sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MARTA PAIVA: o trabalho, o lazer e a igreja em sua vida

 

Para muitas mulheres, empreender vai muito além da busca por uma renda complementar para a família. É também uma forma de conquistar autonomia, desenvolver talentos e encontrar no trabalho uma fonte de realização pessoal. Entre desafios, aprendizados e conquistas, essas mulheres constroem seus próprios caminhos, transformando ideias e habilidades em oportunidades e mostrando que o empreendedorismo também pode ser uma expressão de coragem, dedicação e vontade de crescer.

Uma das mulheres empreendedoras de Tavares é Marta Paiva, proprietária da loja e bazar Ebenézer. O Espaço de Reflexão conversou com ela para conhecer sua trajetória e valorizar uma iniciativa que, ao longo dos anos, se consolidou no comércio local.

Marta contou que seu falecido marido trabalhava com arroz e gado. O casal tinha um espaço alugado para a Câmara de Vereadores que, em determinado momento, deixou o local, fazendo com que o prédio ficasse sem utilização. Foi então que Marta começou a pensar em uma maneira de aproveitar aquele espaço amplo e bem localizado.

Decidiu montar um bazar, que, desde o início, deu sinais de que poderia se tornar um negócio bem-sucedido. Depois de um ano, Marta deu mais um passo como empreendedora: começou a vender roupas no mesmo local, dando início à loja.

Assim, com o bazar e a loja, o empreendimento segue em atividade desde 2002. Brinquei com Marta que, pelo tempo de funcionamento, o negócio demonstra ter sido um sucesso, pois, se estivesse dando prejuízo, certamente já teria fechado. Ela, porém, respondeu com bom humor, lembrando o que geralmente dizem os comerciantes: “Nem tanto. Tem meses que rende pouco, e ainda temos as funcionárias para pagar”.

Marta explicou que os produtos do bazar são adquiridos por meio de pedidos, com entrega feita pelos fornecedores. Já as roupas são buscadas em diferentes regiões, como Santa Catarina, São Paulo e a Serra Gaúcha. “São Paulo, vou uma vez por ano; Santa Catarina, duas ou três vezes por ano”, conta.

A empreendedora também comentou que, depois da pandemia, a realidade dos lojistas estabelecidos mudou. Com o crescimento do comércio on-line, as vendas diminuíram. “Atualmente, não é como antes”, declarou.

Marta também se queixa dos impostos e dos encargos sociais, que, segundo ela, se tornaram mais um desafio para quem mantém um estabelecimento comercial.

Ao longo de toda a trajetória, Marta relata ter tido a sorte de contar com boas funcionárias, o que lhe permite se ausentar do estabelecimento com tranquilidade, pois considera suas colaboradoras responsáveis e confiáveis. Feliz, apresentou Kauany Cabral e Júlia Cardoso, que atualmente fazem parte da equipe.

Segundo Marta, às vezes pensa em parar, mas logo reconhece que não consegue se imaginar longe do comércio. “Não consigo me imaginar sem isso aqui. Gosto de ser comerciante!”, afirmou.

Perguntei, então, sobre o lazer. Ela abriu um sorriso e respondeu: “Gosto de viajar. Tô sempre com o pé na estrada”.

Ao final da conversa, Marta fez questão de destacar sua fé. Disse ser evangélica há 25 anos e concluiu afirmando que Deus tem lhe dado forças para superar os momentos difíceis da vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

DE VENDEDOR DE PIPOCA E PICOLÉ A JUIZ: Robson, o vencedor

 



Do site Novo Mundo

Robson José dos Santos cresceu na periferia do Recife e começou a trabalhar ainda adolescente, vendendo pipoca nos ônibus e picolé em feiras para ajudar nas despesas da família. Filho de um gari e de uma auxiliar de enfermagem, estudou em escola pública e passou por diferentes profissões, incluindo guarda municipal, bombeiro militar e policial civil.


Aos 31 anos, entrou na faculdade de Direito com bolsa do ProUni. Depois disso, enfrentou uma verdadeira maratona de provas: prestou mais de 70 concursos públicos, incluindo 18 para a magistratura.


Foram cerca de 12 anos de tentativas até conseguir a aprovação para juiz de Direito em Rondônia. Aos 46 anos, tomou posse no cargo pelo qual havia passado anos se preparando.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

MAGAIVER DA SILVA HOMEM: do aprendizado na autoelétrica ao próprio empreendimento

 

Desde muito jovem, este empreendedor já demonstrava disposição para o trabalho e vontade de construir o próprio caminho. Em busca de novas oportunidades, chegou a uma autoelétrica, onde encontrou não apenas um emprego, mas também a oportunidade de aprender um ofício que transformaria sua trajetória. Foi ali que, com dedicação e interesse, adquiriu conhecimentos na área da elétrica automotiva, acumulou experiência e ganhou confiança para, mais tarde, dar um passo importante: iniciar o próprio negócio. Assim, entre aprendizado, trabalho e persistência, começou a construir sua história como empreendedor.

O jovem empreendedor a que nos referimos é Magaiver da Silva Homem, natural de Tavares e hoje com 36 anos. Estudou o Ensino Fundamental na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho e, posteriormente, foi para Osório, onde cursou o Ensino Médio na Escola Rural. Permaneceu cerca de seis meses naquela cidade, mas a saudade de casa falou mais alto, e ele decidiu retornar a Tavares.

De volta à Escola Edgardo, no segundo ano e, com o objetivo de acelerar a conclusão do Ensino Médio, optou pelo supletivo.


OS PRIMEIROS PASSOS NO TRABALHO 


Desde cedo, Magaiver compreendeu a importância do trabalho. Seu primeiro emprego foi na Sul Pinus, onde atuou em serviços gerais. Depois, deixou a empresa e foi morar em Rio Grande, onde trabalhou no supermercado Guanabara. Percebeu, porém, que aquele não era o caminho que desejava seguir.

Na sequência, conseguiu trabalho em uma empresa de segurança, onde permaneceu por aproximadamente um mês e meio. Como não recebeu salário nesse período, decidiu desistir e retornar para Tavares. Na cidade, trabalhou durante oito meses no Mercado Econômico.

Mas a trajetória profissional de Magaiver ainda estava em construção. Em busca de novas oportunidades, voltou para Osório. Foi então indicado para trabalhar na Autoelétrica Sheifer, de Jairo e Renato. A oportunidade surgiu e ele foi contratado.

Perguntei a Magaiver se, naquele momento, já possuía algum conhecimento de elétrica automotiva. A resposta revelou o quanto aquela experiência seria importante para sua vida profissional:

“Cheguei zero na elétrica. Aprendi tudo lá. Depois de cerca de seis meses, vendo que eu tinha perfil para aquilo, ganhei um curso.”

Foi, portanto, na autoelétrica que Magaiver encontrou uma profissão que talvez ainda nem soubesse que procurava. Permaneceu no estabelecimento por quase quatro anos. Depois, retornou novamente para Tavares, onde trabalhou durante três anos e meio na oficina do Réus, como eletricista.


O NASCIMENTO DO PRÓPRIO NEGÓCIO


Com experiência e já profissionalmente preparado, Magaiver percebeu que poderia ir mais longe. Entendeu que não deveria se acomodar apenas na condição de funcionário e decidiu criar o próprio negócio, a Eletrocar.

Começou em um galpão alugado. Ali trabalhou durante três anos, economizou e, com muito esforço, e ajuda da família, conseguiu dar um passo ainda maior em sua trajetória.

Aquele jovem que havia passado pela Sul Pinus, pelo supermercado Guanabara, pela empresa de segurança e pelo Mercado Econômico agora era dono do próprio empreendimento. O próximo objetivo era deixar o aluguel para trás e construir um espaço próprio e bem estruturado. E foi o que fez. Hoje, Magaiver está estabelecido em seu próprio prédio, onde mantém a Eletrocar.


UM EMPREENDIMENTO COM PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA 


A Eletrocar do Magaiver também tem uma característica especial: é um empreendimento com a participação familiar. Além dele, trabalham no negócio o pai e o irmão, enquanto a mãe também auxilia eventualmente.

Desde 2020, a vida profissional de Magaiver começou a mudar de maneira significativa. O empreendimento passou a se consolidar e tornou-se uma referência em Tavares. Com ética, compromisso e responsabilidade, o negócio vem registrando crescimento e prosperidade.

A demanda aumentou a ponto de, há cerca de 30 dias, Magaiver contratar uma secretária para auxiliar nas atividades e dar mais estrutura ao empreendimento.

Com semblante de quem está feliz com o caminho que construiu, Magaiver transmite a sensação de satisfação com o sucesso alcançado pela sua autoelétrica. Perguntei se existem períodos do ano de menor movimento. Segundo ele, os meses de junho e julho, durante o inverno, costumam apresentar uma redução no faturamento.

“Hoje, só autoelétrica, a minha é a única em Tavares”, afirmou Magaiver.

TRABALHO, LAZER E VIDA FAMILIAR 

Apesar do sucesso, a vida de trabalhador de Magaiver está longe de ser fácil. Embora trabalhe de segunda a sexta-feira, nem sempre há horário definido para encerrar a jornada. Em algumas ocasiões, já chegou a permanecer trabalhando até a meia-noite.

E quando o assunto é lazer, a família também encontra seus momentos para aproveitar. “No verão costumamos curtir a praia nos fins de semana, em São Simão. Às vezes, vamos até as praias de Santa Catarina”, conta.

Casado com Tamara Machado de Azevedo, que também trabalha em um escritório, Magaiver procura conciliar o trabalho com o lazer e a vida familiar.

Sua trajetória é marcada por diferentes empregos, mudanças de cidade, aprendizado, persistência e, sobretudo, pela disposição para trabalhar. O jovem que um dia chegou a uma autoelétrica sem saber praticamente nada sobre elétrica automotiva encontrou naquele ofício uma profissão e, posteriormente, o caminho para construir o próprio empreendimento.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

MARIA FAUSTA: sua história, o amor às pessoas e ajuda ao próximo

 


Há histórias que se constroem silenciosamente, por meio de gestos de solidariedade, cuidado e dedicação ao próximo. Durante muitos anos, Maria Fausta encontrou na Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, uma forma de servir à comunidade e contribuir para a saúde e bem-estar de crianças e famílias. Seu trabalho voluntário, realizado com simplicidade e compromisso, revela uma trajetória marcada pela disposição de ajudar e pela compreensão de que pequenas ações podem fazer a diferença na vida das pessoas.

Maria Fausta da Costa Lemos, 80 anos, nasceu e foi criada na localidade do Posto, em Tavares. É casada há 58 anos com Vilson Machado de Lemos, de 87 anos, e é mãe de Fernanda Lemos Paiva. Vilson foi guarda sanitário rural, atuando também nos cuidados relacionados à vacinação do gado. Maria Fausta, por sua vez, foi, durante 17 anos, secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tavares. Também fez curso de auxiliar de enfermagem e atuou como agente de saúde pública. 

Maria conta que seu pai, Luiz Maneca, era um homem bastante religioso. “O pai ia a cavalo de Tavares assistir à missa em Mostardas ou em  Bojuru”, recorda. Segundo ela, o pai também contava que, quando a igreja foi construída, ele e sua esposa foram o primeiro casal a entrar no templo, durante a primeira missa.

Por isso, Maria Fausta acredita que sua religiosidade tenha origem na própria família. Ela foi e continua sendo uma pessoa ligada à Igreja Católica. Participava dos terços, das missas e foi catequista durante muito tempo.

Em 1993, assumiu o comando da Pastoral da Criança. Ela conta que “nós pesávamos as crianças, aconselhávamos sobre o aleitamento materno e promovíamos palestras sobre a saúde das crianças”.

Maria mantinha grupos de apoio em diversas comunidades, entre elas Capororocas, Olhos D’Água, Tapera, Butiá, praias e Campo da Honra, além de outras localidades.

Naquela época, ainda não havia o Programa Saúde da Família com agentes comunitários de saúde atuando como ocorre atualmente. A Pastoral da Criança desenvolvia parte desse trabalho de acompanhamento e orientação. Maria Fausta lembra que “havia muitas crianças desnutridas”. Para atender a essas crianças, eram preparados nutrientes, conhecidos como multimisturas, que eram posteriormente doados às famílias. Também eram confeccionadas vestimentas e roupas de cama para pessoas necessitadas.

Maria Fausta lembra das reuniões que realizava. “Conseguíamos fazer reuniões com muita gente”, recorda. O relato revela a dimensão que a ação da Pastoral da Criança alcançava naquele período, contando com apoio social e adesão da comunidade e cumprindo uma importante finalidade social.

Maria Fausta também recorda que participava de reuniões em Criciúma, Bagé, Pelotas, Rio Grande, Osório, entre outros lugares.

Além do trabalho relacionado à saúde, a Pastoral também atuava no processo de alfabetização. Promovia capacitações de monitores para o trabalho voluntário, formava grupos de cinco a oito pessoas e realizava cerca de dois encontros semanais.

Convém registrar ainda que Maria Fausta guarda em sua casa um importante acervo de documentos relacionados à atuação da Pastoral da Criança, e também de outros aspectos da história de Tavares. São muitos cadernos, fotografias, objetos antigos (máquina datilografia,  tv, etc) e registros que ajudam a compreender as relações humanas na comunidade. Trata-se de um rico material histórico, no qual aparecem dados e informações que ajudam a ilustrar aquele período da vida comunitária de Tavares.

A Pastoral da Criança foi fundada aqui em Tavares, no ano de 1993, e mantém suas atividades até hoje.

Maria Fausta também não esqueceu de destacar o papel fundamental da Irmã Anselma no processo de fundação, organização e funcionamento da Pastoral da Criança.

SÁVIO ARAÚJO: uma história de superação pela fé


Há histórias que parecem desafiar os próprios limites da vida. Este é o caso do jovem desta história, que, diante de uma situação em que tudo indicava um desfecho trágico, conseguiu sobreviver. Poderíamos dizer que ele ainda tinha uma missão a cumprir aqui. Quando as circunstâncias pareciam apontar para o fim, algo extraordinário aconteceu: contra todas as expectativas, ele sobreviveu.

Para sua família e para aqueles que acompanharam de perto aquele momento, a salvação foi vivida como um verdadeiro milagre, uma experiência marcada pela fé, pela esperança e pela certeza de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a vida pode surpreender.

Naquela sexta-feira, no final da tarde, o Espaço de Reflexão foi ao encontro de Sávio da Silva Araújo, com o objetivo de conhecer melhor sua trajetória e compartilhar sua história com os leitores.

Sávio é um jovem que nasceu e foi criado na localidade do Butiá, hoje com 30 anos. Sua família sobrevivia do cultivo da cebola. Ao falar sobre esse período, Sávio ressaltou que, desde cedo, já imaginava que não seguiria na agricultura, pois não via um futuro promissor naquela atividade. Naquela época, a cebola proporcionava bons resultados em determinado ano, mas poderia representar prejuízo no seguinte.

Sávio estudou até a sexta série na Escola Olavo Bilac, no Posto, e posteriormente veio para a Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho.


O PRIMEIRO PASSO NO CAMINHO PROFISSIONAL

Durante o Ensino Médio, Sávio mantinha uma forte amizade com jovens da Igreja Católica. Era especialmente próximo de Crystian Silveira, que o indicou para o programa Mais Educação.

Sávio foi aceito e começou a trabalhar como monitor auxiliar dos oficineiros na Escola Edgardo. Era uma atividade realizada no turno inverso, voltada principalmente aos alunos que apresentavam dificuldades.

Ao vir para a cidade, entretanto, Sávio não tinha onde morar. Ele lembra:

“Sem endereço fixo, eu dependia da ajuda dos amigos. Ficava numa casa hoje, amanhã ficava noutra, e assim por diante.”

Desde jovem, Sávio também era participativo na Igreja Católica. Aos 16 ou 17 anos, já atuava como catequista.

Em 2013, no segundo semestre, surgiu uma nova oportunidade. O professor Thiago Pedone, que trabalhava na escolinha de futebol, havia sido nomeado em um concurso e, por esse motivo, precisou deixar a função.

Mas o que isso tinha a ver com Sávio?

Thiago passou a ajudar Terezinha Brum na escolha de um novo instrutor para ocupar sua função. Foi então que indicou Sávio, que acabou sendo escolhido.

A oportunidade o deixou imensamente feliz. Ele recorda, com gratidão:

“Até hoje tenho grande gratidão a ele, pois subia mais um degrau na ‘escada’ do trabalho e da renda.”

Em 2014, sua família migrou para a cidade. A partir daquele momento, Sávio passou a ter endereço fixo. Para ele, dias melhores começavam a surgir.

Trabalhando no Mais Educação pela manhã, estudando à tarde e atuando na escolinha de futebol no final do dia, conseguiu ampliar suas fontes de renda.

“Com duas fontes de renda, a renda melhorava”, afirmou.


O SONHO DE CONTINUAR OS ESTUDOS

Aos 17 anos, Sávio já pensava em concluir o Ensino Médio e prosseguir nos estudos.

“O primeiro sonho era estudar Psicologia”, contou.

No entanto, certo dia, uma colega ligou convidando-o para fazer o curso de Educação Física em uma faculdade de Rio Grande. Combinaram e foram.

Depois, convenceram outros jovens a participar. Ao todo, cinco estudantes se organizaram para dividir as despesas de deslocamento, já que o curso era semipresencial, com uma aula semanal em Rio Grande.

Assim, em fevereiro de 2014, Sávio começou sua trajetória como estudante universitário.

A partir daquele momento, passou a conquistar cada vez mais a confiança da família. Na escola, assumiu uma oficina dentro do Mais Educação e continuava trabalhando na escolinha de futebol.

Em 2015, porém, o contrato do Mais Educação chegou ao fim. E agora?

Sávio não se desesperou. Procurou alternativas e conseguiu trabalho na loja do Zé Franco, onde permaneceu por quase dois anos.

Ele faz questão de ressaltar:

“Sempre paguei a faculdade.”

Como os pais tinham uma situação financeira limitada, Sávio sabia que precisava construir seu próprio caminho para conseguir concluir o curso.

Em 2016, surgiu uma nova oportunidade. Foi indicado para o cargo de diretor de Esportes de Tavares, durante o governo de Flávio Rodrigues (MDB).

“Minha autoestima foi lá em cima”, confessou.

Naquele momento, tudo parecia caminhar bem: trabalho, renda melhor e a faculdade próxima da conclusão.

Mas, de repente, surgiu uma forte “turbulência” que abalaria sua vida.


ENTRE A VIDA E A MORTE

O problema de saúde aconteceu durante uma partida de futebol em um pequeno campo, junto com a gurizada. Ao final do jogo, Sávio sentiu uma pequena tontura.

Naquele momento, havia entre o grupo um policial que trabalhava na Operação Verão. Ao examinar seu pulso, percebeu que havia algo estranho. Os batimentos cardíacos estavam muito acelerados.

O policial recomendou que Sávio não retornasse para casa a pé. Ele foi levado ao pronto atendimento.

Ao chegar ao local, foi constatado que sua pressão arterial estava em 7 por 5, enquanto os batimentos cardíacos ultrapassavam 150 por minuto.

Em poucos minutos, Sávio sofreu duas paradas cardíacas. Na segunda, ficou cerca de dois minutos sem sinais vitais.

Mas ainda não era a hora de partir.

A equipe conseguiu reverter a situação por meio de massagens cardíacas e do uso do desfibrilador.

Entre a vida e a morte, Sávio foi encaminhado para Tramandaí. Lá, passou por exames, mas inicialmente não foi possível identificar a causa do problema.

Depois de uma semana, foi encaminhado para Porto Alegre. Por meio de uma ressonância magnética, os médicos descobriram um problema ventricular responsável por provocar arritmias.

Foi realizada uma intervenção cirúrgica, com a implantação de um CDI — Cardioversor Desfibrilador Implantável.

A partir desse procedimento, e com o dispositivo, Sávio deixou a situação crítica e passou a viver com mais segurança.

Quando tudo isso aconteceu, faltava apenas um semestre para concluir o curso de Educação Física.

Ainda no hospital, Sávio perguntou aos médicos se poderia exercer a profissão de professor de Educação Física. Surgiram dúvidas entre a equipe médica, momentos de angústia e suspense, até que veio a decisão: ele poderia atuar profissionalmente na área, porém com algumas restrições.


A FORMAÇÃO E O RETORNO AO TRABALHO

Em 2017, Sávio concluiu a Licenciatura em Educação Física. Finalmente, havia alcançado o diploma de nível superior e se tornado profissional de Educação Física.

Durante alguns meses, recebeu benefício do INSS. Porém, em uma perícia, fez questão de dizer que queria voltar a trabalhar.

Com a suspensão do benefício, começou a atuar como voluntário, auxiliando Jonifer Pedone nas atividades de ginástica com idosos no CRAS e também na escolinha de futebol.

Em 2018, o então secretário de Educação, Nardel Nunes, aconselhou-o a abrir uma microempresa para que pudesse participar de processos licitatórios relacionados à escolinha e à ginástica. Dessa forma, deixou a condição de voluntário e passou a atuar profissionalmente.

Durante a pandemia, houve uma interrupção nas atividades. Depois, Sávio voltou a trabalhar com os idosos.

Logo surgiu uma nova decisão. A partir de 2021, foi criado um projeto de Educação Física para os anos iniciais na Escola Izabel.

Sávio passou, então, a trabalhar com dois contratos: um com a Secretaria Municipal de Educação e outro com a Secretaria Municipal de Turismo, relacionado à escolinha de futebol.


UM PROFISSIONAL REALIZADO

Hoje, Sávio se considera um homem feliz. É casado com Taíssa Silva, desfruta de boa saúde, trabalha na área em que se formou e também concluiu o bacharelado em Educação Física.

Ele conta:

“Em meados de 2018, comecei o curso de bacharelado em Educação Física, que finalizei no fim do ano de 2020.”

Também faz questão de agradecer às pessoas que contribuíram para sua formação profissional:

“Agradeço a colaboração do professor Tiaraju, que foi importante nos meus estágios, e hoje em dia tenho a satisfação de poder trabalhar junto com ele.”


UMA MISSÃO A CUMPRIR

No final da entrevista, tomado pela alegria e pela gratidão, Sávio fala sobre sua trajetória e sobre a oportunidade de permanecer trabalhando na cidade onde nasceu e foi criado:

“Sou muito grato por poder trabalhar dentro da minha área, na cidade onde nasci e me criei. Enquanto muitos não tiveram essa oportunidade e, com isso, tiveram que partir em busca de outros caminhos e chances em outras cidades, eu pude seguir, fazendo minha história e minha caminhada no município de Tavares, que tanto amo e estimo.”

E, ao refletir sobre tudo o que viveu, Sávio encontra na fé uma explicação para a segunda oportunidade que recebeu da vida:

“Como conclusão, eu diria que, se Deus me deu uma nova chance de viver, acredito que é porque eu tenha uma missão importante ainda nessa vida. E quem sabe essa missão seja fazer a diferença na vida das pessoas, principalmente na vida das crianças e dos jovens, através do incentivo às práticas esportivas e de um seguimento neste caminho que os afaste de qualquer caminho ruim e possa ajudar na formação deles como pessoas e cidadãos de bem, que tenham disciplina, respeito e vontade de fazer a diferença dentro da sociedade.”

Por fim, Sávio deixa uma reflexão que traduz o significado que atribui à própria trajetória:

“E que, quando Deus achar que for o meu momento de ir embora dessa vida, que as pessoas possam lembrar de mim como aquele cara do esporte que foi importante e deixou o seu legado.”

domingo, 4 de outubro de 2026

RUBINHO BARBOSA: uma história de superação, fé e luta pela vida

 


Rubens Moraes Barbosa, mais conhecido como Rubinho Barbosa, poderia ser apenas mais um cidadão tavarense, como tantos outros. No entanto, sua trajetória é marcada por desafios, superação e, sobretudo, pela força da fé. Talvez não apenas pela própria vontade, mas por uma força que, segundo ele, vem de cima. No decorrer deste bate-papo, o leitor entenderá ao que estou me referindo.


Rubinho Barbosa nasceu e foi criado na localidade do Posto, há 72 anos, vindo ao mundo com a ajuda da parteira Maria Luiza. Seu pai, Antônio Marques Barbosa, natural do Bacopari, era tropeiro e costumava levar gado para São José do Norte. Em uma dessas viagens, por um motivo que não se sabe ao certo, acabou ficando no Capão Comprido, na propriedade de Franklin Araújo, conhecido como Franco.

Foi lá que Antônio se casou com Joventina. O casal teve nove filhos. Antônio aprendeu a plantar cebola, atividade que acabou se tornando seu meio de vida, pois esse era o principal produto cultivado pelas famílias daquela região na época.

Mais tarde, Antônio mudou-se do Capão Comprido para a localidade do Posto, em Tavares. Foi ali que Rubinho iniciou seus estudos na Escola das Barracas, onde frequentou as aulas até a quarta série. Depois, foi para a Escola Edgardo Pereira Velho, onde cursou a quinta e parte da sexta série. Somente depois de adulto voltou aos estudos para concluir o Ensino Fundamental.

A PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA

Rubinho Barbosa demonstra orgulho ao falar de sua participação na política de Tavares. Quando aconteceu a emancipação política do distrito e foi criado o novo município, lá estava ele, participando dos primeiros passos da administração municipal.

“Fui um o primeiro Secretário de Obras de Tavares, no governo Ari Alfredo Costa, a partir de 1983. Ajudei a organizar a primeira EXPOCACE, acho que em 1984. Construímos, enquanto Secretário de Obras, o acesso a seco à praia, hoje a Trilha da Veia Terra,  em 1984, em terreno doado pela dona Amélia, esposa do seu Zeca Camilo”, recorda.

Rubinho permaneceu como secretário até 1987. Depois, entre 1987 e 1989, foi presidente da Colônia dos Pescadores.

Em 1988, concorreu ao cargo de vereador e ficou como primeiro suplente. Em 1991, já em um novo partido, voltou a trabalhar na Secretaria de Obras, durante o governo de Dr. Vilmar Silva(MDB). No ano seguinte, em 1992, concorreu novamente a vereador, pelo PDT, desta vez sendo eleito para um mandato de quatro anos.

Naquele período, além da atividade política, Rubinho também trabalhava no cultivo de arroz e cebola.


FAMÍLIA E PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE

Casado com Andréa da Silva Barbosa, Rubinho é pai de Antônia. De casamentos anteriores, também tem os filhos Keni, Diovane, Eliezer e Rubia.

Rubinho e Andréa são um casal católico participativo e com forte envolvimento na comunidade. Ele lembra com satisfação de uma importante experiência vivida junto à Igreja Santo Antônio.

“Faziamos parte do Conselho Paroquial  como casal coordenador, durante a reforma da Igreja Santo Antônio, juntamente com o padre Márcio, iniciamos em 2018 a 2019, com muita coragem e com dinheiro doado pela comunidade. Houve doações de terneiros para leilão, rifa de colchão,  bingos, doações dos irmãos Catarinenses,  por meio da Irmã Anselma, conseguimos arrecadar mais de 300 mil reais, foi um ano de muitas bênçãos”, conta.


NOVAMENTE NA VIDA PÚBLICA

Ao falar sobre sua trajetória política, Rubinho recorda ainda que foi Secretário de Agricultura, Secretário de Obras e Chefe de Gabinete durante o governo de Gilson Paiva (MDB).Também  neste período sua esposa Andrea assumiu como Secretária de Educação, assim como no governo de Flávio Rodrigues ( MDB), Andréa voltou a ocupar a Secretaria de Educação.

Como se percebe, Rubinho e Andréa tiveram uma participação significativa na história política de Tavares, em diferentes épocas, passando por mais de um governo e por diferentes partidos.


QUANDO A LUTA PASSOU A SER PELA VIDA

Mas chegou um momento em que a luta de Rubinho deixou de estar concentrada apenas no trabalho, no cultivo do arroz e da cebola ou nas atividades políticas. Começava uma batalha muito maior: a luta pela própria vida.

Em 2006, Rubinho teve problemas cardíacos e precisou colocar um stender (molinha).

Em 2024, tinha uma consulta dermatológica marcada em Porto Alegre. Antes de sair, porém, não estava se sentindo bem. Mesmo assim, foi para a consulta. Ao chegar ao hospital, sentiu uma forte dor nas pernas e foi encaminhado para a emergência. Lá, os médicos constataram que ele estava sofrendo um infarto.

Segundo Rubinho, se tivesse permanecido em Tavares naquele momento, a situação poderia ter sido muito mais grave.

“Foi Deus que me levou para lá antes que tivesse acontecido aqui, 240 quilômetros distante do hospital adequado para este tipo de cuidado”, afirma.

Durante esse período, Rubinho começou a fazer hemodiálise, pois apresentava insuficiência renal. Também foi vítima de uma infecção hospitalar e passou cerca de 20 dias lutando contra uma bactéria. Ao todo, permaneceu 45 dias internado no Hospital da PUC.

Mas, para Rubinho, ainda não era o momento de partir. Ele acredita que existe uma hora determinada para o fim da vida e, baseado nessa fé, entende que aquele não era o seu momento.

Superou a “turbulência” e voltou para casa.


UMA ROTINA DE DEZ HORAS LIGADO À MÁQUINA

Rubinho continuou fazendo hemodiálise por aproximadamente dois meses. Depois, a equipe de nefrologistas da PUC ofereceu uma alternativa: a diálise peritoneal, procedimento que pode ser realizado em casa.

Dessa maneira, ele não precisa mais se deslocar três vezes por semana até um hospital para realizar o tratamento.

A vida de Rubinho não tem sido fácil. Mas ele encontrou forças para continuar lutando diariamente e tem conseguido seguir em frente. Todos os dias, permanece cerca de dez horas conectado à máquina, realizando o processo em sua própria residência.

Atualmente, Rubinho está na fila para um transplante de rim, cheio de esperança de conseguir o órgão.

Ele já chegou a ser chamado para um transplante. No entanto, quando já estava no hospital, aguardando o procedimento, o rim acabou sendo destinado a outro paciente que, naquele momento, apresentava maior necessidade.


UMA HISTÓRIA QUE INSPIRA

Andréa conta que Rubinho se tornou uma referência para os médicos da nefrologia e que é chamado para dar depoimentos sobre sua experiência durante o tratamento.

A trajetória de Rubinho Barbosa é marcada por momentos em que a saúde esteve no limite. Ainda assim, ele conseguiu superar cada uma dessas etapas.

Hoje, vive intensamente cada dia. Fala sobre sua história, recorda os momentos difíceis e, acima de tudo, celebra a vida.

Sua trajetória mostra um homem que, diante das adversidades, encontrou na fé, na família e na força de vontade motivos para continuar. Rubinho não esconde as dificuldades que enfrentou, mas fala delas com a serenidade de quem se considera um vitorioso.

E talvez seja justamente essa a maior lição de sua história: há momentos em que a vida nos coloca diante de grandes desafios, mas a esperança pode ser a força que nos faz continuar caminhando. Por isso,  continua se dedicando a  pecuária em sua chácara no Posto,  onde, o contato com a natureza e os animais lhe dão forças para continuar vivendo.

sábado, 3 de outubro de 2026

BETO E VERA: um casal que se realiza entre o trabalho e a família



O Espaço de Reflexão está começando a circular por diversos lugares de Tavares, tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais. Desta vez, chegamos à localidade de Olhos D’Água, para visitar o casal Carlos Roberto Brum Chaves, o Beto do Domingos, e Vera Mariza Chaves.

A noite estava fria, mas somente do lado de fora. Na residência de Beto e Vera, o ambiente estava aquecido, não apenas pelo calor agradável do fogão a lenha, mas, principalmente, pela prazerosa recepção dos anfitriões ao Espaço de Reflexão para uma boa prosa.

Durante a tarde, Vera deu início aos preparativos da galinha planejada para o jantar. Mais tarde, já à noite, Beto assumiu o comando da culinária. Enquanto o bate-papo acontecia, ele ia até o fogão para acompanhar de perto o preparo da comida. Entre uma pergunta e outra, a conversa seguia acompanhada pelo cheiro apetitoso da galinha caseira.

AS HISTÓRIAS DE BETO 

Beto do Domingos, ou simplesmente Beto, nasceu e foi criado na localidade de Olhos D’Água, há 67 anos. Vera nasceu na Tapera e tem 65 anos.

Beto estudou até a quinta série na escola da comunidade. Depois, foi para Osório, onde fez o exame de admissão ao Ginásio, equivalente ao atual Ensino Fundamental, mas não obteve aprovação. Na sequência, foi para a Escola Rural, onde concluiu o primeiro e o segundo graus.

Em Osório, Beto começou a trabalhar na Rádio Osório, como locutor de comerciais e também na parte técnica, atividade que exerceu durante quatro anos. Teve ainda uma breve passagem pela TV Guaíba.

Ele lembra a experiência com satisfação:

“Foi uma experiência muito boa. Fazíamos cobertura esportiva pelo Estado.”

Mas Beto era filho único e o pai possuía propriedades em Tavares. Naquele momento, não via futuro em continuar trabalhando na rádio. Decidiu, então, retornar para Tavares e ajudar a família na plantação de cebola. Na década de 1980, plantar cebola era considerado um bom negócio.

“Fui caminhoneiro, levava cebola para São Paulo e Rio de Janeiro”, conta Beto.

E assim seguiu sua trajetória como homem ligado ao agro. Sobre a escolha que fez, é direto:

“Não me arrependi nem um pouco.”

A TRAJETÓRIA DE VERA

Vera estudou na escola da Tapera até a quinta série. Da sexta à oitava série, frequentou a Escola Marcelo Gama, em Mostardas. Depois, foi para Rio Grande, onde estudou o segundo grau na Escola Joana D’Arc, mas acabou reprovando.

Retornou e decidiu cursar o Magistério em Osório. Determinada a seguir a carreira de professora, posteriormente foi fazer faculdade de Ciências em Santa Cruz do Sul.

FAMILIA,FILHOS E CONTINUIDADE

Beto e Vera se casaram quando ele tinha 24 anos e ela, 22. O casal teve três filhos: Roberta, Vinicius e Gustavo.

Roberta é professora de Letras e está concluindo um segundo curso, em História. Trabalha na rede municipal de ensino de Mostardas.

Vinicius cursou Turismo e Administração e trabalha no Banrisul como gerente de Agronegócio.

Gustavo é engenheiro eletricista e trabalha na RGE, planejando seu futuro profissional no setor de subestações.

Perguntei a Beto qual dos filhos poderá ser seu sucessor no agro. Ele respondeu que todos podem no futuro tomaram comando dos negócios.  Hoje o Vinicius é quem tem mais se aproximado desse caminho.  Inclusive, talvez por atuar profissionalmente no agronegócio no banco.

Beto também lembrou que, durante cerca de dez anos, manteve um comércio no Joaquim Ferreira.

Atualmente, dedica-se à criação de gado e à produção de resina.

UMA BREVE PASSAGEM PELA POLÍTICA 

Quando perguntei sobre sua participação na política, Beto logo deixou claro que não sente saudade daquela experiência. Ele ocupou, durante quatro meses, o cargo de secretário de Obras no governo de Ari Alfredo Costa.

Foi uma passagem breve, diferente da trajetória que construiu no campo e nas atividades ligadas ao agro.

FÉ E FAMÍLIA 

Vera e Beto são um casal católico e participativo. Dizem-se felizes pelos filhos e, sobretudo, pela boa relação existente entre eles.

Vera demonstra gratidão pela família que construiu:

“Agradeço a Deus pelas noras que temos e pelos netos Henrique, Aurora e Valentim, que está a caminho.”

Enquanto a conversa avançava, Beto fez o convite para saborearmos a galinha caseira, que já deixava no ar um cheiro apetitoso e anunciava que a prosa estava chegando a um dos momentos mais esperados da noite.

E ainda há tempo para o lazer?

Antes de encerrar a conversa, fiz uma última pergunta ao casal: diante de tanto trabalho, sobra tempo para o lazer da família?

A resposta foi sim.

No verão, a praia faz parte dos planos. O Farol é um dos destinos e, uma vez por ano, também costumam visitar as praias de Santa Catarina.

Vera, porém, ainda guarda um desejo:

“Ainda quero ir a Aparecida, em São Paulo.”

Ficou faltando perguntar por que a viagem ainda não aconteceu. Talvez seja justamente a falta de tempo, sempre tão disputado entre o trabalho, a família e as responsabilidades do dia a dia.

E assim terminou mais uma prosa do Espaço de Reflexão, desta vez em Olhos D’Água, na casa de Beto e Vera, onde o frio da noite ficou do lado de fora e, dentro de casa, o calor do fogão a lenha se misturou ao calor humano de uma família que tem muitas histórias para contar.