sábado, 3 de outubro de 2026

BETO E VERA: um casal que se realiza entre o trabalho e a família



O Espaço de Reflexão está começando a circular por diversos lugares de Tavares, tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais. Desta vez, chegamos à localidade de Olhos D’Água, para visitar o casal Carlos Roberto Brum Chaves, o Beto do Domingos, e Vera Mariza Chaves.

A noite estava fria, mas somente do lado de fora. Na residência de Beto e Vera, o ambiente estava aquecido, não apenas pelo calor agradável do fogão a lenha, mas, principalmente, pela prazerosa recepção dos anfitriões ao Espaço de Reflexão para uma boa prosa.

Durante a tarde, Vera deu início aos preparativos da galinha planejada para o jantar. Mais tarde, já à noite, Beto assumiu o comando da culinária. Enquanto o bate-papo acontecia, ele ia até o fogão para acompanhar de perto o preparo da comida. Entre uma pergunta e outra, a conversa seguia acompanhada pelo cheiro apetitoso da galinha caseira.

AS HISTÓRIAS DE BETO 

Beto do Domingos, ou simplesmente Beto, nasceu e foi criado na localidade de Olhos D’Água, há 67 anos. Vera nasceu na Tapera e tem 65 anos.

Beto estudou até a quinta série na escola da comunidade. Depois, foi para Osório, onde fez o exame de admissão ao Ginásio, equivalente ao atual Ensino Fundamental, mas não obteve aprovação. Na sequência, foi para a Escola Rural, onde concluiu o primeiro e o segundo graus.

Em Osório, Beto começou a trabalhar na Rádio Osório, como locutor de comerciais e também na parte técnica, atividade que exerceu durante quatro anos. Teve ainda uma breve passagem pela TV Guaíba.

Ele lembra a experiência com satisfação:

“Foi uma experiência muito boa. Fazíamos cobertura esportiva pelo Estado.”

Mas Beto era filho único e o pai possuía propriedades em Tavares. Naquele momento, não via futuro em continuar trabalhando na rádio. Decidiu, então, retornar para Tavares e ajudar a família na plantação de cebola. Na década de 1980, plantar cebola era considerado um bom negócio.

“Fui caminhoneiro, levava cebola para São Paulo e Rio de Janeiro”, conta Beto.

E assim seguiu sua trajetória como homem ligado ao agro. Sobre a escolha que fez, é direto:

“Não me arrependi nem um pouco.”

A TRAJETÓRIA DE VERA

Vera estudou na escola da Tapera até a quinta série. Da sexta à oitava série, frequentou a Escola Marcelo Gama, em Mostardas. Depois, foi para Rio Grande, onde estudou o segundo grau na Escola Joana D’Arc, mas acabou reprovando.

Retornou e decidiu cursar o Magistério em Osório. Determinada a seguir a carreira de professora, posteriormente foi fazer faculdade de Ciências em Santa Cruz do Sul.

FAMILIA,FILHOS E CONTINUIDADE

Beto e Vera se casaram quando ele tinha 24 anos e ela, 22. O casal teve três filhos: Roberta, Vinicius e Gustavo.

Roberta é professora de Letras e está concluindo um segundo curso, em História. Trabalha na rede municipal de ensino de Mostardas.

Vinicius cursou Turismo e Administração e trabalha no Banrisul como gerente de Agronegócio.

Gustavo é engenheiro eletricista e trabalha na RGE, planejando seu futuro profissional no setor de subestações.

Perguntei a Beto qual dos filhos poderá ser seu sucessor no agro. Ele respondeu que todos podem no futuro tomaram comando dos negócios.  Hoje o Vinicius é quem tem mais se aproximado desse caminho.  Inclusive, talvez por atuar profissionalmente no agronegócio no banco.

Beto também lembrou que, durante cerca de dez anos, manteve um comércio no Joaquim Ferreira.

Atualmente, dedica-se à criação de gado e à produção de resina.

UMA BREVE PASSAGEM PELA POLÍTICA 

Quando perguntei sobre sua participação na política, Beto logo deixou claro que não sente saudade daquela experiência. Ele ocupou, durante quatro meses, o cargo de secretário de Obras no governo de Ari Alfredo Costa.

Foi uma passagem breve, diferente da trajetória que construiu no campo e nas atividades ligadas ao agro.

FÉ E FAMÍLIA 

Vera e Beto são um casal católico e participativo. Dizem-se felizes pelos filhos e, sobretudo, pela boa relação existente entre eles.

Vera demonstra gratidão pela família que construiu:

“Agradeço a Deus pelas noras que temos e pelos netos Henrique, Aurora e Valentim, que está a caminho.”

Enquanto a conversa avançava, Beto fez o convite para saborearmos a galinha caseira, que já deixava no ar um cheiro apetitoso e anunciava que a prosa estava chegando a um dos momentos mais esperados da noite.

E ainda há tempo para o lazer?

Antes de encerrar a conversa, fiz uma última pergunta ao casal: diante de tanto trabalho, sobra tempo para o lazer da família?

A resposta foi sim.

No verão, a praia faz parte dos planos. O Farol é um dos destinos e, uma vez por ano, também costumam visitar as praias de Santa Catarina.

Vera, porém, ainda guarda um desejo:

“Ainda quero ir a Aparecida, em São Paulo.”

Ficou faltando perguntar por que a viagem ainda não aconteceu. Talvez seja justamente a falta de tempo, sempre tão disputado entre o trabalho, a família e as responsabilidades do dia a dia.

E assim terminou mais uma prosa do Espaço de Reflexão, desta vez em Olhos D’Água, na casa de Beto e Vera, onde o frio da noite ficou do lado de fora e, dentro de casa, o calor do fogão a lenha se misturou ao calor humano de uma família que tem muitas histórias para contar.


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