domingo, 4 de outubro de 2026

RUBINHO BARBOSA: uma história de superação, fé e luta pela vida

 


Rubens Moraes Barbosa, mais conhecido como Rubinho Barbosa, poderia ser apenas mais um cidadão tavarense, como tantos outros. No entanto, sua trajetória é marcada por desafios, superação e, sobretudo, pela força da fé. Talvez não apenas pela própria vontade, mas por uma força que, segundo ele, vem de cima. No decorrer deste bate-papo, o leitor entenderá ao que estou me referindo.


Rubinho Barbosa nasceu e foi criado na localidade do Posto, há 72 anos, vindo ao mundo com a ajuda da parteira Maria Luiza. Seu pai, Antônio Marques Barbosa, natural do Bacopari, era tropeiro e costumava levar gado para São José do Norte. Em uma dessas viagens, por um motivo que não se sabe ao certo, acabou ficando no Capão Comprido, na propriedade de Franklin Araújo, conhecido como Franco.

Foi lá que Antônio se casou com Joventina. O casal teve nove filhos. Antônio aprendeu a plantar cebola, atividade que acabou se tornando seu meio de vida, pois esse era o principal produto cultivado pelas famílias daquela região na época.

Mais tarde, Antônio mudou-se do Capão Comprido para a localidade do Posto, em Tavares. Foi ali que Rubinho iniciou seus estudos na Escola das Barracas, onde frequentou as aulas até a quarta série. Depois, foi para a Escola Edgardo Pereira Velho, onde cursou a quinta e parte da sexta série. Somente depois de adulto voltou aos estudos para concluir o Ensino Fundamental.

A PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA

Rubinho Barbosa demonstra orgulho ao falar de sua participação na política de Tavares. Quando aconteceu a emancipação política do distrito e foi criado o novo município, lá estava ele, participando dos primeiros passos da administração municipal.

“Fui um o primeiro Secretário de Obras de Tavares, no governo Ari Alfredo Costa, a partir de 1983. Ajudei a organizar a primeira EXPOCACE, acho que em 1984. Construímos, enquanto Secretário de Obras, o acesso a seco à praia, hoje a Trilha da Veia Terra,  em 1984, em terreno doado pela dona Amélia, esposa do seu Zeca Camilo”, recorda.

Rubinho permaneceu como secretário até 1987. Depois, entre 1987 e 1989, foi presidente da Colônia dos Pescadores.

Em 1988, concorreu ao cargo de vereador e ficou como primeiro suplente. Em 1991, já em um novo partido, voltou a trabalhar na Secretaria de Obras, durante o governo de Dr. Vilmar Silva(MDB). No ano seguinte, em 1992, concorreu novamente a vereador, pelo PDT, desta vez sendo eleito para um mandato de quatro anos.

Naquele período, além da atividade política, Rubinho também trabalhava no cultivo de arroz e cebola.


FAMÍLIA E PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE

Casado com Andréa da Silva Barbosa, Rubinho é pai de Antônia. De casamentos anteriores, também tem os filhos Keni, Diovane, Eliezer e Rubia.

Rubinho e Andréa são um casal católico participativo e com forte envolvimento na comunidade. Ele lembra com satisfação de uma importante experiência vivida junto à Igreja Santo Antônio.

“Faziamos parte do Conselho Paroquial  como casal coordenador, durante a reforma da Igreja Santo Antônio, juntamente com o padre Márcio, iniciamos em 2018 a 2019, com muita coragem e com dinheiro doado pela comunidade. Houve doações de terneiros para leilão, rifa de colchão,  bingos, doações dos irmãos Catarinenses,  por meio da Irmã Anselma, conseguimos arrecadar mais de 300 mil reais, foi um ano de muitas bênçãos”, conta.


NOVAMENTE NA VIDA PÚBLICA

Ao falar sobre sua trajetória política, Rubinho recorda ainda que foi Secretário de Agricultura, Secretário de Obras e Chefe de Gabinete durante o governo de Gilson Paiva (MDB).Também  neste período sua esposa Andrea assumiu como Secretária de Educação, assim como no governo de Flávio Rodrigues ( MDB), Andréa voltou a ocupar a Secretaria de Educação.

Como se percebe, Rubinho e Andréa tiveram uma participação significativa na história política de Tavares, em diferentes épocas, passando por mais de um governo e por diferentes partidos.


QUANDO A LUTA PASSOU A SER PELA VIDA

Mas chegou um momento em que a luta de Rubinho deixou de estar concentrada apenas no trabalho, no cultivo do arroz e da cebola ou nas atividades políticas. Começava uma batalha muito maior: a luta pela própria vida.

Em 2006, Rubinho teve problemas cardíacos e precisou colocar um stender (molinha).

Em 2024, tinha uma consulta dermatológica marcada em Porto Alegre. Antes de sair, porém, não estava se sentindo bem. Mesmo assim, foi para a consulta. Ao chegar ao hospital, sentiu uma forte dor nas pernas e foi encaminhado para a emergência. Lá, os médicos constataram que ele estava sofrendo um infarto.

Segundo Rubinho, se tivesse permanecido em Tavares naquele momento, a situação poderia ter sido muito mais grave.

“Foi Deus que me levou para lá antes que tivesse acontecido aqui, 240 quilômetros distante do hospital adequado para este tipo de cuidado”, afirma.

Durante esse período, Rubinho começou a fazer hemodiálise, pois apresentava insuficiência renal. Também foi vítima de uma infecção hospitalar e passou cerca de 20 dias lutando contra uma bactéria. Ao todo, permaneceu 45 dias internado no Hospital da PUC.

Mas, para Rubinho, ainda não era o momento de partir. Ele acredita que existe uma hora determinada para o fim da vida e, baseado nessa fé, entende que aquele não era o seu momento.

Superou a “turbulência” e voltou para casa.


UMA ROTINA DE DEZ HORAS LIGADO À MÁQUINA

Rubinho continuou fazendo hemodiálise por aproximadamente dois meses. Depois, a equipe de nefrologistas da PUC ofereceu uma alternativa: a diálise peritoneal, procedimento que pode ser realizado em casa.

Dessa maneira, ele não precisa mais se deslocar três vezes por semana até um hospital para realizar o tratamento.

A vida de Rubinho não tem sido fácil. Mas ele encontrou forças para continuar lutando diariamente e tem conseguido seguir em frente. Todos os dias, permanece cerca de dez horas conectado à máquina, realizando o processo em sua própria residência.

Atualmente, Rubinho está na fila para um transplante de rim, cheio de esperança de conseguir o órgão.

Ele já chegou a ser chamado para um transplante. No entanto, quando já estava no hospital, aguardando o procedimento, o rim acabou sendo destinado a outro paciente que, naquele momento, apresentava maior necessidade.


UMA HISTÓRIA QUE INSPIRA

Andréa conta que Rubinho se tornou uma referência para os médicos da nefrologia e que é chamado para dar depoimentos sobre sua experiência durante o tratamento.

A trajetória de Rubinho Barbosa é marcada por momentos em que a saúde esteve no limite. Ainda assim, ele conseguiu superar cada uma dessas etapas.

Hoje, vive intensamente cada dia. Fala sobre sua história, recorda os momentos difíceis e, acima de tudo, celebra a vida.

Sua trajetória mostra um homem que, diante das adversidades, encontrou na fé, na família e na força de vontade motivos para continuar. Rubinho não esconde as dificuldades que enfrentou, mas fala delas com a serenidade de quem se considera um vitorioso.

E talvez seja justamente essa a maior lição de sua história: há momentos em que a vida nos coloca diante de grandes desafios, mas a esperança pode ser a força que nos faz continuar caminhando. Por isso,  continua se dedicando a  pecuária em sua chácara no Posto,  onde, o contato com a natureza e os animais lhe dão forças para continuar vivendo.

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