Quem viveu os anos 1980 e 1990 em Tavares dificilmente não se lembra do lugar registrado na fotografia. Para muitos, o Bar e Lancheria Metralhas foi cenário de encontros, conversas e momentos que ficaram guardados na memória. Muita gente passou ali boas horas de sua vida.
Hoje, o Metralhas é um lugar de memória. No passado, porém, era muito mais do que um bar e lancheria: era ponto de encontro, de prosa, de galanteios e de "olhares maliciosos".
Quando alguém precisava marcar um encontro, o Metralhas geralmente era o local de referência. Era ali que as pessoas sabiam que poderiam se encontrar.
Entre um martelo de pinga, uma cerveja, um café ou alguns pastéis, a conversa corria solta. Falava-se sobre o cotidiano da comunidade, sobre acontecimentos do dia a dia e sobre tudo aquilo que fazia parte da vida dos moradores. Hoje, talvez fosse comum dizer que ali aconteciam muitas “resenhas”.
O Metralhas também era lugar de trabalho. Para muita gente, o estabelecimento representava uma fonte de sustento e fazia parte da rotina de quem trabalhava para manter o negócio funcionando.
Naquele tempo, quando o futebol ocupava um espaço importante na vida de muitas pessoas, os jogos estavam entre as principais opções de diversão. E, depois das partidas, era comum muitos se encontrarem no Metralhas para conversar e comentar os resultados, discutir lances e, naturalmente, defender seus times.
Jogos de bilhar ou sinuca, diversão para muitos, era o passa tempo e a satisfação em mostrar a habilidade diante olhares dos assistentes.
Também era um lugar onde aconteciam encontros amorosos. O Metralhas tinha uma característica que favorecia esses encontros: era um ponto de visibilidade. Ir ao centro da cidade e não passar pelo Metralhas era, para muitos, quase como não ter ido ao centro.
Quando o Metralhas deixou de existir, o centro da cidade, por muito tempo, pareceu um tanto diferente — mais vazio, talvez até estranho para quem estava acostumado àquela movimentação. Ficou também uma sensação de nostalgia, como se uma parte da rotina e da vida social de Tavares tivesse desaparecido.
Hoje, a fotografia nos leva de volta àquele tempo. Não apenas ao lugar físico, mas às lembranças que ele desperta. Por meio da imaginação e da memória daqueles que viveram os anos 80 e 90, o Metralhas volta a existir, ainda que por alguns instantes, como um daqueles lugares que o tempo transforma em história.

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