No itinerário dos serviços, o ESPAÇO DE REFLEXÃO traz a entrevista com a advogada Dinosvania Machado de Araújo. Ela teve sua infância e adolescência vivida no Capão Comprido, tem 38 anos, filha de Sidnei da Silva Machado, o Maneca, e Dina da Silva Machado. Dinosvania é casada com Geldemar Machado de Araújo e mãe do Henrique.
Ela iniciou os estudos nas escolas de sua localidade e concluiu o Ensino Fundamental e o Ensino Médio na Escola Edgardo.
Dinosvania recebeu o ESPAÇO DE REFLEXÃO em seu escritório de advocacia, em Tavares, pois também mantém um escritório em Mostardas. Ao chegar ao local e encontrar uma mulher de estilo elegante e bem-apresentada, quem não conhece sua história poderia imaginar que ela tivesse vindo de uma família de boas condições financeiras, ligada ao campo e proprietária de grandes rebanhos ou extensas áreas de produção.
Mas a história é outra. Dinosvania fez questão de destacar que sua família, formada por três filhos, era de pequenos produtores rurais e enfrentava limitações materiais. Ela própria define aquela realidade como uma vida pobre, marcada por dificuldades durante a infância e a adolescência. Conta que, muitas vezes, não conseguia se vestir como gostaria.
Entre as lembranças daquele período, há uma que permanece especialmente viva. Em um amigo-secreto realizado na escola, ganhou um moletom que se tornou uma verdadeira relíquia para ela. Aquela peça de roupa representava muito, pois, até então, nunca havia tido algo semelhante.
Boa comunicadora, Dinosvania também relata que, já adulta, trabalhou na colheita da cebola, recebendo por dia. Para quem conhece a realidade do trabalho rural na região, sabe o que isso significa: uma jornada inteira de trabalho para alguém, com o pagamento recebido ao final do dia pelo serviço prestado.
Mesmo inserida em um contexto familiar de poucos recursos financeiros, Dinosvania conta que, desde muito jovem — embora não consiga precisar exatamente desde quando — tinha o pensamento de ser advogada. Diante dela havia uma verdadeira “cordilheira” a ser ultrapassada, mas nunca desistiu. A meta permanecia viva.
Aos 19 anos, foi morar em Porto Alegre para trabalhar na casa de uma família, cuidando de uma criança. Seu plano era conseguir conciliar o trabalho com os estudos. No entanto, logo percebeu que isso não seria possível, pois não teria tempo suficiente para estudar. Dinosvania resume aquele momento em uma frase: “Vim embora depois de três meses!”
De volta, começou a trabalhar em um mercado. Depois, inscreveu-se na seleção da Vigilância Ambiental para atuar no combate à dengue, função que exerceu durante dois anos.
Nesse período, Dinosvania fez o curso de Técnico em Segurança do Trabalho e realizou estágio na empresa Sul Pinus. Mais tarde, voltou a trabalhar na Prefeitura, na Secretaria de Saúde, no setor de agendamento. Depois, retornou à Sul Pinus, onde já havia realizado o estágio, agora com um salário melhor.
Foi então que começou a cursar a faculdade de Direito na Anhanguera, em Rio Grande, deslocando-se de segunda a sexta-feira de Tavares. Logo, conquistou uma bolsa de estudos por meio do ENEM, e sua vida começou a dar um salto de qualidade.
Trabalhando e estudando, Dinosvania passou a enxergar cada vez mais próximo o sonho de se tornar advogada. Mesmo tendo de percorrer diariamente cerca de 130 quilômetros em cada sentido — aproximadamente 260 quilômetros entre ida e volta —, além da passagem pela lancha e do trajeto até a faculdade, ela não se intimidava. Para quem nunca teve uma vida de moleza, aquela dificuldade era apenas mais um detalhe no caminho.
Evangélica, Dinosvania atribui sua trajetória à fé. Ao recordar essa caminhada, afirma:
“Foi tudo obra de Deus, eu ter conseguido um bom trabalho e ter chegado à faculdade!”
Foram cinco anos de faculdade até que, finalmente, Dinosvania pudesse realizar o sonho que carregava desde criança: tornar-se bacharel em Direito.
Como acontece com quem conclui o curso de Direito, Dinosvania ainda teria pela frente outra maratona: a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com um ar de sorriso, ela lembra:
“Fiz a prova algumas vezes, mas, se eu havia chegado até aquele momento, não iria desistir. Um dia, com a ajuda de Deus, passei e, enfim, me tornei advogada!”
Nesse intervalo entre a conclusão do curso de Direito e a aprovação na OAB, Dinosvania trabalhou em um escritório de advocacia. Essa experiência foi importante para sua formação profissional, pois lhe proporcionou aquilo que, segundo ela, a faculdade não consegue oferecer plenamente: a vivência prática.
“A vivência prática dos processos, que na faculdade não se aprende”, afirmou.
Com experiência profissional e a carteira da OAB, chegou o momento de montar seu próprio escritório. Na linguagem do Direito, agora, Dra. Dinosvania. O sonho de menina estava, finalmente, realizado.
“Sou grata a Deus por tudo isso!”
Exercendo a advocacia há quatro anos e satisfeita com os resultados alcançados, Dinosvania se considera uma mulher feliz. Seu principal ramo de atuação é o Direito Previdenciário. Atualmente, atende em Tavares e Mostardas e já pensa em ampliar sua atuação para São José do Norte. Quando surgem demandas em áreas com as quais não se identifica, prefere encaminhá-las a colegas da profissão.
A formação, entretanto, continua. Dinosvania conta que concluiu uma especialização em Direito e Processo Civil pela FMP e está realizando o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Gestão Pública Municipal na FURG.
Foi nesse momento que surgiu uma pergunta que não poderia ficar de fora da entrevista. Afinal, é verdade o que se comenta fora dos escritórios e dos círculos profissionais: Dinosvania pretende ser prefeita de Tavares?
Ela deu um sorriso discreto e respondeu que não tem essa pretensão. A conversa, porém, continuou. Dinosvania perguntou:
“Mas estão falando isso?”
Confirmei que sim. Ela não fez nenhuma afirmação nesse sentido, mas a reação pareceu revelar uma certa satisfação com a informação que acabara de ouvir.
Atualmente, Dinosvania é filiada ao MDB. A conversa prosseguiu e, em determinado momento, ela afirmou:
“Porém, se for vontade de Deus que eu seja...”
A frase veio acompanhada daquele semblante próprio de quem conduz a vida também pela fé. Logo depois, fez questão de reforçar:
“Mas nunca falei que desejava ser prefeita!”
Segundo Dinosvania, não é necessário ocupar o cargo de prefeita para se sentir realizada. Para ela, a própria advocacia já representa uma realização pessoal e profissional. Hoje, afirma que deseja “estar no centro da vontade de Deus”.
Depois de mais de uma hora de conversa, já na conclusão da entrevista, Dinosvania deixou uma possibilidade em aberto. Disse que, se um dia for prefeita, será para fazer a diferença e transformar a vida das pessoas.
E sintetizou aquilo que poderia aproximá-la da política:
“O que me chamaria para a política seria a questão social".







