Hoje, a entrevista traz uma história de vida que, pelas circunstâncias em que começou, tinha quase tudo para dar errado. Mas a vida não é determinada apenas pelas condições em que nascemos. Ao longo da caminhada, escolhas, trabalho, estudo, persistência e determinação podem mudar o rumo de uma história.
A trajetória de Fabliano Pereira é um exemplo disso. Uma história que nos leva a uma pergunta: quando tudo parece difícil, o que faz uma pessoa vencer? Talvez a resposta esteja justamente na capacidade de não aceitar as adversidades como um destino inevitável.
Fabliano nasceu no município de Mostardas (RS) e foi criado na localidade da Tapera, em Tavares. Filho de Antônio dos Santos Pereira, já falecido, e de Suely Lemos Pereira e nasceu em uma família muito humilde.
Desde muito cedo, aprendeu que teria de trabalhar bastante. Ouviu muitas vezes do pai uma frase que ficou marcada em sua vida: “Trabalho não mata ninguém.”
A família não possuía terras para o plantio, pois havia perdido suas propriedades em razão de dívidas contraídas em pequenos comércios e negócios que não deram certo. Seus pais eram analfabetos, e as condições financeiras da família eram bastante limitadas.
Como se não bastassem essas dificuldades, Fabliano nasceu com uma doença visual chamada catarata congênita. Era doença rara, na época, segundo ele, era um caso em milhões, como era pequeno os médicos na época tinham receio de acabar o deixando cego, era algo novo para a ciência há mais de 40 anos. Somente com 6 anos se encorajaram a fazer a cirurgia. O que felizmente deu tudo certo. A condição retardou sua entrada na escola, e ele só começou a estudar aos nove anos de idade.
Aos 12 anos, já trabalhava na agricultura, ajudando os pais e também trabalhando por dia na colheita da cebola. Aos 15 anos, já estava envolvido em outra atividade pesada: “coqueava” sacos de cebola para o carregamento dos caminhões.
Apesar da intensa lida na agricultura, o estudo sempre ocupou um lugar especial em sua vida. Fabliano não permitiu que as dificuldades determinassem o seu futuro.
Concluiu o Ensino Médio na Escola Edgardo, no final dos anos 1990, e, em 2000, tornou-se instrutor de pessoas semianalfabetas em um projeto chamado MOVA.
Naquele mesmo ano, recebeu uma proposta para trabalhar em Novo Hamburgo, em uma oficina de reparação automotiva. Foi uma nova etapa de sua vida. No local, realizou alguns cursos na área, entre eles o de colorista.
Em 2002, ingressou em uma grande metalúrgica da época, chamada Metalúrgica Daniel. Ali, construiu uma carreira sólida na área de tratamento de superfícies metálicas e plásticas.
Sem se acomodar, continuou estudando. Cursou Administração de Empresas na Ulbra e realizou diversos cursos nas áreas de gestão de pessoas, qualidade e desenvolvimento para a excelência.
Em 2013, decidiu dar um passo ainda maior: empreender.
Fundou a Tecpint Revestimentos, empresa voltada ao tratamento de superfícies metálicas e plásticas, utilizando revestimentos de tintas especiais. A empresa terceiriza serviços e comercializa tintas para diversos estados brasileiros.
Hoje, a Tecpint Revestimentos está há 13 anos no mercado e conta com 16 funcionários.
Fabliano é um apaixonado pelo trabalho. Possui uma visão sistêmica e agregadora, características que contribuíram para sua trajetória profissional e empresarial.
Sua história mostra que as condições de nascimento não precisam determinar o destino de ninguém. Ele nasceu em uma família humilde, teve pais analfabetos, enfrentou dificuldades financeiras, começou a estudar mais tarde e ainda precisou conviver com uma limitação visual. Mesmo assim, não permitiu que essas circunstâncias definissem até onde poderia chegar.
A trajetória de Fabliano é, portanto, mais do que uma história profissional. É uma história de superação, trabalho, estudo e persistência. Mostra que, mesmo quando a vida parece oferecer todos os motivos para desistir, sempre pode existir um caminho para seguir em frente.
Não existe garantia de que tudo dará certo. Mas também não existe razão para acreditar que as dificuldades de hoje sejam necessariamente o destino de amanhã.
Fabliano Pereira é um exemplo de que a vida pode começar difícil e, ainda assim, construir uma história bonita.
É justamente por isso que histórias como essa merecem ser contadas.
Fabliano hoje com 46 anos. Tem uma vida padrão médio e muito estável! Não nega suas origens, revela "sou descendente de Quilombola do beco dos colodianos ali de São Simão, por parte da avó". Teve longo tempo na igreja católica e hoje em religião de matriz Africana. Mora em Novo há 25 anos.
Casado com Luisa Adriane dos Santos de Souza e pai de Deivid Lemos Pereira.
Fabliano se encontra bem espiritualmente e feliz!
Antes de finalizar, Fabliano foi meu ex-aluno, nos anos 90.

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