas experiências podem ter contribuído para sua decisão de se tornar assistente social e trabalhar em favor das pessoas necessitadas.

Hoje, aposentada, ela mantém a convicção de que a política, quando exercida com responsabilidade e voltada para as pessoas, pode contribuir para melhorar a vida da população.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

TEREZINHA BRUM: lucidez, experiência e sua história

PARTE I

Há pessoas que, mesmo não sendo mais jovens, preservam uma extraordinária lucidez e continuam raciocinando com a vivacidade e a curiosidade próprias da juventude. A aposentadoria pode significar o encerramento de uma etapa profissional, mas não representa o fim da disposição para pensar, participar e sonhar. Ao contrário, algumas pessoas seguem movidas pela energia mental, pela experiência acumulada e, sobretudo, pela esperança de que ainda é possível transformar a realidade.

Para essas pessoas, a política continua sendo um instrumento de participação e de construção coletiva, capaz de contribuir para melhorar a vida das pessoas e tornar a sociedade mais justa e humana.

É nesse contexto que se insere Terezinha Brum. Seu raciocínio e sua capacidade de relacionar diferentes contextos colocam-na na condição de uma mulher que ainda pode contribuir muito para a reflexão sobre as relações humanas, a cidade e os caminhos para o avanço da cidadania.

O Espaço de Reflexão foi ouvi-la em uma prosa envolvente. Foram tantas as ideias, lembranças e reflexões compartilhadas que, talvez, tenha sido necessário fazer um recorte e fazer uma segunda parte para esta modalidade de entrevista. Ainda assim, permanecem nesta conversa aspectos importantes de sua trajetória pessoal e profissional.

AS ORIGENS NO CAMPO DA HONRA 

Terezinha Brum nasceu há 72 anos no Campo da Honra. Seu nascimento foi acompanhado pela parteira Arlinda do Augusto Major, nome que ela fez questão de registrar ao relembrar suas origens.

É filha de Otília de Araújo Brum, da Costa de Cima, em Mostardas, e de Sezesnando Gonçalves Brum, agricultor e comerciante, filho de Juca B., das Guaritas. Terezinha cresceu em uma família de três irmãos: Jair, já falecido, Nilson e ela.

Sua mãe, Otília, começou a lecionar na Escola do Biloca e, posteriormente, foi para o Campo da Honra. Ao falar sobre ela, Terezinha destaca sua inteligência e, principalmente, o incentivo que dava aos estudos dos filhos.

Ao recordar a infância e a juventude, Terezinha também contextualiza o modo de vida daquela época. Segundo ela, naquele período os filhos obedeciam aos pais, algo que fazia parte da cultura familiar e social, praticamente sem exceções.

Os pais não costumavam sustentar os filhos indefinidamente, mesmo quando tinham condições para isso. Os jovens precisavam trabalhar, conquistar seu próprio dinheiro e aprender a se virar. Muitos pais mandavam os filhos estudar na cidade e, caso fossem reprovados, eles retornavam para casa para trabalhar.

Otília, segundo Terezinha, era uma grande incentivadora da educação dos filhos. Nilson foi estudar em Rio Grande, enquanto Terezinha e Jair foram para Pelotas.

FORMAÇÃO E PRIMEIROS TRABALHOS

Terezinha concluiu o segundo grau e também o curso técnico em Contabilidade. Posteriormente, prestou vestibular na Universidade Católica de Pelotas (UCPel), onde ingressou no curso de Serviço Social.

Depois de formada, trabalhou por um curto período na Caixa Econômica Federal, como agente administrativa. Em seguida, sua trajetória profissional a levou para longe de sua terra natal.

Participou do Projeto Rondon, no Mato Grosso, durante um mês. Em 1985, retornou à região Norte do país, desta vez para trabalhar em Rondônia como assistente social, atividade que exerceu até o final de 1988.

A experiência de viver durante um período no Norte do Brasil foi significativa para Terezinha. Ela conheceu novas culturas, pessoas com diferentes modos de vida e realidades distintas daquela em que havia crescido. Essa vivência contribuiu para ampliar sua experiência de vida e sua maneira de compreender o mundo — algo que, segundo ela, permanece até hoje.

A EXPERIÊNCIA EM RONDÔNIA 

No Norte, Terezinha atuou, como ela própria define, em “um projeto arrojado de ouvir as pessoas”. A experiência permitiu que trabalhasse com diferentes públicos.

“Lá tive experiência com idosos, crianças e adolescentes”, lembra.

Em Rondônia, Terezinha exerceu a função de delegada de Assistência Social, atividade que, segundo sua descrição, tinha características semelhantes às de uma secretaria de Assistência Social nos moldes atuais.

Também coordenou o departamento de trabalho, realizando o cadastro de pessoas desempregadas para encaminhamento ao mercado de trabalho. Além disso, promoveu capacitações para agentes de lojas.

Sua atuação profissional ocorreu nas cidades de Espigão do Oeste e, posteriormente, Pimenta Bueno. Na primeira, a população girava em torno de 12 mil habitantes. Terezinha recorda que havia três hospitais particulares e um hospital público, com atendimento 100% gratuito.

A segunda cidade tinha cerca de 40 mil habitantes. 

Entre as iniciativas de que participou, lembra especialmente da realização da Olimpíada do Trabalhador, que reunia diversas modalidades esportivas.

 UMA TRAJETÓRIA MSRCADA PELA EXPERIÊNCIA 

A passagem de Terezinha pelo Norte do Brasil representou mais do que uma etapa profissional. Foi também um período de contato com diferentes pessoas, culturas e formas de viver. Essas experiências contribuíram para ampliar sua visão sobre a sociedade e sobre as relações humanas.

Em 1988 e 1989, sua trajetória profissional ganhou um novo capítulo. Terezinha foi para São Paulo, onde passou a trabalhar como assistente social na prefeitura de Nova Europa.

Sua história, portanto, é marcada por deslocamentos, estudos, trabalho, contato com diferentes realidades e, sobretudo, pela disposição de ouvir e compreender as pessoas. Uma trajetória que ajuda a explicar a lucidez com que, ainda hoje, observa a sociedade, a política e os caminhos possíveis para melhorar a vida coletiva.

Amanhã a entrevista com Terezinha continua, daí ela retorna para Tavares e trabalha até se aposentar na Prefeitura. Nesta segunda etapa ela vai, ainda, mais fundo na análise, traz questionamentos para reflexões para aqueles que desejam entender melhor Tavares.

PONTE RIO GRANDE-SÃO JOSÉ DO NORTE: o que foi dito por Jair Rizzo






A ponte entre Rio Grande e São José do Norte é uma luta de 26 anos de Jair Rizzo, político de Rio Grande. Trata-se de um sonho que reúne esforços de quase três décadas.

Embora Rio Grande e São José do Norte estejam geograficamente muito próximas, as duas cidades permanecem, ao mesmo tempo, distantes. Um canal separa os dois municípios, e o acesso atualmente é feito por lancha, para o transporte de passageiros, e por balsa, para caminhões e automóveis.

O transporte por balsa ocorre somente durante o dia e está sujeito às condições do tempo. As viagens são realizadas, normalmente, de hora em hora, podendo chegar a intervalos de duas horas entre uma viagem e outra.

Diante desse cenário, o Espaço de Reflexão procurou Jair Rizzo para saber como está a situação do projeto e se a construção da ponte continua nos planos. A pergunta foi direta: o projeto continua? A ponte vai sair?

Rizzo respondeu:

“Seguimos cobrando e trabalhando com muita determinação pela realização do maior e mais importante projeto de infraestrutura da nossa história.”

Jair Rizzo é presidente da Associação Pró-Ponte RG/SJN e coordenador da Comissão Regional Pró-Ponte Rio Grande e São José do Norte. É primeiro suplente de vereador e atual secretário municipal do Interior de Rio Grande.

Segundo ele, na semana passada houve uma conversa com a Assessoria Parlamentar do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), em Brasília.

Conforme relatou Rizzo, os projetos executivos de engenharia da ponte entre Rio Grande e São José do Norte foram licitados em 14 de maio de 2025, tendo como vencedora a empresa Nova Engenharia. No entanto, antes da emissão da Ordem de Início dos projetos executivos, em novembro, a empresa sofreu uma sanção jurídica do DNIT e ficou impedida de realizar os projetos.

A empresa recorreu da decisão do DNIT, e, segundo Rizzo, o processo ainda não foi julgado.

Ainda conforme a informação obtida por ele, após o encerramento do prazo para recursos e com a decisão final do processo, o DNIT deverá convocar a empresa que ficou em segundo lugar na licitação.

Isso significa, segundo Rizzo, que o projeto da ponte continua na agenda do DNIT, restando superar o impasse jurídico que envolve a empresa vencedora da licitação.

A construção da ponte representaria uma mudança significativa na ligação entre Rio Grande e São José do Norte. As duas cidades, que hoje estão separadas pelo canal e dependem do transporte por balsa e lancha, poderiam ficar muito mais próximas e integradas.

Para quem vive em municípios da região, como Tavares, a obra também teria reflexos importantes. O acesso a Rio Grande, uma das cidades de maior porte mais próximas, ficaria mais fácil, inclusive para deslocamentos relacionados a serviços de saúde e outras necessidades.

Assim, o sonho de aproximar definitivamente Rio Grande e São José do Norte continua fazendo parte da luta daqueles que defendem a construção da ponte.


quarta-feira, 23 de setembro de 2026

ADANIRA E ANDERSON: coragem para mudar e transformar oportunidades em conquistas

 


A vida também exige movimento, adaptação e capacidade de perceber quando é preciso mudar de direção. Há pessoas que permanecem fazendo sempre a mesma coisa, mesmo quando os resultados já não correspondem às expectativas, seja por acomodação, medo de arriscar ou apego ao que já conhecem. Outras, porém, têm um espírito mais empreendedor: observam a realidade, identificam novas possibilidades e, quando determinado ramo de atuação ou trabalho deixa de oferecer bons resultados, não hesitam em buscar novos caminhos.

Essa disposição para aprender, experimentar e recomeçar pode transformar dificuldades em oportunidades e abrir portas para novas conquistas. É justamente nesse perfil que se enquadra a trajetória do casal Adanira e Anderson.

Adanira da Costa Gondran é natural de Tavares e, hoje, aos 47 anos, divide a vida com Anderson Gondran, 48 anos, de Rio Grande. Os dois se conheceram quando ela foi para Rio Grande fazer um curso de informática quando ela tinha 18 anos. O namoro evoluiu e, algum tempo depois, decidiram se casar.

Depois do casamento, resolveram morar em Tavares e trabalhar na atividade agrícola tradicional de suas famílias: o cultivo de cebola.

Durante alguns anos, enfrentaram as dificuldades próprias da atividade e seguiram trabalhando com a cebola. Chegou, porém, um momento em que o ciclo desse cultivo na região começou a chegar ao fim. E o problema não atingia apenas Adanira e Anderson, mas muitos produtores que dependiam daquela atividade.

Adanira resume aquele período: “Paramos com a cebola, pois começou a dar prejuízo.”

Anderson passou a trabalhar na SUL PINOS, como soldador, enquanto Adanira ainda permaneceu por algum tempo ligada ao cultivo da cebola. Como a atividade já rendia pouco e ela não queria que apenas Anderson fosse responsável pela renda da família, decidiu buscar uma nova alternativa.

Foi então trabalhar em um comércio de peças e acessórios para automóveis e motos pertencente a um primo.

Dois anos depois, o primo decidiu vender o estabelecimento. Adanira recebeu a proposta de assumir o negócio. Gostou da ideia, conversou com Anderson e os dois passaram a analisar cuidadosamente a possibilidade. Não era uma decisão fácil. Havia pouco dinheiro disponível para o investimento e muitas dúvidas sobre o futuro.

Mas, naquele momento, a coragem foi maior do que o medo.

O casal decidiu comprar os produtos que pertenciam ao estabelecimento e assumir o comando do empreendimento.

Anderson continuou trabalhando na empresa como soldador, pois era dali que viria a renda necessária para garantir o sustento básico da família enquanto o novo negócio começava a se consolidar.

Como acontece com muitos empreendimentos, os resultados não aparecem imediatamente. Com Adanira e Anderson não foi diferente. Os primeiros tempos foram de muito trabalho, preocupação e dificuldades financeiras.

“No início foi difícil. Vendia as peças num dia e, no outro, usava o dinheiro para repor. Era boleto e boleto. Chegavam momentos em que parecia que eu não iria conseguir seguir com o negócio. Mas não desisti”, contou Adanira.

Hoje, já se passaram cerca de cinco anos desde que assumiram o empreendimento, e, segundo ela, a fase mais difícil ficou para trás.

Perguntei a Adanira como havia aprendido a conhecer as peças e se tinha feito algum curso específico para trabalhar no ramo. Ela deu uma risadinha e respondeu que, no começo, “não sabia nem o que era um pivô”. Depois, completou: “Fui aprendendo no dia a dia.”

Adanira conta que levou quase dois anos para ter certeza de que o empreendimento realmente daria certo. Quando percebeu que o negócio havia se consolidado, chegou o momento de Anderson deixar a empresa onde trabalhava e passar a atuar ao lado dela.

A partir daí, os dois passaram a dividir as funções. Adanira ficou responsável pelas vendas, enquanto Anderson passou a trabalhar como mecânico e soldador. Assim, enquanto ela vendia a peça, ele entrava com a mão de obra.

Nesse estágio do empreendimento, Adanira já pode ser considerada uma empreendedora que encontrou seu caminho, embora ela própria seja bastante modesta ao falar sobre isso. Seu pensamento está voltado para continuar crescendo e melhorar cada vez mais o negócio.

“Pretendo vender com preço menor e vender mais quantidade”, afirmou.

Outro passo importante para o casal foi a compra do prédio onde funciona o empreendimento. Ao deixar de pagar aluguel, a situação financeira melhorou e trouxe mais segurança para a continuidade do negócio.

Ao final da entrevista, pedi a Adanira que deixasse uma mensagem para quem tem um sonho, pensa em empreender ou está enfrentando dificuldades para fazer um projeto dar certo.

Ela foi direta e sintetizou sua experiência em uma frase:

“NÃO DESISTA DE SEUS SONHOS!”

Adanira também lembrou uma frase que ouviu certa vez de um primo: “Cavalo encilhado não passa duas vezes.”

A trajetória de Adanira e Anderson mostra que mudar de caminho não significa desistir. Muitas vezes, significa perceber que uma determinada atividade chegou ao seu limite e ter coragem para procurar novas possibilidades.

Hoje, o casal leva uma vida melhor do ponto de vista material. Mas nada foi conquistado com facilidade. Foi preciso trabalhar muito, persistir, manter o foco e, principalmente, acreditar que era possível começar de novo.

A história também revela que o espírito empreendedor não depende apenas de grandes investimentos ou de conhecimentos adquiridos em cursos. Muitas vezes, ele nasce da necessidade, da disposição para aprender e da coragem de enfrentar aquilo que ainda é desconhecido.

Adanira começou sem saber sequer o que era um pivô. Aprendeu no cotidiano, enfrentou as dificuldades e, passo a passo, construiu seu próprio caminho.

Fora do trabalho, o casal leva uma vida simples e caseira. Durante o verão, costuma aproveitar os fins de semana para ir à praia. A família também acompanha os estudos e as conquistas das filhas: a mais velha A mais velha é bacharel em direito e pós graduanda em direito civil e processual civil e direito do agronegócio, enquanto a mais nova, Camila, cursa Ciências Contábeis.

A história de Adanira e Anderson fica, assim, como uma inspiração para quem pensa em empreender: nem sempre é possível escolher as circunstâncias, mas é possível escolher como reagir diante delas. Às vezes, é justamente quando um caminho chega ao fim que surge a oportunidade de começar outro.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

SANDRO BARBOSA: de militar a empreendedor

 


Viver, em síntese, é estar permanentemente diante de escolhas: algumas impostas pelas circunstâncias, outras abertas pela liberdade de decidir.


É dentro dessa perspectiva que o Espaço de Reflexão teve uma longa prosa com Sandro Barbosa Santos, para ouvir sobre as escolhas que fez a partir do início da juventude e conhecer um pouco mais da trajetória que construiu ao longo da vida.


Sandro nasceu na localidade de Capão Comprido, em Tavares, há 53 anos, filho de Saite Novely dos Santos e Aida Barbosa dos Santos . Na adolescência, trabalhava com a família nas atividades de agricultura, pecuária e comércio. Estudou na Escola Onofre Pires até a quarta série e, posteriormente, passou a frequentar a Escola Estadual Edgardo Pereira Velho, onde concluiu o Ensino Fundamental e o Ensino Médio.


Como vimos no início desta narrativa, Sandro tinha mais de uma possibilidade para seguir no mundo do trabalho. Poderia continuar na agricultura, na pecuária ou no comércio, atividades que já faziam parte de sua realidade familiar. Entretanto, nenhuma dessas opções foi a escolhida pelo jovem.


Por volta dos 20 anos, Sandro decidiu seguir outro caminho: ingressar na carreira militar.


A ESCOLHA PELA BRIGADA MILITAR 


Perguntei o que o levou a procurar a Brigada Militar. A resposta veio acompanhada da lembrança de um amigo, Rudimar Pereira, que já fazia parte da corporação. As conversas entre os dois despertaram em Sandro o interesse pela carreira militar e o levaram a comunicar à família que participaria do concurso para ingressar na Brigada.


Os pais, inicialmente, ficaram um tanto receosos, pois consideravam a atividade perigosa. Mas o jovem estava decidido.


Na primeira tentativa, em Osório, Sandro não conseguiu ser aprovado na prova física. Poderia ter desistido ali, mas preferiu encarar o resultado como mais um obstáculo a ser superado. Preparou-se novamente, investiu no condicionamento físico e voltou a enfrentar o desafio.


Na segunda tentativa, foi a Viamão. Dessa vez, o esforço foi recompensado: Sandro conseguiu a aprovação para o curso de formação. Foram cerca de um ano de preparação, dedicação e persistência até alcançar o objetivo.


Perguntei se, ao chegar ao centro de preparação, suas expectativas haviam sido correspondidas ou se, diante das dificuldades, chegou a pensar que talvez aquele não fosse o caminho que desejava seguir. Quis saber também se em algum momento pensou em retornar às atividades agrícolas ou comerciais.


Sandro contou que o início não foi fácil. Vieram os desafios constantes, a disciplina e a rigidez próprias da formação militar. Mesmo assim, continuou. Aos poucos, foi se adaptando ao ofício e compreendendo melhor a escolha que havia feito.


Veio a formatura e, posteriormente, a primeira lotação: Gravataí, onde permaneceu por dois anos.


A CAMINHADA MILITAR E O ENCONTRO COM TATIANI


Foi em Gravataí que Sandro deu os primeiros passos de sua caminhada profissional como militar. Mas não foi somente isso que marcou aquele período. Por lá, também conheceu uma namorada.


A história de Sandro e Tatiane começou naquele período, transformou-se em relacionamento e, posteriormente, em casamento, passando a ser Tatiane KeplerdosSantos. Os dois seguem juntos até hoje.


Dessa união vieram dois filhos: Stefany, de 28 anos, e Gustavo, de 19 anos.


Mais tarde, Sandro foi transferido para o agrupamento da Brigada Militar de Tavares. Tatiane veio com ele, e foi no município que a família estabeleceu sua vida e permanece até hoje.


Ao todo, foram 26 anos de atuação na Brigada Militar, trajetória que culminou com sua promoção a Sargento.


OS DESAFIOS DA PROFISSÃO 


Perguntei a Sandro qual havia sido o desafio mais marcante de sua trajetória como brigadiano. Entre as lembranças, destacou o assalto ao Banrisul de Tavares, ocorrido quando era responsável pelo grupamento da Brigada Militar no município.


Naquele momento, porém, Sandro estava em Mostardas, atendendo a outra ocorrência. Também recordou o assalto aos Correios e a um mercado, situações que exigiram atenção e trabalho policial.


No caso dos Correios e do mercado, as ocorrências foram elucidadas e os responsáveis acabaram presos. São episódios que permanecem na memória de quem vivenciou, no exercício da profissão, momentos de tensão e responsabilidade.


DA APOSENTADORIA AO EMPREENDEDORISMO 


Chegou, então, a aposentadoria. Para muitas pessoas, esse momento representa a oportunidade de diminuir o ritmo, recolher-se à chamada “zona de conforto”, ficar mais em casa e afastar-se dos compromissos profissionais.


Para Sandro, porém, não foi assim.


À medida que a aposentadoria se aproximava, ele já começava a se preparar para uma nova atividade: o comércio de automóveis. Assim que deixou a Brigada Militar, passou a dedicar-se ao ramo e tornou-se empresário na área de compra e venda de veículos.


Sandro fala com satisfação sobre essa nova etapa da vida. Conta que já são cerca de 20 anos trabalhando com a compra e venda de automóveis e diz sentir-se realizado com o negócio. Segundo ele, há clientes que já realizaram até seis trocas de automóvel com ele ao longo dos anos.


É outra escolha que se soma à sua trajetória. Depois de uma carreira de 26 anos na Brigada Militar, Sandro encontrou no empreendedorismo uma nova maneira de continuar trabalhando e mantendo-se ativo.


A FAMÍLIA E A VIDA ATUAL 


Perguntei a Sandro como definiria sua família atualmente. Ele pensou por alguns instantes e respondeu que se considera parte de uma “família caseira”.


No verão, entretanto, o cenário muda um pouco. A família costuma aproveitar os fins de semana para ir à praia e desfrutar momentos de lazer juntos.


Sandro se diz um homem feliz por ter construído sua trajetória na Brigada Militar e, atualmente, também por atuar como empresário. Tatiane, sua esposa, é professora e ainda não dispõe de tanto tempo livre. Mesmo assim, os dois procuram aproveitar da melhor maneira possível os momentos que conseguem compartilhar.


A história de Sandro mostra, mais uma vez, que a vida é feita de escolhas. Em alguns momentos, existem poucas alternativas; em outros, os caminhos se multiplicam. Ele poderia ter permanecido na agricultura, na pecuária ou no comércio familiar, mas decidiu buscar uma nova profissão. Depois, quando chegou a aposentadoria, novamente teve diante de si a possibilidade de escolher.


Escolheu continuar trabalhando, desta vez como empresário.


Sua trajetória revela, assim, o movimento permanente entre as circunstâncias e as possibilidades. Algumas escolhas surgem das condições que a vida apresenta; outras nascem da vontade de buscar novos caminhos. No fim, são essas decisões que, pouco a pouco, ajudam a construir a história de cada pessoa.