quinta-feira, 15 de outubro de 2026

CLÍNICA RESILIENCE: cuidado, acolhimento e desenvolvimento humano

 


O cuidado com a saúde emocional e o desenvolvimento humano é fundamental para promover uma melhor qualidade de vida, especialmente durante a infância, período marcado por importantes descobertas, aprendizados e transformações. Nesse contexto, uma clínica de psicologia e práticas integradas desempenha um papel importante no acolhimento e no acompanhamento de pessoas que apresentam dificuldades emocionais, comportamentais ou relacionadas ao desenvolvimento. 

Por meio de atendimentos individuais ou em grupo, o trabalho busca compreender as necessidades de cada pessoa, oferecendo suporte para enfrentar desafios, desenvolver habilidades e fortalecer o bem-estar. Dessa forma, contribui para que crianças, adolescentes e adultos tenham melhores condições de aprender, conviver e se desenvolver de maneira saudável.

O Espaço de Reflexão visitou a Resilience Clínica de Psicologia e Práticas Integradas, localizada em Tavares, para conhecer um pouco mais sobre o trabalho desenvolvido pela equipe. A conversa foi com a psicopedagoga Karine Medeiros Cunha, uma das proprietárias do estabelecimento, ao lado da psicóloga Adriana Braga. Também atendem neste espaço o psicólogo Juliano Delabary e a nutricionista Luiza Antiqueira.

A Clínica Resilience atua em Tavares e Mostardas há 6 anos com sua atual estrutura. Antes disso, a psicóloga Adriana Braga já realizava atendimentos havia dois anos, dando início a uma trajetória de cuidado e atenção à saúde emocional na região.

Durante a conversa, perguntamos a Karine quem procura os serviços oferecidos pela clínica. Segundo ela, o público é formado por pessoas de diferentes faixas etárias, com maior procura por atendimentos destinados a crianças e adolescentes que apresentam dificuldades comportamentais e/ou pedagógicas e necessitam de acompanhamento especializado.

“Atendemos pessoas de diferentes idades, mas, sobretudo, crianças e adolescentes que precisam de acompanhamento em diferentes aspectos do seu desenvolvimento. Em alguns casos, é necessário realizar avaliações para investigar possíveis transtornos do neurodesenvolvimento e para melhor compreender o funcionamento do indivíduo”, explicou.

Entre os serviços oferecidos pela clínica estão a avaliação psicológica e o acompanhamento psicopedagógico. A psicóloga Adriana Braga realiza a aplicação da Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC), instrumento que auxilia na avaliação do funcionamento intelectual de crianças e adolescentes.

Já o trabalho psicopedagógico desenvolvido por Karine Medeiros Cunha envolve a investigação de aspectos relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento, incluindo o rastreio de sinais que possam indicar a necessidade de uma avaliação especializada ou atrasos que precisam de atenção. Para isso, podem ser utilizados instrumentos padronizados, de acordo com sua finalidade e com as atribuições profissionais, contribuindo para identificar possíveis necessidades e orientar os encaminhamentos necessários. Com ambas profissionais, quando há indícios de possíveis transtornos do neurodesenvolvimento, a família pode ser orientada a buscar avaliação com os profissionais habilitados para a investigação diagnóstica e a emissão do respectivo laudo, quando indicado.

De acordo com Karine, aproximadamente 30 pessoas procuram os serviços da clínica semanalmente, o que evidencia a relevância desse tipo de atendimento para a comunidade.

Outro tema abordado na entrevista foi a importância da conscientização das famílias sobre o acompanhamento especializado e o desenvolvimento infantil. Segundo Karine, embora ainda existam desafios para que todos os envolvidos na vida da criança compreendam e reconheçam suas necessidades, a procura pelos serviços da clínica tem aumentado. Esse movimento também é percebido na maior participação dos pais, que vêm se mostrando mais presentes no processo de acompanhamento dos filhos, refletindo uma ampliação da conscientização sobre a importância desses cuidados. 

Anteriormente, a busca por atendimento partia, em sua maioria, das mães. A psicopedagoga também destaca o papel das escolas, que estão cada vez mais atentas à identificação de aspectos relacionados à aprendizagem e ao desenvolvimento dos alunos. Essa aproximação entre famílias, instituições de ensino e profissionais especializados favorece o reconhecimento das necessidades de cada criança e, quando necessário, o encaminhamento para uma avaliação adequada. 

Para a equipe da Clínica Resilience, esse cenário representa um avanço importante na promoção do cuidado e no fortalecimento da parceria entre todos os envolvidos no desenvolvimento infantil.

O trabalho desenvolvido pela Clínica Resilience evidencia a importância do acolhimento, da orientação e do acompanhamento especializado para pessoas que enfrentam dificuldades emocionais, comportamentais ou relacionadas ao desenvolvimento.

 Na infância e na adolescência, a identificação das necessidades individuais e a busca por atendimento adequado podem contribuir para a aprendizagem, a convivência social e o bem-estar a curto e longo prazo. Nesse sentido, a parceria entre famílias, escolas e profissionais da saúde é fundamental para ampliar a compreensão sobre a saúde emocional, reduzir preconceitos e proporcionar melhores condições para o desenvolvimento humano.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

PROFESSOR CRHYSTIAN SILVEIRA: a educação, a fé e a política como caminhos de realização

 

A trajetória de um professor é construída não apenas pelo conhecimento que compartilha, mas também pela esperança, pela autoestima e pela capacidade de inspirar aqueles que o cercam. No cotidiano da sala de aula, sua postura diante da vida pode incentivar os estudantes a reconhecer suas potencialidades, acreditar em si mesmos e buscar novos horizontes. Para o professor Chrystian Silveira, a educação encontra sentido nessa relação entre aprendizagem, confiança e oportunidades de transformação.


Estudioso e movido pela curiosidade, Chrystian vive o exercício constante de ensinar e aprender. Entre a educação e a literatura, transita pela realidade e pela ficção, encontrando diferentes caminhos para ampliar a compreensão do mundo, construir conceitos e desenvolver argumentos. Sua atuação expressa a convicção de que ensinar vai além de transmitir conteúdos: significa também estimular a reflexão e ajudar os alunos a descobrir novas possibilidades.


Tavarense, de 33 anos, Chrystian reúne experiências na educação, na comunicação, na participação comunitária e na política. Em entrevista, relembrou os primeiros passos no mundo do trabalho, falou sobre sua ligação com a Igreja Católica e compartilhou projetos que deseja realizar.


Sua trajetória escolar começou na extinta Escola Pinheiro Machado Sede e prosseguiu na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, onde concluiu a educação básica. Graduou-se em Letras, em Rio Grande, e possui especializações em Educação Especial, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia e Saúde Pública. Atualmente, cursa Jornalismo e já concluiu metade da graduação. As diferentes formações e o interesse pela leitura demonstram sua disposição para ampliar conhecimentos e possibilidades de atuação.


OS PRIMEIROS PASSOS NO MUNDO DO TRABALHO


As primeiras experiências profissionais de Chrystian ocorreram na Delegacia de Polícia de Tavares, onde atuou como estagiário por cerca de dois anos. Depois, trabalhou na Sul Pínus e exerceu a função de assessor parlamentar na Câmara Municipal de Vereadores de Tavares. Também atuou na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), entidade representativa do comércio local, onde permaneceu por aproximadamente dois anos.


Posteriormente, ingressou na administração pública como diretor de Turismo, durante o governo do prefeito Flávio. Exerceu a função por quase dois anos, ao lado do então secretário municipal Jorge Lisboa, com quem afirma ter vivido um importante período de aprendizado. O envolvimento com as atividades do setor aproximou-o da vida política e contribuiu para que recebesse incentivo para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores.


Em 2016, aos 22 anos, aceitou o convite para integrar a nominata do MDB, candidatou-se a vereador e conquistou uma cadeira no Legislativo tavarense.


PARTICIPAÇÃO COMUNITÁRIA E TRAJETÓRIA POLÍTICA


Ao comentar os vínculos com a comunidade e os fatores que, em sua avaliação, contribuíram para sua eleição, Chrystian destacou a profunda ligação com a Igreja Católica e a participação em grupos de jovens, especialmente o Proclam’arte, do qual é fundador. Também ressaltou seu envolvimento em iniciativas de diferentes áreas, como ações de preservação ambiental, campanhas do agasalho e atividades comunitárias nas quais interpretou personagens como Papai Noel e o Coelho da Páscoa.


Entre essas experiências, mencionou sua contribuição para a fundação da APAE e a colaboração em bingos beneficentes. A participação comunitária permanece presente em sua vida, com atividades tanto em Tavares quanto em Mostardas.


Ele acredita que esse envolvimento e a convivência com pessoas de diferentes faixas etárias ajudaram a construir sua trajetória política e contribuíram para o apoio recebido nas urnas.


Durante o mandato, divergências de posicionamento e dificuldades de comunicação com o MDB levaram à sua saída do partido. Já próximo do fim da legislatura, filiou-se ao PDT, pelo qual disputou a reeleição e ao qual permanece filiado.


Na segunda disputa eleitoral, realizada durante a pandemia, a campanha concentrou-se em transmissões ao vivo e outras ações nas redes sociais. A votação obtida, entretanto, não foi suficiente para assegurar um novo mandato.


Ao avaliar aquele resultado, Chrystian considerou que a mudança de partido pode ter influenciado seu desempenho eleitoral. Explicou que optou por não expor publicamente os detalhes de sua saída do MDB para preservar ambas as partes. Também lembrou que o PDT reuniu candidatos com votação expressiva e elegeu dois vereadores naquele pleito.


Sobre a presença de jovens na política local, recordou que, na eleição em que conquistou o mandato, havia apenas uma ou duas candidaturas jovens, em um cenário marcado por vereadores que buscavam a reeleição. Segundo ele, sua vitória demonstrou que os jovens também poderiam conquistar espaço no Legislativo e pode ter incentivado novas candidaturas. Nas disputas posteriores, observou a participação de mais de cinco candidatos jovens.


Em 2024, decidiu não concorrer por motivos particulares. Ainda assim, não descarta um retorno à política. Afirma gostar da atividade e enxergá-la como uma oportunidade de trabalhar pelo bem comum e pelo desenvolvimento da comunidade, embora se identifique mais com as funções do Poder Executivo.


A EDUCAÇÃO COMO ESPAÇO DE TRANSFORMAÇÃO


Atualmente, Chrystian leciona na Escola Estadual Onze de Abril, em Mostardas, onde atua há cinco anos. Sua experiência docente também inclui passagens pela Escola Edgardo Pereira Velho, em Tavares, e pela Escola Mário Quintana, na localidade de Solidão.


Na sala de aula, considera essencial fortalecer a autoestima dos estudantes. Para ele, acreditar nas próprias capacidades é um elemento importante para o desenvolvimento pessoal e a busca de objetivos. Ao enfatizar essa convicção, afirma: “Gente sem autoestima, infelizmente, não realiza nada”.


Essa preocupação orienta sua maneira de compreender a docência: além de ensinar conteúdos, o professor pode ajudar os alunos a reconhecer suas possibilidades e a construir confiança para enfrentar desafios.


Chrystian também destaca a satisfação de trabalhar na Escola Onze de Abril, onde encontra um bom ambiente profissional. A relação com a instituição ocupa um lugar importante em sua realização como educador.


VOCAÇÃO, NOVOS ESTUDOS E PROJETOS PARA O FUTURO


Ao ser questionado se havia escolhido a docência por opção ou por oportunidade, respondeu sem hesitar: “Por opção!”.


A resposta resume sua identificação com a profissão e ajuda a compreender o desejo de continuar estudando. Entre seus planos estão cursar Fonoaudiologia e realizar um mestrado, aprofundando conhecimentos e ampliando suas possibilidades de atuação.


Seus projetos também passam pela literatura. Chrystian tem um romance histórico pronto, mas ainda aguarda recursos para viabilizar a publicação. Seu primeiro livro reúne dados geográficos e registros históricos em uma narrativa sobre o início da construção de dois importantes pontos turísticos de Tavares: o Farol Mostardas e a Igreja Católica.


Para viabilizar o lançamento, inscreveu a obra em um edital da Secretaria da Cultura do Rio Grande do Sul e aguarda o resultado, na expectativa de ser contemplado.


Com a colaboração de amigos, também prepara seu retorno à comunicação por meio da criação do podcast “Nós, Voz, Eles”, projeto ao qual pretende se dedicar no próximo ano.


Entre a sala de aula, a vivência da fé, a participação comunitária e o interesse pela vida pública, Chrystian constrói uma trajetória marcada pelo desejo de contribuir com a sociedade. Além de aprofundar sua formação e levar seu romance aos leitores, pretende seguir participando dos processos políticos, colaborar com a preservação da identidade de Tavares e criar e apoiar projetos voltados ao fortalecimento da juventude.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

VIDA DE PESCADOR NÃO É MOLEZA: tradição do avô, pai e filho, da água o alimento e renda

 

Na Lagoa do Peixe, a pesca não é apenas uma atividade de trabalho, mas uma tradição que atravessa gerações. No verão, quando chega a temporada do camarão, o pescador se lança às águas em busca do sustento. Em outras épocas do ano, são os peixes que fazem parte de sua rotina.

Herdeiro de uma história familiar, aprendeu com o avô e com o pai os conhecimentos e os segredos da pesca, construindo, desde cedo, uma relação de respeito e pertencimento com a lagoa. Hoje, seguindo os passos daqueles que o antecederam, mantém viva uma tradição que faz parte da identidade das comunidades tradicionais que vivem às margens da Lagoa do Peixe.

Hoje, a prosa foi com Eraldo Machado Lopes, natural de Tavares, nascido há 55 anos e criado na localidade de Guaritas. Agricultor dedicado, principalmente, ao cultivo da cebola, Eraldo também é pescador, como tantos outros agricultores daquela região. Antigamente, a pesca era destinada à subsistência familiar; hoje, tornou-se também uma atividade voltada ao comércio.

Eraldo conta que, no passado, a pesca era uma atividade livre. Bastava ir até a lagoa e começar o trabalho. Pescavam tanto os integrantes das comunidades tradicionais quanto outros moradores do município. Depois da criação do Parque Nacional da Lagoa do Peixe (PARNA), em 1986, a situação mudou. Os órgãos ambientais passaram a estabelecer normas para a pesca, fiscalizar a atividade e definir quem pode ou não pescar na região abrangida pelo parque.

Segundo Eraldo, atualmente há cerca de 200 pescadores cadastrados. Para fazer parte desse grupo, é necessário pertencer às comunidades tradicionais da lagoa e comprovar que se é filho de alguém daquela região.

Como já mencionado no início desta prosa, Eraldo é neto e filho de pescadores. Por isso, pode ser incluído na comunidade de pescadores. Seguindo essa tradição familiar, seus filhos também poderão ser admitidos na atividade, desde que atendam aos critérios estabelecidos.

Embora tenha apenas 55 anos, Eraldo já percebeu mudanças significativas na lagoa ao longo de sua vida. Ele conta que, há cerca de 50 anos, a água era mais profunda e, em alguns lugares, chegava à altura da cintura. Com o passar do tempo, segundo sua percepção, a lagoa foi ficando mais rasa, em um processo que atribui à própria natureza. Atualmente, a quantidade de água é muito menor, o que influencia diretamente a pesca, pois, em algumas ocasiões, a lagoa chega a secar.

Ao falar sobre a pesca do camarão, Eraldo apresenta sua interpretação para o comportamento do crustáceo diante da diminuição do nível da água:

“Com menos água, o camarão está sempre querendo sair e ir para o mar. Os bichos conhecem a natureza. Menos água representa risco para eles; então, se puderem, fogem para o mar.”

O pescador ressalta, porém, que essa é uma interpretação pessoal e que outros profissionais da pesca podem ter entendimentos diferentes sobre o assunto.

As mudanças também atingiram os equipamentos e as práticas de pesca. Eraldo recorda que, antigamente, era possível capturar camarões com redes de arrasto, conhecidas como cocas, prática que hoje é proibida. Também eram utilizados lampiões a gás, chamados popularmente de liquiquinhos. Atualmente, segundo ele, são permitidas apenas lanternas solares.

Durante a conversa, ele também relembrou a antiga Vila da Barra, que existia há cerca de 40 anos. Naquela época, o local contava com escola, hotel, campo de futebol e outras estruturas que davam vida à comunidade. Com o passar do tempo, porém, a natureza foi avançando sobre a vila, e as dunas acabaram invadindo a área ocupada pelos moradores. Hoje, a localidade já não existe há muitos anos, restando apenas algumas ruínas como testemunhas de sua história.

Voltando ao assunto que mais interessa a Eraldo — a pesca do camarão —, ele explica que a atividade ocorre, geralmente, entre dezembro e abril ou maio. O período depende da liberação dos órgãos ambientais competentes, especialmente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), por meio das regras de manejo e fiscalização relacionadas à atividade.

Nesse momento da conversa, Eraldo chama a atenção para uma dificuldade enfrentada pelos pescadores: a proibição da pesca durante determinados períodos, geralmente quando os camarões ainda estão pequenos.

Segundo ele, enquanto os pescadores esperam que os crustáceos cresçam, existe o risco de que eles deixem a lagoa e sigam em direção ao mar.

“Daí, se isso acontecer, todos perdem. Não há garantia de que, ao voltar lá para ver se o camarão cresceu, ele ainda esteja na lagoa. A lagoa não é um cativeiro, onde eles ficam presos”, afirma.

Eraldo explica, ainda, que a salinidade da água também influencia a presença do camarão. Segundo ele, quando a água está muito salgada, o crustáceo não se desenvolve.

Os peixes, assim como os camarões, também podem entrar e sair da lagoa. Perguntei a Eraldo quais são as principais espécies encontradas no local. Ele citou a tainha, o peixe-rei, o linguado e o borriquete. E o siri, que é uma alternativa, que vem junto ao camarão na rede ou capturado através de espinhel. 

Durante a prosa, o pescador também me explicou um pouco da geografia da lagoa, mencionando locais conhecidos pelos trabalhadores da pesca, como Chica, Natalício, Capitão, Formiga, Barra, Paiva, Lagamarzinho, Costa e Veia Terra. Ele também falou sobre a Cambota, onde a pesca é proibida por ser considerada uma área de reprodução.

A rotina dos pescadores exige disposição e resistência física. No fim da tarde, eles colocam as redes na água e, em alguns casos, permanecem acampados em barracas à beira da lagoa. Durante a madrugada, começam a recolher o material e descobrem o resultado do trabalho, que pode ser motivo de comemoração ou de lamentação, dependendo da quantidade capturada.

“Vida de pescador não é moleza”, resume Eraldo.

Ele explica que os pescadores precisam remar os caícos até o local onde estão as redes. Quando há temporal ou vento forte, é necessário puxar a embarcação, enfrentando um percurso de ida e volta que, segundo ele, chega a aproximadamente seis quilômetros. É tudo no esforço físico, como faz questão de destacar.

Uma mudança recente, entretanto, trouxe esperança de dias menos cansativos. Segundo Eraldo, agora está sendo autorizada a utilização de embarcações com motor, o que facilita bastante o trabalho dos pescadores. A novidade é comemorada por ele, pois reduz parte do esforço exigido pela atividade.

Outro problema relatado durante a entrevista é a dificuldade de acesso à lagoa. Conforme Eraldo, alguns proprietários rurais já não permitem que os pescadores atravessem suas propriedades para chegar aos locais de pesca, o que acaba criando obstáculos para o desenvolvimento do trabalho.

Ao final da entrevista, perguntei a Eraldo se, atualmente, vale a pena trabalhar com a pesca do camarão e do peixe. Sua resposta foi direta: hoje, essa atividade já não representa uma opção tão vantajosa como no passado. Ele inclusive não aconselha o próprio filho a seguir essa profissão.

“O preço é baixo, já foi melhor. Nem sempre temos uma safra de camarão que renda, e ele é o principal produto”, conclui.

A conversa com Eraldo Machado Lopes revela uma realidade marcada pela tradição, pelo conhecimento transmitido entre gerações e pela relação profunda entre o homem e a natureza. Ao mesmo tempo, mostra os desafios enfrentados por quem depende da Lagoa do Peixe para trabalhar e garantir o sustento da família. Entre as lembranças de um passado diferente e as incertezas do presente, permanece a história de uma atividade que faz parte da identidade cultural e econômica das comunidades tradicionais da região.

domingo, 11 de outubro de 2026

MARCELO CRISTIANO: entre o trabalho, a política, a fé e os laços familiares


A trajetória deste entrevistado é marcada por valores e tradições que atravessam gerações. Filho de um empreendedor do ramo farmacêutico, deu continuidade ao negócio da família, preservando um legado construído com trabalho, dedicação e compromisso com a comunidade. 

A política também fez parte de sua história, herdada de uma tradição familiar que valoriza a participação na vida pública e o envolvimento com os rumos da cidade. Ao lado dessas dimensões, a religiosidade ocupa um lugar importante em sua vida, assim como a família, alicerce de sua caminhada pessoal e referência para suas escolhas. 

Entre o trabalho, a política, a fé e os laços familiares, este cidadão constrói uma trajetória que revela a influência de suas raízes na formação de sua identidade e na maneira de compreender a vida.


As referências acima dizem respeito a Marcelo Cristiano Paiva Costa, o Marcelo do Ari, 51 anos, natural de Tavares. Ao longo de sua vida escolar, estudou em Tavares, Rio Grande e Mostardas, concluindo o Ensino Médio na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho, em sua cidade natal.

Marcelo é filho de Ari Alfredo Costa e Maria Helena. Seu pai ocupa um lugar de destaque na história de Tavares, sobretudo por seu espírito empreendedor. Em 1969, aos 23 anos, Ari fundou uma farmácia no município, em uma época em que havia poucas opções para quem precisava de medicamentos. Naquele tempo, algumas pessoas costumavam indicar remédios quando alguém adoecia, realidade bem diferente da estrutura farmacêutica que conhecemos hoje.


Mas a iniciativa empreendedora de Ari não se limitou ao ramo farmacêutico. Em 1990, ele criou a Rádio Tarumã, ampliando sua atuação e contribuindo também para a comunicação local. Além de empresário, desempenhou a função de radialista, com uma programação diversificada, em diferentes formatos.

DESDE CEDO, MARCELO DEMOSTRAVA VOCAÇÃO  PARA ADMINISTRAR

A influência do pai e o contato precoce com o mundo dos negócios ajudaram a despertar em Marcelo o interesse pela administração. Ainda adolescente, aos 15 anos, assumiu responsabilidades na emissora. Como ele próprio recorda: “Com 15 anos, fui administrador da rádio de 1990 a 2000”. Nesse período, também atuou como radialista, apresentando um programa musical.

Ari deixou, igualmente, sua marca na vida política de Tavares, tendo exercido o cargo de prefeito por dois mandatos, de 1983 a 1988 e em outro período 1997 a 2000. Assim, Marcelo cresceu em um ambiente no qual o empreendedorismo e a participação na vida pública faziam parte da história familiar.

Entretanto, embora reconheça a importância dessa herança, Marcelo também vem construindo seu próprio caminho, demonstrando iniciativa e capacidade administrativa — como se diz popularmente, caminhando com as próprias pernas.


A EXPERIÊNCIA NO RAMO FARMACÊUTICO 

Sua trajetória profissional no setor farmacêutico ganhou impulso em Camboriú, Santa Catarina. Entre 2014 e 2017, adquiriu uma farmácia naquele município, dando os primeiros passos como empresário do ramo.

O retorno a Tavares ocorreu por uma razão familiar. Sua mãe enfrentava problemas de saúde e precisava de cuidados, o que exigia que Marcelo ajudasse a irmã Margane nessa responsabilidade. De volta à cidade natal, logo assumiu a farmácia da família e, desde então, permanece à frente do negócio.

Antes de retomar integralmente as atividades no estabelecimento, Marcelo também voltou à administração pública. Durante o governo de Gardel, exerceu o cargo de secretário municipal de Turismo por um ano e meio. Posteriormente, concentrou-se na gestão da Farmácia Popular, atualmente denominada Farmácia Popular da Família.

A EXPERIÊNCIA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 

A participação na vida pública também integra a trajetória de Marcelo. Durante o segundo mandato de seu pai como prefeito, atuou como secretário municipal de Finanças por um ano e meio. Depois, assumiu a Secretaria de Habitação, Cidadania e Ação Social, onde permaneceu por dois anos e meio.

Foi nesse período que começou uma iniciativa importante para a população de Tavares: o transporte de pessoas com problemas de saúde até Porto Alegre, para consultas com médicos especialistas e a realização de exames.

“Foi nesta época que iniciei, com 22 anos, em meados de 1998, o transporte de pessoas com problemas de saúde a Porto Alegre, para consulta com especialistas ou exames”, relatou.

O serviço, iniciado há quase três décadas, continua existindo até hoje, tendo sido ampliado ao longo dos anos. Trata-se de uma ação que contribui para aproximar os moradores do município dos serviços de saúde especializados, muitas vezes indisponíveis na própria cidade.

FARMÁCIA EM CIDADE PEQUENA: DESAFIOS E OPORTUNIDADES 

Ao conversar sobre o negócio da família, perguntei a Marcelo se uma farmácia é um empreendimento rentável em Tavares. A resposta foi positiva. Segundo ele, apesar de o município ser pequeno e contar com três estabelecimentos do ramo, há espaço para que todos se mantenham em atividade.

Marcelo destacou que a pandemia trouxe resultados favoráveis para as farmácias. Naquele período, os produtos de cosméticos e os itens destinados aos cuidados com o rosto e os cabelos tiveram um crescimento expressivo nas vendas devido ao aumento de exposição e comunicação nas redes sociais.

Isso não significa, porém, que o negócio esteja livre de dificuldades. Ao ser questionado se a farmácia sempre dá lucro, explicou que existem perdas decorrentes de produtos que permanecem muito tempo nas prateleiras. Quando ultrapassam o prazo de validade ou ficam sem condições de comercialização, representam prejuízo para o estabelecimento.

“Nos últimos meses, perdi R$ 6 mil”, revelou, demonstrando que administrar uma farmácia exige atenção constante ao estoque, às vendas e aos custos da atividade.

Mesmo com a experiência acumulada, Marcelo continua investindo em sua formação. Atualmente, é estudante de Farmácia e pretende concluir o curso no próximo ano. Na empresa, conta com quatro funcionárias registradas, além da participação da filha nas atividades do estabelecimento.

A POLÍTICA NOS PLANOS PARA O FUTURO 

Em determinado momento da entrevista, a conversa voltou-se para a política. Afinal, Marcelo vem de uma família com tradição nessa área, na qual o pai e os tios já ocuparam cargos públicos. Diante desse histórico, perguntei por que ele nunca havia se candidatado a vereador ou prefeito.

A resposta revelou que, embora a possibilidade já tenha sido cogitada por outras pessoas, a candidatura nunca havia sido uma pretensão concreta.

“Pois é, até falavam que eu podia ser candidato, mas nunca, de fato, tive a pretensão. Agora é que estou começando a pensar nisso, mas não já, daqui a alguns anos”, contou.

A conversa prosseguiu, e Marcelo confessou que se identifica mais com o perfil do Poder Executivo. Filiado ao Progressistas (PP), admite que poderá, no futuro, ingressar mais diretamente na disputa política e colocar em prática o que chamou de “empreendedorismo político”.

A expressão sugere a intenção de levar para a gestão pública a experiência adquirida na iniciativa privada, especialmente no campo da administração, do planejamento e da busca por resultados. Por enquanto, contudo, essa possibilidade permanece como um projeto para os próximos anos.


Neste momento, segundo Marcelo, suas prioridades são a farmácia e a família. A religiosidade também ocupa um espaço significativo em sua trajetória. Evangélico há mais de 15 anos, foi batizado na Assembleia de Deus e, atualmente, frequenta a igreja Brasil para Cristo.

Na vida familiar, compartilha sua caminhada com a esposa, Jerusa, com quem é casado há 32 anos. É pai de Kételin e Kédyson e também desfruta da alegria de ser avô de Marcela.

Assim, entre as responsabilidades profissionais, a experiência na administração pública, os planos para o futuro e a dedicação à família, Marcelo procura conciliar diferentes dimensões de sua vida.


Marcelo Cristiano Paiva Costa é um cidadão de alto astral, cuja trajetória reúne experiências no empreendedorismo, na administração pública e na vida familiar. Filho de um homem que ajudou a construir parte da história comercial e política de Tavares, recebeu das raízes familiares referências importantes, mas também buscou experiências próprias para desenvolver sua capacidade de administrar e empreender.

Sua história mostra como os exemplos familiares podem influenciar escolhas e abrir caminhos, sem determinar, necessariamente, todos os passos de uma pessoa. Entre a continuidade do negócio da família e a possibilidade de novos projetos na política, Marcelo segue construindo sua trajetória, tendo o trabalho, a fé e os laços familiares como referências para o presente e para o futuro.

sábado, 10 de outubro de 2026

DE DOMÉSTICA E BABÁ AO DOUTORADO: Claudiana transforma a própria história pela força da educação

 



A emocionante história de Claudiana Raymundo dos Anjos ilustra o poder transformador do ensino.

Criada na periferia de Vitória, ela começou trabalhando cedo como babá e doméstica.

Sua rotina profissional começava às 6h30 e os estudos se estendiam até a meia-noite.

Após ser reprovada por escassos seis décimos, ela persistiu com intensa dedicação.

Em 2010, aos 26 anos, ingressou na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).

Tornou-se a primeira pessoa de toda a sua linhagem familiar a acessar a universidade.

Durante a jornada acadêmica na graduação, planejou economias para manter o sustento.

No mestrado, pesquisou práticas de inclusão para estudantes que possuem baixa visão.

O doutorado contou com investigações internacionais e três visitas técnicas ao México.

Conciliou prazos, pesquisas e a docência substituta com os desafios da maternidade.

Em setembro de 2026, aos 41 anos, Claudiana defendeu com sucesso sua tese de doutorado.

Hoje, seu exemplo inspira novas gerações de mulheres de sua família a cursar o ensino superior.

Fonte: A trajetória completa de Claudiana foi reportada em matérias especiais de veículos jornalísticos e acadêmicos, incluindo o portal de notícias Folha Vitória e registros do Programa de Pós-Graduação em Educação da Ufes. #mulher #mulheres #estudo #superacao #Faculdade

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

MARTA PAIVA: o trabalho, o lazer e a igreja em sua vida

 

Para muitas mulheres, empreender vai muito além da busca por uma renda complementar para a família. É também uma forma de conquistar autonomia, desenvolver talentos e encontrar no trabalho uma fonte de realização pessoal. Entre desafios, aprendizados e conquistas, essas mulheres constroem seus próprios caminhos, transformando ideias e habilidades em oportunidades e mostrando que o empreendedorismo também pode ser uma expressão de coragem, dedicação e vontade de crescer.

Uma das mulheres empreendedoras de Tavares é Marta Paiva, proprietária da loja e bazar Ebenézer. O Espaço de Reflexão conversou com ela para conhecer sua trajetória e valorizar uma iniciativa que, ao longo dos anos, se consolidou no comércio local.

Marta contou que seu falecido marido trabalhava com arroz e gado. O casal tinha um espaço alugado para a Câmara de Vereadores que, em determinado momento, deixou o local, fazendo com que o prédio ficasse sem utilização. Foi então que Marta começou a pensar em uma maneira de aproveitar aquele espaço amplo e bem localizado.

Decidiu montar um bazar, que, desde o início, deu sinais de que poderia se tornar um negócio bem-sucedido. Depois de um ano, Marta deu mais um passo como empreendedora: começou a vender roupas no mesmo local, dando início à loja.

Assim, com o bazar e a loja, o empreendimento segue em atividade desde 2002. Brinquei com Marta que, pelo tempo de funcionamento, o negócio demonstra ter sido um sucesso, pois, se estivesse dando prejuízo, certamente já teria fechado. Ela, porém, respondeu com bom humor, lembrando o que geralmente dizem os comerciantes: “Nem tanto. Tem meses que rende pouco, e ainda temos as funcionárias para pagar”.

Marta explicou que os produtos do bazar são adquiridos por meio de pedidos, com entrega feita pelos fornecedores. Já as roupas são buscadas em diferentes regiões, como Santa Catarina, São Paulo e a Serra Gaúcha. “São Paulo, vou uma vez por ano; Santa Catarina, duas ou três vezes por ano”, conta.

A empreendedora também comentou que, depois da pandemia, a realidade dos lojistas estabelecidos mudou. Com o crescimento do comércio on-line, as vendas diminuíram. “Atualmente, não é como antes”, declarou.

Marta também se queixa dos impostos e dos encargos sociais, que, segundo ela, se tornaram mais um desafio para quem mantém um estabelecimento comercial.

Ao longo de toda a trajetória, Marta relata ter tido a sorte de contar com boas funcionárias, o que lhe permite se ausentar do estabelecimento com tranquilidade, pois considera suas colaboradoras responsáveis e confiáveis. Feliz, apresentou Kauany Cabral e Júlia Cardoso, que atualmente fazem parte da equipe.

Segundo Marta, às vezes pensa em parar, mas logo reconhece que não consegue se imaginar longe do comércio. “Não consigo me imaginar sem isso aqui. Gosto de ser comerciante!”, afirmou.

Perguntei, então, sobre o lazer. Ela abriu um sorriso e respondeu: “Gosto de viajar. Tô sempre com o pé na estrada”.

Ao final da conversa, Marta fez questão de destacar sua fé. Disse ser evangélica há 25 anos e concluiu afirmando que Deus tem lhe dado forças para superar os momentos difíceis da vida.

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

DE VENDEDOR DE PIPOCA E PICOLÉ A JUIZ: Robson, o vencedor

 



Do site Novo Mundo

Robson José dos Santos cresceu na periferia do Recife e começou a trabalhar ainda adolescente, vendendo pipoca nos ônibus e picolé em feiras para ajudar nas despesas da família. Filho de um gari e de uma auxiliar de enfermagem, estudou em escola pública e passou por diferentes profissões, incluindo guarda municipal, bombeiro militar e policial civil.


Aos 31 anos, entrou na faculdade de Direito com bolsa do ProUni. Depois disso, enfrentou uma verdadeira maratona de provas: prestou mais de 70 concursos públicos, incluindo 18 para a magistratura.


Foram cerca de 12 anos de tentativas até conseguir a aprovação para juiz de Direito em Rondônia. Aos 46 anos, tomou posse no cargo pelo qual havia passado anos se preparando.

quarta-feira, 7 de outubro de 2026

MAGAIVER DA SILVA HOMEM: do aprendizado na autoelétrica ao próprio empreendimento

 

Desde muito jovem, este empreendedor já demonstrava disposição para o trabalho e vontade de construir o próprio caminho. Em busca de novas oportunidades, chegou a uma autoelétrica, onde encontrou não apenas um emprego, mas também a oportunidade de aprender um ofício que transformaria sua trajetória. Foi ali que, com dedicação e interesse, adquiriu conhecimentos na área da elétrica automotiva, acumulou experiência e ganhou confiança para, mais tarde, dar um passo importante: iniciar o próprio negócio. Assim, entre aprendizado, trabalho e persistência, começou a construir sua história como empreendedor.

O jovem empreendedor a que nos referimos é Magaiver da Silva Homem, natural de Tavares e hoje com 36 anos. Estudou o Ensino Fundamental na Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho e, posteriormente, foi para Osório, onde cursou o Ensino Médio na Escola Rural. Permaneceu cerca de seis meses naquela cidade, mas a saudade de casa falou mais alto, e ele decidiu retornar a Tavares.

De volta à Escola Edgardo, no segundo ano e, com o objetivo de acelerar a conclusão do Ensino Médio, optou pelo supletivo.


OS PRIMEIROS PASSOS NO TRABALHO 


Desde cedo, Magaiver compreendeu a importância do trabalho. Seu primeiro emprego foi na Sul Pinus, onde atuou em serviços gerais. Depois, deixou a empresa e foi morar em Rio Grande, onde trabalhou no supermercado Guanabara. Percebeu, porém, que aquele não era o caminho que desejava seguir.

Na sequência, conseguiu trabalho em uma empresa de segurança, onde permaneceu por aproximadamente um mês e meio. Como não recebeu salário nesse período, decidiu desistir e retornar para Tavares. Na cidade, trabalhou durante oito meses no Mercado Econômico.

Mas a trajetória profissional de Magaiver ainda estava em construção. Em busca de novas oportunidades, voltou para Osório. Foi então indicado para trabalhar na Autoelétrica Sheifer, de Jairo e Renato. A oportunidade surgiu e ele foi contratado.

Perguntei a Magaiver se, naquele momento, já possuía algum conhecimento de elétrica automotiva. A resposta revelou o quanto aquela experiência seria importante para sua vida profissional:

“Cheguei zero na elétrica. Aprendi tudo lá. Depois de cerca de seis meses, vendo que eu tinha perfil para aquilo, ganhei um curso.”

Foi, portanto, na autoelétrica que Magaiver encontrou uma profissão que talvez ainda nem soubesse que procurava. Permaneceu no estabelecimento por quase quatro anos. Depois, retornou novamente para Tavares, onde trabalhou durante três anos e meio na oficina do Réus, como eletricista.


O NASCIMENTO DO PRÓPRIO NEGÓCIO


Com experiência e já profissionalmente preparado, Magaiver percebeu que poderia ir mais longe. Entendeu que não deveria se acomodar apenas na condição de funcionário e decidiu criar o próprio negócio, a Eletrocar.

Começou em um galpão alugado. Ali trabalhou durante três anos, economizou e, com muito esforço, e ajuda da família, conseguiu dar um passo ainda maior em sua trajetória.

Aquele jovem que havia passado pela Sul Pinus, pelo supermercado Guanabara, pela empresa de segurança e pelo Mercado Econômico agora era dono do próprio empreendimento. O próximo objetivo era deixar o aluguel para trás e construir um espaço próprio e bem estruturado. E foi o que fez. Hoje, Magaiver está estabelecido em seu próprio prédio, onde mantém a Eletrocar.


UM EMPREENDIMENTO COM PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA 


A Eletrocar do Magaiver também tem uma característica especial: é um empreendimento com a participação familiar. Além dele, trabalham no negócio o pai e o irmão, enquanto a mãe também auxilia eventualmente.

Desde 2020, a vida profissional de Magaiver começou a mudar de maneira significativa. O empreendimento passou a se consolidar e tornou-se uma referência em Tavares. Com ética, compromisso e responsabilidade, o negócio vem registrando crescimento e prosperidade.

A demanda aumentou a ponto de, há cerca de 30 dias, Magaiver contratar uma secretária para auxiliar nas atividades e dar mais estrutura ao empreendimento.

Com semblante de quem está feliz com o caminho que construiu, Magaiver transmite a sensação de satisfação com o sucesso alcançado pela sua autoelétrica. Perguntei se existem períodos do ano de menor movimento. Segundo ele, os meses de junho e julho, durante o inverno, costumam apresentar uma redução no faturamento.

“Hoje, só autoelétrica, a minha é a única em Tavares”, afirmou Magaiver.

TRABALHO, LAZER E VIDA FAMILIAR 

Apesar do sucesso, a vida de trabalhador de Magaiver está longe de ser fácil. Embora trabalhe de segunda a sexta-feira, nem sempre há horário definido para encerrar a jornada. Em algumas ocasiões, já chegou a permanecer trabalhando até a meia-noite.

E quando o assunto é lazer, a família também encontra seus momentos para aproveitar. “No verão costumamos curtir a praia nos fins de semana, em São Simão. Às vezes, vamos até as praias de Santa Catarina”, conta.

Casado com Tamara Machado de Azevedo, que também trabalha em um escritório, Magaiver procura conciliar o trabalho com o lazer e a vida familiar.

Sua trajetória é marcada por diferentes empregos, mudanças de cidade, aprendizado, persistência e, sobretudo, pela disposição para trabalhar. O jovem que um dia chegou a uma autoelétrica sem saber praticamente nada sobre elétrica automotiva encontrou naquele ofício uma profissão e, posteriormente, o caminho para construir o próprio empreendimento.

terça-feira, 6 de outubro de 2026

MARIA FAUSTA: sua história, o amor às pessoas e ajuda ao próximo

 


Há histórias que se constroem silenciosamente, por meio de gestos de solidariedade, cuidado e dedicação ao próximo. Durante muitos anos, Maria Fausta encontrou na Pastoral da Criança, ligada à Igreja Católica, uma forma de servir à comunidade e contribuir para a saúde e bem-estar de crianças e famílias. Seu trabalho voluntário, realizado com simplicidade e compromisso, revela uma trajetória marcada pela disposição de ajudar e pela compreensão de que pequenas ações podem fazer a diferença na vida das pessoas.

Maria Fausta da Costa Lemos, 80 anos, nasceu e foi criada na localidade do Posto, em Tavares. É casada há 58 anos com Vilson Machado de Lemos, de 87 anos, e é mãe de Fernanda Lemos Paiva. Vilson foi guarda sanitário rural, atuando também nos cuidados relacionados à vacinação do gado. Maria Fausta, por sua vez, foi, durante 17 anos, secretária do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Tavares. Também fez curso de auxiliar de enfermagem e atuou como agente de saúde pública. 

Maria conta que seu pai, Luiz Maneca, era um homem bastante religioso. “O pai ia a cavalo de Tavares assistir à missa em Mostardas ou em  Bojuru”, recorda. Segundo ela, o pai também contava que, quando a igreja foi construída, ele e sua esposa foram o primeiro casal a entrar no templo, durante a primeira missa.

Por isso, Maria Fausta acredita que sua religiosidade tenha origem na própria família. Ela foi e continua sendo uma pessoa ligada à Igreja Católica. Participava dos terços, das missas e foi catequista durante muito tempo.

Em 1993, assumiu o comando da Pastoral da Criança. Ela conta que “nós pesávamos as crianças, aconselhávamos sobre o aleitamento materno e promovíamos palestras sobre a saúde das crianças”.

Maria mantinha grupos de apoio em diversas comunidades, entre elas Capororocas, Olhos D’Água, Tapera, Butiá, praias e Campo da Honra, além de outras localidades.

Naquela época, ainda não havia o Programa Saúde da Família com agentes comunitários de saúde atuando como ocorre atualmente. A Pastoral da Criança desenvolvia parte desse trabalho de acompanhamento e orientação. Maria Fausta lembra que “havia muitas crianças desnutridas”. Para atender a essas crianças, eram preparados nutrientes, conhecidos como multimisturas, que eram posteriormente doados às famílias. Também eram confeccionadas vestimentas e roupas de cama para pessoas necessitadas.

Maria Fausta lembra das reuniões que realizava. “Conseguíamos fazer reuniões com muita gente”, recorda. O relato revela a dimensão que a ação da Pastoral da Criança alcançava naquele período, contando com apoio social e adesão da comunidade e cumprindo uma importante finalidade social.

Maria Fausta também recorda que participava de reuniões em Criciúma, Bagé, Pelotas, Rio Grande, Osório, entre outros lugares.

Além do trabalho relacionado à saúde, a Pastoral também atuava no processo de alfabetização. Promovia capacitações de monitores para o trabalho voluntário, formava grupos de cinco a oito pessoas e realizava cerca de dois encontros semanais.

Convém registrar ainda que Maria Fausta guarda em sua casa um importante acervo de documentos relacionados à atuação da Pastoral da Criança, e também de outros aspectos da história de Tavares. São muitos cadernos, fotografias, objetos antigos (máquina datilografia,  tv, etc) e registros que ajudam a compreender as relações humanas na comunidade. Trata-se de um rico material histórico, no qual aparecem dados e informações que ajudam a ilustrar aquele período da vida comunitária de Tavares.

A Pastoral da Criança foi fundada aqui em Tavares, no ano de 1993, e mantém suas atividades até hoje.

Maria Fausta também não esqueceu de destacar o papel fundamental da Irmã Anselma no processo de fundação, organização e funcionamento da Pastoral da Criança.

SÁVIO ARAÚJO: uma história de superação pela fé


Há histórias que parecem desafiar os próprios limites da vida. Este é o caso do jovem desta história, que, diante de uma situação em que tudo indicava um desfecho trágico, conseguiu sobreviver. Poderíamos dizer que ele ainda tinha uma missão a cumprir aqui. Quando as circunstâncias pareciam apontar para o fim, algo extraordinário aconteceu: contra todas as expectativas, ele sobreviveu.

Para sua família e para aqueles que acompanharam de perto aquele momento, a salvação foi vivida como um verdadeiro milagre, uma experiência marcada pela fé, pela esperança e pela certeza de que, mesmo nos momentos mais difíceis, a vida pode surpreender.

Naquela sexta-feira, no final da tarde, o Espaço de Reflexão foi ao encontro de Sávio da Silva Araújo, com o objetivo de conhecer melhor sua trajetória e compartilhar sua história com os leitores.

Sávio é um jovem que nasceu e foi criado na localidade do Butiá, hoje com 30 anos. Sua família sobrevivia do cultivo da cebola. Ao falar sobre esse período, Sávio ressaltou que, desde cedo, já imaginava que não seguiria na agricultura, pois não via um futuro promissor naquela atividade. Naquela época, a cebola proporcionava bons resultados em determinado ano, mas poderia representar prejuízo no seguinte.

Sávio estudou até a sexta série na Escola Olavo Bilac, no Posto, e posteriormente veio para a Escola Estadual de Ensino Médio Edgardo Pereira Velho.


O PRIMEIRO PASSO NO CAMINHO PROFISSIONAL

Durante o Ensino Médio, Sávio mantinha uma forte amizade com jovens da Igreja Católica. Era especialmente próximo de Crystian Silveira, que o indicou para o programa Mais Educação.

Sávio foi aceito e começou a trabalhar como monitor auxiliar dos oficineiros na Escola Edgardo. Era uma atividade realizada no turno inverso, voltada principalmente aos alunos que apresentavam dificuldades.

Ao vir para a cidade, entretanto, Sávio não tinha onde morar. Ele lembra:

“Sem endereço fixo, eu dependia da ajuda dos amigos. Ficava numa casa hoje, amanhã ficava noutra, e assim por diante.”

Desde jovem, Sávio também era participativo na Igreja Católica. Aos 16 ou 17 anos, já atuava como catequista.

Em 2013, no segundo semestre, surgiu uma nova oportunidade. O professor Thiago Pedone, que trabalhava na escolinha de futebol, havia sido nomeado em um concurso e, por esse motivo, precisou deixar a função.

Mas o que isso tinha a ver com Sávio?

Thiago passou a ajudar Terezinha Brum na escolha de um novo instrutor para ocupar sua função. Foi então que indicou Sávio, que acabou sendo escolhido.

A oportunidade o deixou imensamente feliz. Ele recorda, com gratidão:

“Até hoje tenho grande gratidão a ele, pois subia mais um degrau na ‘escada’ do trabalho e da renda.”

Em 2014, sua família migrou para a cidade. A partir daquele momento, Sávio passou a ter endereço fixo. Para ele, dias melhores começavam a surgir.

Trabalhando no Mais Educação pela manhã, estudando à tarde e atuando na escolinha de futebol no final do dia, conseguiu ampliar suas fontes de renda.

“Com duas fontes de renda, a renda melhorava”, afirmou.


O SONHO DE CONTINUAR OS ESTUDOS

Aos 17 anos, Sávio já pensava em concluir o Ensino Médio e prosseguir nos estudos.

“O primeiro sonho era estudar Psicologia”, contou.

No entanto, certo dia, uma colega ligou convidando-o para fazer o curso de Educação Física em uma faculdade de Rio Grande. Combinaram e foram.

Depois, convenceram outros jovens a participar. Ao todo, cinco estudantes se organizaram para dividir as despesas de deslocamento, já que o curso era semipresencial, com uma aula semanal em Rio Grande.

Assim, em fevereiro de 2014, Sávio começou sua trajetória como estudante universitário.

A partir daquele momento, passou a conquistar cada vez mais a confiança da família. Na escola, assumiu uma oficina dentro do Mais Educação e continuava trabalhando na escolinha de futebol.

Em 2015, porém, o contrato do Mais Educação chegou ao fim. E agora?

Sávio não se desesperou. Procurou alternativas e conseguiu trabalho na loja do Zé Franco, onde permaneceu por quase dois anos.

Ele faz questão de ressaltar:

“Sempre paguei a faculdade.”

Como os pais tinham uma situação financeira limitada, Sávio sabia que precisava construir seu próprio caminho para conseguir concluir o curso.

Em 2016, surgiu uma nova oportunidade. Foi indicado para o cargo de diretor de Esportes de Tavares, durante o governo de Flávio Rodrigues (MDB).

“Minha autoestima foi lá em cima”, confessou.

Naquele momento, tudo parecia caminhar bem: trabalho, renda melhor e a faculdade próxima da conclusão.

Mas, de repente, surgiu uma forte “turbulência” que abalaria sua vida.


ENTRE A VIDA E A MORTE

O problema de saúde aconteceu durante uma partida de futebol em um pequeno campo, junto com a gurizada. Ao final do jogo, Sávio sentiu uma pequena tontura.

Naquele momento, havia entre o grupo um policial que trabalhava na Operação Verão. Ao examinar seu pulso, percebeu que havia algo estranho. Os batimentos cardíacos estavam muito acelerados.

O policial recomendou que Sávio não retornasse para casa a pé. Ele foi levado ao pronto atendimento.

Ao chegar ao local, foi constatado que sua pressão arterial estava em 7 por 5, enquanto os batimentos cardíacos ultrapassavam 150 por minuto.

Em poucos minutos, Sávio sofreu duas paradas cardíacas. Na segunda, ficou cerca de dois minutos sem sinais vitais.

Mas ainda não era a hora de partir.

A equipe conseguiu reverter a situação por meio de massagens cardíacas e do uso do desfibrilador.

Entre a vida e a morte, Sávio foi encaminhado para Tramandaí. Lá, passou por exames, mas inicialmente não foi possível identificar a causa do problema.

Depois de uma semana, foi encaminhado para Porto Alegre. Por meio de uma ressonância magnética, os médicos descobriram um problema ventricular responsável por provocar arritmias.

Foi realizada uma intervenção cirúrgica, com a implantação de um CDI — Cardioversor Desfibrilador Implantável.

A partir desse procedimento, e com o dispositivo, Sávio deixou a situação crítica e passou a viver com mais segurança.

Quando tudo isso aconteceu, faltava apenas um semestre para concluir o curso de Educação Física.

Ainda no hospital, Sávio perguntou aos médicos se poderia exercer a profissão de professor de Educação Física. Surgiram dúvidas entre a equipe médica, momentos de angústia e suspense, até que veio a decisão: ele poderia atuar profissionalmente na área, porém com algumas restrições.


A FORMAÇÃO E O RETORNO AO TRABALHO

Em 2017, Sávio concluiu a Licenciatura em Educação Física. Finalmente, havia alcançado o diploma de nível superior e se tornado profissional de Educação Física.

Durante alguns meses, recebeu benefício do INSS. Porém, em uma perícia, fez questão de dizer que queria voltar a trabalhar.

Com a suspensão do benefício, começou a atuar como voluntário, auxiliando Jonifer Pedone nas atividades de ginástica com idosos no CRAS e também na escolinha de futebol.

Em 2018, o então secretário de Educação, Nardel Nunes, aconselhou-o a abrir uma microempresa para que pudesse participar de processos licitatórios relacionados à escolinha e à ginástica. Dessa forma, deixou a condição de voluntário e passou a atuar profissionalmente.

Durante a pandemia, houve uma interrupção nas atividades. Depois, Sávio voltou a trabalhar com os idosos.

Logo surgiu uma nova decisão. A partir de 2021, foi criado um projeto de Educação Física para os anos iniciais na Escola Izabel.

Sávio passou, então, a trabalhar com dois contratos: um com a Secretaria Municipal de Educação e outro com a Secretaria Municipal de Turismo, relacionado à escolinha de futebol.


UM PROFISSIONAL REALIZADO

Hoje, Sávio se considera um homem feliz. É casado com Taíssa Silva, desfruta de boa saúde, trabalha na área em que se formou e também concluiu o bacharelado em Educação Física.

Ele conta:

“Em meados de 2018, comecei o curso de bacharelado em Educação Física, que finalizei no fim do ano de 2020.”

Também faz questão de agradecer às pessoas que contribuíram para sua formação profissional:

“Agradeço a colaboração do professor Tiaraju, que foi importante nos meus estágios, e hoje em dia tenho a satisfação de poder trabalhar junto com ele.”


UMA MISSÃO A CUMPRIR

No final da entrevista, tomado pela alegria e pela gratidão, Sávio fala sobre sua trajetória e sobre a oportunidade de permanecer trabalhando na cidade onde nasceu e foi criado:

“Sou muito grato por poder trabalhar dentro da minha área, na cidade onde nasci e me criei. Enquanto muitos não tiveram essa oportunidade e, com isso, tiveram que partir em busca de outros caminhos e chances em outras cidades, eu pude seguir, fazendo minha história e minha caminhada no município de Tavares, que tanto amo e estimo.”

E, ao refletir sobre tudo o que viveu, Sávio encontra na fé uma explicação para a segunda oportunidade que recebeu da vida:

“Como conclusão, eu diria que, se Deus me deu uma nova chance de viver, acredito que é porque eu tenha uma missão importante ainda nessa vida. E quem sabe essa missão seja fazer a diferença na vida das pessoas, principalmente na vida das crianças e dos jovens, através do incentivo às práticas esportivas e de um seguimento neste caminho que os afaste de qualquer caminho ruim e possa ajudar na formação deles como pessoas e cidadãos de bem, que tenham disciplina, respeito e vontade de fazer a diferença dentro da sociedade.”

Por fim, Sávio deixa uma reflexão que traduz o significado que atribui à própria trajetória:

“E que, quando Deus achar que for o meu momento de ir embora dessa vida, que as pessoas possam lembrar de mim como aquele cara do esporte que foi importante e deixou o seu legado.”

domingo, 4 de outubro de 2026

RUBINHO BARBOSA: uma história de superação, fé e luta pela vida

 


Rubens Moraes Barbosa, mais conhecido como Rubinho Barbosa, poderia ser apenas mais um cidadão tavarense, como tantos outros. No entanto, sua trajetória é marcada por desafios, superação e, sobretudo, pela força da fé. Talvez não apenas pela própria vontade, mas por uma força que, segundo ele, vem de cima. No decorrer deste bate-papo, o leitor entenderá ao que estou me referindo.


Rubinho Barbosa nasceu e foi criado na localidade do Posto, há 72 anos, vindo ao mundo com a ajuda da parteira Maria Luiza. Seu pai, Antônio Marques Barbosa, natural do Bacopari, era tropeiro e costumava levar gado para São José do Norte. Em uma dessas viagens, por um motivo que não se sabe ao certo, acabou ficando no Capão Comprido, na propriedade de Franklin Araújo, conhecido como Franco.

Foi lá que Antônio se casou com Joventina. O casal teve nove filhos. Antônio aprendeu a plantar cebola, atividade que acabou se tornando seu meio de vida, pois esse era o principal produto cultivado pelas famílias daquela região na época.

Mais tarde, Antônio mudou-se do Capão Comprido para a localidade do Posto, em Tavares. Foi ali que Rubinho iniciou seus estudos na Escola das Barracas, onde frequentou as aulas até a quarta série. Depois, foi para a Escola Edgardo Pereira Velho, onde cursou a quinta e parte da sexta série. Somente depois de adulto voltou aos estudos para concluir o Ensino Fundamental.

A PARTICIPAÇÃO NA POLÍTICA

Rubinho Barbosa demonstra orgulho ao falar de sua participação na política de Tavares. Quando aconteceu a emancipação política do distrito e foi criado o novo município, lá estava ele, participando dos primeiros passos da administração municipal.

“Fui um o primeiro Secretário de Obras de Tavares, no governo Ari Alfredo Costa, a partir de 1983. Ajudei a organizar a primeira EXPOCACE, acho que em 1984. Construímos, enquanto Secretário de Obras, o acesso a seco à praia, hoje a Trilha da Veia Terra,  em 1984, em terreno doado pela dona Amélia, esposa do seu Zeca Camilo”, recorda.

Rubinho permaneceu como secretário até 1987. Depois, entre 1987 e 1989, foi presidente da Colônia dos Pescadores.

Em 1988, concorreu ao cargo de vereador e ficou como primeiro suplente. Em 1991, já em um novo partido, voltou a trabalhar na Secretaria de Obras, durante o governo de Dr. Vilmar Silva(MDB). No ano seguinte, em 1992, concorreu novamente a vereador, pelo PDT, desta vez sendo eleito para um mandato de quatro anos.

Naquele período, além da atividade política, Rubinho também trabalhava no cultivo de arroz e cebola.


FAMÍLIA E PARTICIPAÇÃO NA COMUNIDADE

Casado com Andréa da Silva Barbosa, Rubinho é pai de Antônia. De casamentos anteriores, também tem os filhos Keni, Diovane, Eliezer e Rubia.

Rubinho e Andréa são um casal católico participativo e com forte envolvimento na comunidade. Ele lembra com satisfação de uma importante experiência vivida junto à Igreja Santo Antônio.

“Faziamos parte do Conselho Paroquial  como casal coordenador, durante a reforma da Igreja Santo Antônio, juntamente com o padre Márcio, iniciamos em 2018 a 2019, com muita coragem e com dinheiro doado pela comunidade. Houve doações de terneiros para leilão, rifa de colchão,  bingos, doações dos irmãos Catarinenses,  por meio da Irmã Anselma, conseguimos arrecadar mais de 300 mil reais, foi um ano de muitas bênçãos”, conta.


NOVAMENTE NA VIDA PÚBLICA

Ao falar sobre sua trajetória política, Rubinho recorda ainda que foi Secretário de Agricultura, Secretário de Obras e Chefe de Gabinete durante o governo de Gilson Paiva (MDB).Também  neste período sua esposa Andrea assumiu como Secretária de Educação, assim como no governo de Flávio Rodrigues ( MDB), Andréa voltou a ocupar a Secretaria de Educação.

Como se percebe, Rubinho e Andréa tiveram uma participação significativa na história política de Tavares, em diferentes épocas, passando por mais de um governo e por diferentes partidos.


QUANDO A LUTA PASSOU A SER PELA VIDA

Mas chegou um momento em que a luta de Rubinho deixou de estar concentrada apenas no trabalho, no cultivo do arroz e da cebola ou nas atividades políticas. Começava uma batalha muito maior: a luta pela própria vida.

Em 2006, Rubinho teve problemas cardíacos e precisou colocar um stender (molinha).

Em 2024, tinha uma consulta dermatológica marcada em Porto Alegre. Antes de sair, porém, não estava se sentindo bem. Mesmo assim, foi para a consulta. Ao chegar ao hospital, sentiu uma forte dor nas pernas e foi encaminhado para a emergência. Lá, os médicos constataram que ele estava sofrendo um infarto.

Segundo Rubinho, se tivesse permanecido em Tavares naquele momento, a situação poderia ter sido muito mais grave.

“Foi Deus que me levou para lá antes que tivesse acontecido aqui, 240 quilômetros distante do hospital adequado para este tipo de cuidado”, afirma.

Durante esse período, Rubinho começou a fazer hemodiálise, pois apresentava insuficiência renal. Também foi vítima de uma infecção hospitalar e passou cerca de 20 dias lutando contra uma bactéria. Ao todo, permaneceu 45 dias internado no Hospital da PUC.

Mas, para Rubinho, ainda não era o momento de partir. Ele acredita que existe uma hora determinada para o fim da vida e, baseado nessa fé, entende que aquele não era o seu momento.

Superou a “turbulência” e voltou para casa.


UMA ROTINA DE DEZ HORAS LIGADO À MÁQUINA

Rubinho continuou fazendo hemodiálise por aproximadamente dois meses. Depois, a equipe de nefrologistas da PUC ofereceu uma alternativa: a diálise peritoneal, procedimento que pode ser realizado em casa.

Dessa maneira, ele não precisa mais se deslocar três vezes por semana até um hospital para realizar o tratamento.

A vida de Rubinho não tem sido fácil. Mas ele encontrou forças para continuar lutando diariamente e tem conseguido seguir em frente. Todos os dias, permanece cerca de dez horas conectado à máquina, realizando o processo em sua própria residência.

Atualmente, Rubinho está na fila para um transplante de rim, cheio de esperança de conseguir o órgão.

Ele já chegou a ser chamado para um transplante. No entanto, quando já estava no hospital, aguardando o procedimento, o rim acabou sendo destinado a outro paciente que, naquele momento, apresentava maior necessidade.


UMA HISTÓRIA QUE INSPIRA

Andréa conta que Rubinho se tornou uma referência para os médicos da nefrologia e que é chamado para dar depoimentos sobre sua experiência durante o tratamento.

A trajetória de Rubinho Barbosa é marcada por momentos em que a saúde esteve no limite. Ainda assim, ele conseguiu superar cada uma dessas etapas.

Hoje, vive intensamente cada dia. Fala sobre sua história, recorda os momentos difíceis e, acima de tudo, celebra a vida.

Sua trajetória mostra um homem que, diante das adversidades, encontrou na fé, na família e na força de vontade motivos para continuar. Rubinho não esconde as dificuldades que enfrentou, mas fala delas com a serenidade de quem se considera um vitorioso.

E talvez seja justamente essa a maior lição de sua história: há momentos em que a vida nos coloca diante de grandes desafios, mas a esperança pode ser a força que nos faz continuar caminhando. Por isso,  continua se dedicando a  pecuária em sua chácara no Posto,  onde, o contato com a natureza e os animais lhe dão forças para continuar vivendo.

sábado, 3 de outubro de 2026

BETO E VERA: um casal que se realiza entre o trabalho e a família



O Espaço de Reflexão está começando a circular por diversos lugares de Tavares, tanto na área urbana quanto nas comunidades rurais. Desta vez, chegamos à localidade de Olhos D’Água, para visitar o casal Carlos Roberto Brum Chaves, o Beto do Domingos, e Vera Mariza Chaves.

A noite estava fria, mas somente do lado de fora. Na residência de Beto e Vera, o ambiente estava aquecido, não apenas pelo calor agradável do fogão a lenha, mas, principalmente, pela prazerosa recepção dos anfitriões ao Espaço de Reflexão para uma boa prosa.

Durante a tarde, Vera deu início aos preparativos da galinha planejada para o jantar. Mais tarde, já à noite, Beto assumiu o comando da culinária. Enquanto o bate-papo acontecia, ele ia até o fogão para acompanhar de perto o preparo da comida. Entre uma pergunta e outra, a conversa seguia acompanhada pelo cheiro apetitoso da galinha caseira.

AS HISTÓRIAS DE BETO 

Beto do Domingos, ou simplesmente Beto, nasceu e foi criado na localidade de Olhos D’Água, há 67 anos. Vera nasceu na Tapera e tem 65 anos.

Beto estudou até a quinta série na escola da comunidade. Depois, foi para Osório, onde fez o exame de admissão ao Ginásio, equivalente ao atual Ensino Fundamental, mas não obteve aprovação. Na sequência, foi para a Escola Rural, onde concluiu o primeiro e o segundo graus.

Em Osório, Beto começou a trabalhar na Rádio Osório, como locutor de comerciais e também na parte técnica, atividade que exerceu durante quatro anos. Teve ainda uma breve passagem pela TV Guaíba.

Ele lembra a experiência com satisfação:

“Foi uma experiência muito boa. Fazíamos cobertura esportiva pelo Estado.”

Mas Beto era filho único e o pai possuía propriedades em Tavares. Naquele momento, não via futuro em continuar trabalhando na rádio. Decidiu, então, retornar para Tavares e ajudar a família na plantação de cebola. Na década de 1980, plantar cebola era considerado um bom negócio.

“Fui caminhoneiro, levava cebola para São Paulo e Rio de Janeiro”, conta Beto.

E assim seguiu sua trajetória como homem ligado ao agro. Sobre a escolha que fez, é direto:

“Não me arrependi nem um pouco.”

A TRAJETÓRIA DE VERA

Vera estudou na escola da Tapera até a quinta série. Da sexta à oitava série, frequentou a Escola Marcelo Gama, em Mostardas. Depois, foi para Rio Grande, onde estudou o segundo grau na Escola Joana D’Arc, mas acabou reprovando.

Retornou e decidiu cursar o Magistério em Osório. Determinada a seguir a carreira de professora, posteriormente foi fazer faculdade de Ciências em Santa Cruz do Sul.

FAMILIA,FILHOS E CONTINUIDADE

Beto e Vera se casaram quando ele tinha 24 anos e ela, 22. O casal teve três filhos: Roberta, Vinicius e Gustavo.

Roberta é professora de Letras e está concluindo um segundo curso, em História. Trabalha na rede municipal de ensino de Mostardas.

Vinicius cursou Turismo e Administração e trabalha no Banrisul como gerente de Agronegócio.

Gustavo é engenheiro eletricista e trabalha na RGE, planejando seu futuro profissional no setor de subestações.

Perguntei a Beto qual dos filhos poderá ser seu sucessor no agro. Ele respondeu que todos podem no futuro tomaram comando dos negócios.  Hoje o Vinicius é quem tem mais se aproximado desse caminho.  Inclusive, talvez por atuar profissionalmente no agronegócio no banco.

Beto também lembrou que, durante cerca de dez anos, manteve um comércio no Joaquim Ferreira.

Atualmente, dedica-se à criação de gado e à produção de resina.

UMA BREVE PASSAGEM PELA POLÍTICA 

Quando perguntei sobre sua participação na política, Beto logo deixou claro que não sente saudade daquela experiência. Ele ocupou, durante quatro meses, o cargo de secretário de Obras no governo de Ari Alfredo Costa.

Foi uma passagem breve, diferente da trajetória que construiu no campo e nas atividades ligadas ao agro.

FÉ E FAMÍLIA 

Vera e Beto são um casal católico e participativo. Dizem-se felizes pelos filhos e, sobretudo, pela boa relação existente entre eles.

Vera demonstra gratidão pela família que construiu:

“Agradeço a Deus pelas noras que temos e pelos netos Henrique, Aurora e Valentim, que está a caminho.”

Enquanto a conversa avançava, Beto fez o convite para saborearmos a galinha caseira, que já deixava no ar um cheiro apetitoso e anunciava que a prosa estava chegando a um dos momentos mais esperados da noite.

E ainda há tempo para o lazer?

Antes de encerrar a conversa, fiz uma última pergunta ao casal: diante de tanto trabalho, sobra tempo para o lazer da família?

A resposta foi sim.

No verão, a praia faz parte dos planos. O Farol é um dos destinos e, uma vez por ano, também costumam visitar as praias de Santa Catarina.

Vera, porém, ainda guarda um desejo:

“Ainda quero ir a Aparecida, em São Paulo.”

Ficou faltando perguntar por que a viagem ainda não aconteceu. Talvez seja justamente a falta de tempo, sempre tão disputado entre o trabalho, a família e as responsabilidades do dia a dia.

E assim terminou mais uma prosa do Espaço de Reflexão, desta vez em Olhos D’Água, na casa de Beto e Vera, onde o frio da noite ficou do lado de fora e, dentro de casa, o calor do fogão a lenha se misturou ao calor humano de uma família que tem muitas histórias para contar.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

QUIOSQUE DO DUDU: um espaço de convivência, comércio e lazer

 


O Espaço de Reflexão não pretende ficar restrito apenas ao espaço urbano. O blog também quer valorizar as identidades e as histórias do meio rural. Nesse sentido, chegou até o Quiosque do Dudu, localizado nos Olhos D’Água, às margens da BR-101, na comunidade José Damião.


A comunidade José Damião está inserida em um espaço sociológico maior, que é o Quilombo Vó Marinha. O entrevistado desta vez é Clézio José Marques, proprietário do Quiosque do Dudu.


Mas, afinal, o que é o Quiosque do Dudu? Como se costuma dizer, é um pouco de tudo reunido em um só lugar. O estabelecimento funciona como bar e fruteira e comercializa uma variedade de produtos, entre eles alho e cebola em réstia, melancia, batata-doce, aipim, cenoura, tomate, entre outros.


O Quiosque do Dudu é também um espaço de convivência e encontro, sobretudo à noite, quando amigos e moradores da comunidade costumam se reunir. Ali, são consumidos refrigerantes, cervejas, água e outras bebidas, enquanto ficam à disposição dos clientes produtos da agricultura familiar, muitos deles produzidos na propriedade de Clézio e sua família.

O estabelecimento também oferece açaí, sorvetes e picolés. Em meio a esse ambiente diversificado, há ainda mesa de bilhar e pebolim, opções de lazer que já proporcionaram momentos de diversão para muitas pessoas.


O Quiosque do Dudu tornou-se, assim, um lugar de encontro. Clézio conta que “chega a se reunir aqui cerca de 15 pessoas à noite, gente da cidade, da comunidade e, às vezes, turistas, que armam barracas e aqui ficam. Motociatas também costumam se reunir aqui”.


Como se percebe, o Quiosque do Dudu é um espaço que reúne comércio, convivência e lazer, fazendo parte da dinâmica cotidiana daquela comunidade.



Durante a conversa, pedi a Clézio que falasse um pouco sobre o Quilombo Vó Marinha. Ele explicou que não é membro associado do quilombo, mas conhece sua realidade e destacou que “o quilombo tem cerca de 24 famílias, aproximadamente 70 pessoas. Tem dois tratores e equipamentos, além de colheitadeira”.


Clézio explicou que o Quiosque do Dudu funciona todos os dias da semana e, em algumas ocasiões, permanece aberto até a meia-noite. Com novos planos para o futuro, ele pretende ampliar as opções oferecidas ao público.

“Eu era funcionário da CEEE Equatorial e agora estou saindo da firma e vou me dedicar ao comércio. Pretendo ampliar as opções ao público. Quero vender pastéis, churrasco e churrasquinho, enroladinho, isca de peixe, xis, cachorro-quente, torrada, etc.”

E os planos não param por aí. Clézio também pretende proporcionar momentos de música e confraternização aos frequentadores.

“Quero colocar música ao vivo nas sextas ou sábados”, concluiu.


Clézio é, em síntese, um empreendedor. Começou pequeno, em 2022, e vem crescendo e ampliando seu negócio. Sua trajetória mostra como uma iniciativa pode ganhar espaço a partir do trabalho, da dedicação e da percepção das oportunidades existentes na própria comunidade.


E é justamente esse tipo de história que o Espaço de Reflexão busca conhecer e divulgar: pessoas, lugares, iniciativas e identidades que fazem parte da vida cotidiana de Tavares e de suas comunidades rurais. Desta vez, o olhar do blog chegou ao Quiosque do Dudu, um espaço que reúne comércio, agricultura familiar, lazer e, sobretudo, encontro entre pessoas.

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

VINICIUS SANTOS: jovem empreendedor cheio de sonhos




O Espaço de Reflexão valoriza e dá visibilidade a jovens empreendedores como Vinicius Machado Santos.  Natureza Tavares, com 23 anos, começou seu empreendimento em julho de 2022.

No pátio de sua empresa contava feliz a história de sua revenda de automóveis, a VINICIUS CARROS. Perguntei a ele como surgiu a ideia de iniciar o negócio. Ele disse que;

 "Sempre gostei de negociar, desde novo, o primeiro negócio foi com a mãe, comprei uma moto dela, tinha cerca de 13 anos. Vendi a moto e depois comprei um carro, levei um golpe, não consegui documentação do carro. Vendi para ferro velho, para usar as peças e não recebi, deu tudo errado".

Diante deste relato, pela lógica Vinicius desistiria de compra e venda de veículos. Mas, não foi isso  que aconteceu. Ele continuou e foi em frente,  começou  a loja com dois automóveis, um Gol e uma Saveiro, em 2022.

Em 2024 já tinha 10 carros, já havia construído um local próprio. Levou a loja, também, para São José do Norte, em 2025. 

Neste momento Vinicius afirma: " não imaginava que crescesse tão  rápido".

Vinícius hoje tem loja em Tavares e São José do Norte e seu plano é a terceira loja, ir para Rio Grande.

A VINICIUS CARRO hoje conta com um total de oito funcionários. 

No final da prosa, Vinicius falou que seu pai e sua mãe lhe ajudaram durante o processo inicial. "A mãe ajuda até hoje"!

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

APOLO COSTA: vida, história e empreendedorismo


 Mais um empeeendedor tavarense em destaque no Espaço de Reflexão, Apolo Costa, com 38 anos. Casado com Jordana de Jesus da Silva e pai da pequena Ana Júlia.

Apolo é dono do Restaurante e Pizaria Cantinho do Sabor, na Avenida Onze de Abril, próximo da praça. Seu empreendimento começou há cerca de cinco anos, quando ele e a esposa faziam salgadinhos e vendia pelas ruas. Depois passou vender marmitas para pessoas e empresas. 

O negócio ia dando lucro e eles se animavam. Hoje servem bufe livre e a quilo no almoço e a noite pizzas e outras iguarias. 

Apolo ressalta que nas terças e quintas-feiras serve churrasco pelo mesmo preço dos outrosdias. E nestes dias aumenta os clientes, pois  o pessoal gosta de churrasco. 

O Cantinho do Sabor hoje conta com três  funcionárias e dois da casa para preparo do almoço e mais dois na noite.

Apolo relatou que, além dos que comparecem ao restaurante, atende, também, empresas de resina em Bojuru, são cerca de 60 marmitas, que são entregues diariamente e aproximadamente 100 almoços. Para dar conta dos compromissos, os trabalhos começam as 8h da manhã, pois as 10h30min sai para entrega. 

Apolo falou que sua relação com o trabalho começa aos 14 anos, ni escritório de dua tia. Cursou Ensino Fundamental na Escola Edgardo, depois foi fazer o Ensino Médio em Osório, lá fez o primeiro e segundo ano e com 16 anos foi para Porto Alegre e lá concluiu o Ensino Médio. Lá cursou a faculdade de Administração com ênfase no Comércio Exterior, tem hoje pós graduação em Administração Estratégica.

Apolo trabalhou de 2005 a 2010 em Porto Alegre, onde foi  estagiário no Banrisul,  por 2 anos, na Assembleia Legislativa  do RS, por 2 anos e na Facta cerca de um ano.

Retornando a Tavares, Apolo relata, "fui diretor da Câmara de Vereadores em 2011, chefe de gabinete do governo Flávio Rodrigues, em 2012, Secretário de Turismo, em 2013, vereador em 2014, Secretário de Educação, em 2015, candidato a vice-prefeito em 2016. E em 2017 assumi como funcionário  concursado a função de Tesoureiro".

Diante tudo isso que falou, perguntei, com esse currículo na política, você está praticamente fora há dez anos, pensa em retornar ou pode voltar a participar na linha de frente?

Respondeu:

"Sim, posso voltar, mas não neste momento"!

Pode ser candidato a vereador em 2028? "Não,  meu perfil é para o executivo". Deixou claro que o Legislativo não  o atrai. 

Para concluir Apolo diz que está muito  bem no ramo de comércio atualmente, se voltar para a política será para contribuir com a cidade, não será para ganhar dinheiro.

PETERSON COSTA: o cantor de muitos pagos

 

COM A PALAVRA PETERSON COSTA...

Aqui uma confraternização com os amigos em Imbé (RS), onde realizamos show na noite anterior 17 de setembro nos Festejos Farroupilha com os amigos onde se fez Presente o Prefeito Ique Vedovato o Sec. De turismo Adriano Pacheco o procurador jurídico do município de imbe e o empresário Jonas, da empresa Jaques Ambiental, onde ficamos no município fomos bem recepcionados fizemos show quinta feira à noite e na sexta de manhã tivemos esse momento mais próximo com os amigos enquanto preparavam o churrasco eu juntamente do gaiteiro Antônio Machado relembrávamos clássicos da música natisvista como esta música Lástima, Pelos e Milonga abaixo de mau tempo que também tivemos um momento marcante ao interpretala no show, e também relembramos clássicos argentinos como Zamba de Mi Esperanza e alguns tangos …

O RETORNO DO CAMPEONATO DE ONZE EM TAVARES: por Ingrid Lisboa

 



                                    Por Ingrid Lisboa 

             Coordenadora do Setor de Esportes 

                    da Secretaria de Turismo 

O retorno do Campeonato Municipal de Futebol de Campo 11 é,  um momento muito especial. É muito gratificante poder participar da organização de uma competição que há alguns anos não fazia parte do calendário esportivo do nosso município e que agora volta a movimentar as equipes, os atletas, famílias e a comunidade.

Uma das coisas que considero mais importantes nesse retorno é a oportunidade de dar espaço para os jogadores do nosso próprio município. É muito bom acompanhar os jogos e ver atletas daqui se destacando dentro de campo, mostrando seu talento. O campeonato também acaba sendo uma forma de valorizar esses jogadores e incentivar que cada vez mais pessoas se envolvam com o futebol e a pratica de esportes.

 Acreditamos muito na importância de construir o campeonato junto com os clubes e representantes das equipes. Desde o início, procuramos manter esse diálogo, ouvir as equipes e tomar as decisões necessárias de forma conjunta. Sem essa parceria, seria muito difícil, ou até inviável, colocar uma competição desse tamanho em prática. 

O campeonato só acontece porque existe o envolvimento de todos: Prefeitura através do Departamento de Esportes, clubes, dirigentes, atletas, arbitragem e comunidade. Ao longo do tempo fomos percebendo situações que poderiam ser melhoradas e  que poderiam ser organizadas de outra forma. Para o Campeonato de Campo, procuramos justamente aproveitar esse aprendizado e ajustar previamente aquilo que estava ao nosso alcance, para evitar que os mesmos problemas acontecessem novamente.

Aprendemos diariamente com cada situação e acredito que organização também significa estar aberta a ouvir, corrigir e melhorar. Ao mesmo tempo, confeccionamos um regulamento claro e que ele seja respeitado durante toda a competição. É a partir dele que conseguimos manter critérios iguais para todos e dar segurança às equipes sobre como as situações serão conduzidas.


Ver o Campeonato Municipal de Futebol de Campo 11 acontecendo novamente em Tavares e ver os nossos atletas dentro de campo é, sem dúvida, uma grande satisfação. Espero que esse seja o início de uma nova fase para o futebol de campo do município e que possamos continuar construindo, junto com os clubes e com a comunidade, um calendário esportivo cada vez mais forte.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

EMPRESÁRIO RÔMULO MARTINS: uma caminhada construída a partir da família, do trabalho e da capacidade de enfrentar desafios

A partir do eixo temático empreendedores, empresários e serviços, o Espaço de Reflexão foi ao encontro do empresário dono da Tropeiro Agrícola Rômulo Martins. Nascido em Taquara há 49 anos, ele veio para Tavares aos cinco anos de idade. É filho de Luiz Agnelo e Carla Sander, irmão de Rodrigo e Carolina, casado com Magale e pai de Inaiá e de Caio. A filha estuda Medicina na UFRGS, em Porto Alegre, enquanto o filho faz um curso Técnico em Mecânica, em Rio Grande e se prepara para cursar  Engenharia.

Rômulo cursou o Ensino Fundamental na Escola Edgardo. Depois, foi estudar em Cachoeirinha, em uma escola agrícola, mas não concluiu o curso. Retornou a Tavares e terminou o Ensino Médio na Escola Edgardo.

Em 1995, ao retornar de Cachoeirinha para Tavares, começou a trabalhar com o pai no ramo de produtos agropecuários. Pouco tempo depois, passou a comandar um segmento de negócios ao lado do pai: Rômulo ficou responsável pela área agroquímica, enquanto o pai atuava no ramo de máquinas. Em 2000, os dois seguiram caminhos separados nos negócios. O pai foi para um local e Rômulo para outro.

Rômulo contou que permaneceu durante cerca de dez anos em um prédio alugado e que, há 16 anos, trabalha em prédio próprio. Paralelamente ao comércio, também plantou cebola durante 18 anos, atividade que manteve até 2024. Perguntei se chegou a ganhar dinheiro com a cebola. Ele respondeu que, a cada três anos, um apresentava bons resultados. Segundo Rômulo, porém, a produção de cebola também ajudou a alavancar o negócio agroquímico.

UMA PASSAGEM PELA POLÍTICA 

Rômulo também teve uma experiência na política. Em 2004, foi candidato a vereador, mas não conseguiu se eleger.

“Fui candidato a vereador, em 2004, sem sucesso, com poucos votos.”

Ele contou ainda que foi um dos fundadores da extinta Associação Comercial de Tavares, juntamente com Bacana, Antônio do Bá, seu pai e Gardel Araújo.

Perguntei se pensa em voltar à política. A resposta foi direta:

“Política e comércio não combinam.”

Na sequência, explicou que seu projeto de vida é continuar sendo um homem de negócios. Neste ano Rômulo recebeu da Câmara de Vereadores de Tavares o título de Cidadão Tavarense, já que ele é natural de Taquara.

A PARTICIPAÇÃO DA FAMÍLIA 

A esposa de Rômulo, Magale, é professora e atuou na área por cerca de 20 anos. Há aproximadamente dez anos, deixou a atividade para se tornar parceira do marido no comércio. Atualmente, é responsável pelo setor financeiro da empresa.

Hoje, Rômulo é um empresário que ampliou suas atividades para além do comércio agroquímico. Possui propriedade rural, cria gado e também explora pinus para a produção de resina.

Há cerca de dez anos, o negócio se expandiu e chegou a São José do Norte. Atualmente, a empresa conta com 20 funcionários, considerando a matriz e a filial.

Rômulo relatou que procura se manter atualizado e utiliza sistemas de informação para conhecer melhor as pessoas e empresas com as quais negocia. Destacou também que é a única loja física com depósito de defensivos legalizado em Tavares.

MOMENTO DE DIFICULDADE 

Perguntei a Rômulo se o negócio sempre apresentou crescimento ou se houve momentos de crise. Ele lembrou de um período particularmente difícil:

“Em 2006 foi um ano difícil. Pensei em mudar de ramo ou de cidade.”

Naquele momento, porém, seu pai o aconselhou a permanecer em Tavares. Segundo Rômulo, o pai dizia que, em uma cidade grande, ele seria apenas mais um, referindo-se, provavelmente, à existência de um número muito maior de concorrentes.

TRABALHO E LAZER 

Para finalizar a entrevista, perguntei a Rômulo se, diante da estrutura que construiu nos negócios, ainda encontra tempo para o lazer. Ele respondeu que sim e contou que costuma viajar.

Já esteve em diferentes destinos, tanto no Brasil quanto no exterior. Entre as viagens internacionais, citou os Estados Unidos, a Jamaica, o México, as Ilhas Cayman e o Chile.

A trajetória de Rômulo Martins revela uma história construída a partir do trabalho, da continuidade de uma atividade familiar e da capacidade de ampliar os negócios ao longo dos anos. Entre o comércio, a produção rural e a expansão para outros municípios, ele mantém o foco em seu projeto de vida: continuar empreendendo.


segunda-feira, 28 de setembro de 2026

O FUTEBOL COMO ENCONTRO, MEMÓRIA E IDENTIDADE EM TAVARES


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Centenas de pessoas voltaram, no último fim de semana, às margens de um campo de futebol de onze em Tavares, oito anos depois da última experiência dessa natureza. O retorno da modalidade mobilizou a comunidade e, ao mesmo tempo, reavivou lembranças de diferentes gerações. Famílias, inclusive com crianças, estiveram presentes. Sentadas em cadeiras,  comendo pipocas, ao redor do campo, torcedores e espectadores acompanhavam as partidas, vibravam e gritavam, na expectativa do gol de sua equipe preferida.

Para muitos, certamente, aquele momento também foi uma viagem no tempo. A movimentação ao redor do campo trouxe de volta à memória acontecimentos de 40 ou 50 anos atrás, quando o futebol constituía uma das principais formas de lazer da população, em uma época em que Tavares ainda era distrito de Mostardas. Equipes como Aimoré, Gaúcho, Tavarense, Lutador e Tamandaré, entre outras, faziam parte da vida esportiva e social da comunidade.

Mais do que uma competição esportiva, o futebol em Tavares pode ser compreendido como um fenômeno sociológico. O campo torna-se espaço de encontro, convivência, conversa, lembranças e construção de vínculos. É um lugar onde diferentes gerações se encontram e onde a história da comunidade também se manifesta por meio das experiências compartilhadas em torno do esporte.

Nesse sentido, o retorno do futebol de onze representa não apenas a retomada de uma prática esportiva, mas também a recuperação de um espaço de sociabilidade que durante muitos anos fez parte da história de Tavares. A esperança é de que os esforços daqueles que se empenharam para possibilitar esse retorno tenha continuidade nos próximos anos.

Depois de tanto tempo sem o futebol de onze, provavelmente muitos dos jogadores que estiveram em campo estavam participando de uma partida de onze pela primeira vez. Para eles, o jogo pode ter representado o início de uma nova experiência; para outros, foi a oportunidade de reencontrar, no presente, uma parte significativa da memória esportiva e social de Tavares.